A psicologia explica por que algumas pessoas se sentem sozinhas mesmo cercadas: elas cuidaram tanto dos outros que não sabem mais o que significa ser apoiadas

É muitas vezes que pessoas se sentem sozinhas, mesmo rodeadas de pessoas que as amam. Este sentimento é particularmente comum entre aqueles que dedicaram anos a sustentar os que os rodeiam, sem nunca se permitirem receber a mesma atenção. De tanto serem o pilar para os outros, aceitar ajuda pode tornar-se um conceito quase alienígena. A solidão mais pesada nem sempre se refere àqueles que têm poucos relacionamentos, mas também pode afetar os cuidadores habituais, tão acostumados a cuidar que perdem a noção do seu espaço quando alguém cuida deles.

Geralmente, são essas pessoas que antecipam problemas, se lembram de datas importantes, organizam consultas médicas e atendem telefonemas no meio da noite. Durante anos, tornam-se a pessoa para quem todos se viram quando surge uma dificuldade.

No entanto, quando são o centro da atenção, rodeadas de pessoas que realmente se preocupam com elas, pode haver um desconforto peculiar. Mesmo em momentos como um aniversário, a sensação pode ser a de assistir a uma celebração na qual não participam completamente.

Esse sentimento não é necessariamente falta de reconhecimento nem um sinal de que algo está errado. Vários estudos em psicologia exploraram os efeitos de um envolvimento prolongado no papel de cuidador, revelando que dar continuamente aos outros pode alterar drasticamente a forma como uma pessoa percebe e aceita a atenção que recebe.

Por que algumas pessoas se sentem solas mesmo rodeadas: todas as solidões não se assemelham

Desde 1973, Robert Weiss fez uma distinção importante entre duas experiências. A solidão social surge quando a pessoa carece de um círculo, grupo ou verdadeiro sentimento de pertença. Já a solidão afetiva relaciona-se mais com a ausência de uma relação suficientemente forte para que a pessoa se sinta realmente compreendida e apoiada.

Pesquisas posteriores confirmaram essa distinção, mostrando que essas duas formas de solidão compartilham alguns aspectos, mas correspondem a experiências distintas. Estudos mais recentes continuam a considerá-las fenômenos distintos.

Isso ajuda a entender por que algumas pessoas se sentem sozinhas mesmo cercadas. Ter uma família presente, amigos disponíveis ou um telefone cheio de mensagens não garante uma proximidade satisfatória.

Esse fenômeno também é abordado no nosso artigo sobre o sentimento de solidão, mesmo na presença de um parceiro, amigos ou familiares.

Quando cuidar dos outros ocupa todo o espaço

As psicólogas Vicki Helgeson e Heidi Fritz estudaram um fenômeno que nomearam de « comunhão absoluta » (« unmitigated communion »). O seu artigo, publicado em 1998, descreve uma atenção excessiva às necessidades dos outros, relegando as próprias necessidades ao segundo plano.

Cuidar dos outros não é, obviamente, um problema em si.

O problema surge quando essa atenção torna-se sistemática e se dá em detrimento do próprio bem-estar, podendo estar associada a uma maior carga de sofrimento psicológico e sintomas depressivos.

Um estudo publicado em 2000 associou esse funcionamento a uma maior dificuldade em pedir ajuda e a um apoio recebido menos significativo. Dizer não torna-se difícil, assim como comunicar abertamente que se está atravessando uma fase complicada.

Esta dinâmica assemelha-se àquela de pessoas que se esgotam em silêncio, carregando o peso das dificuldades alheias.

Um estudo de 2015 trouxe, no entanto, uma nuance interessante. Ajudar os outros foi associado a um maior bem-estar entre pessoas que exibem pouco deste traço. Mas muito menos entre aquelas que possuíam essas características de forma acentuada. No entanto, esses resultados devem ser vistos com cautela, uma vez que se baseiam em um único conjunto de dados e em informações auto-referidas.

Por que pessoas solas mesmo rodeadas podem ter dificuldades em receber ajuda

Receber apoio não é sempre percebido como algo positivo, especialmente para aqueles que construíram uma parte significativa da sua identidade em torno da sua autonomia.

Em 2000, Niall Bolger e seus colegas observaram que o apoio « invisível » — recebido sem que o beneficiário tenha consciência diretamente disso — pode ser particularmente benéfico.

Experiências publicadas em 2007 aprofundaram essa questão. Em certas situações, uma ajuda excessivamente visível pode ser ineficaz, ou até produzir o efeito inverso, pois pode ser interpretada como um sinal de incapacidade para lidar com uma dificuldade por conta própria.

É importante, no entanto, evitar tirar conclusões gerais. Uma análise de Zee e Bolger recorda que os resultados sobre as vantagens do apoio invisível nem sempre foram reproduzidos. O contexto e as necessidades reais da pessoa permanecem determinantes.

Para alguém acostumado a ser o solucionador de problemas, receber ajuda pode provocar uma sensação de vulnerabilidade. Embora haja uma intenção afetuosa, essa não é necessariamente sentida dessa forma.

Sentir-se compreendido é tão importante quanto receber apoio

As pesquisas sobre relacionamentos utilizam também a noção de « reatividade percebida do parceiro ». Esta refere-se essencialmente ao sentimento de ser compreendido, reconhecido e levado em consideração.

Pesquisas dedicadas a este fenômeno mostram que a proximidade depende em grande parte da percepção de que o outro realmente compreende nossas necessidades e responde de forma adequada.

Contudo, essa compreensão torna-se difícil quando as necessidades permanecem ocultas. Alguém que sempre responde « está tudo bem » acaba por oferecer muito poucas informações que permitam ao seu círculo ajudá-lo eficazmente.

Assim, pode-se sentir amado sem ter a sensação de ser realmente conhecido. Essa é uma das razões pelas quais algumas pessoas, mesmo rodeadas de amigos e familiares, têm a impressão de que ninguém realmente compreende o que elas passam.

Como reaprender a receber quando se faz parte do grupo das pessoas solas mesmo rodeadas

Não é necessário mudar quem se é para modificar essas rotinas. Pequenas alterações podem já fazer uma diferença significativa.

Responder sinceramente a um « Como estás? » ocasionalmente pode ser um bom começo. Apenas uma frase pode por vezes abrir a porta para uma conversa diferente.

É igualmente possível pedir algo simples e específico, permitindo que o outro responda a essa solicitação sem a necessidade de retribuir imediatamente.

Deixar que alguém escolha o restaurante, organize um passeio ou resolva um pequeno problema, ajuda a desviar a responsabilidade de estar sempre à frente nas necessidades de todos. Da mesma forma, aprender a dizer não e a respeitar mais os próprios limites pode contribuir para equilibrar algumas relações.

Nos primeiros momentos, receber sem retribuir imediatamente pode parecer estranho. No entanto, para aqueles que se sentem solitários mesmo rodeados, aprender a dar espaço aos outros não implica ser dependente. Pelo contrário, permite que os próximos que desejam estar presentes mostrem, também eles, que sabem cuidar da relação.

Este artigo é apresentado para fins informativos e de reflexão. Não deve ser interpretado como aconselhamento médico, psicológico ou profissional. As ideias discutidas apoiam-se em estudos publicados e observações editoriais, não resultando de uma avaliação clínica. Para a sua situação específica, consulte um profissional qualificado.

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