Aqueles que não compartilham seus momentos importantes nas redes sociais não estão necessariamente na defensiva: muitas vezes, eles preferem vivê-los e compartilhá-los com algumas pessoas próximas em vez de anunciá-los para o mundo inteiro

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As pessoas que optam por não compartilhar os seus momentos significativos nas redes sociais não sentem, necessariamente, a necessidade de expor tudo. Para muitos, uma boa notícia ganha mais valor quando permanece num círculo restrito. O modo como escolhemos as primeiras pessoas a quem confiar uma nova alegria pode ser tão relevante como a notícia em si. **Guardar uma boa notícia para si mesmo** não implica, portanto, querer manter um segredo. Pode, simplesmente, refletir uma busca por intimidade e o desejo de decidir quem deve ser o privilegiado a saber primeiro.

Quando refletimos sobre isso, percebemos que cada evento feliz não precisa ser partilhado com um grande número de pessoas.

Uma promoção, um noivado ou resultados médicos tranquilizadores, após um período de apreensão, podem ser anunciados de diferentes formas. Alguns preferem a alegria coletiva de um grupo de amigos, enquanto outros optam por comunicar primeiro a uma única pessoa antes de todos os outros.

Esse comportamento não é universal, mas é suficientemente comum para que muitos possam recordar uma boa notícia que inicialmente partilharam apenas com algumas pessoas.

O silêncio é frequentemente interpretado de forma apressada

Aqueles que não partilham os seus momentos importantes
Imagens Pexels e Freepik

Aqueles que não partilham os seus momentos significativos podem ser vistos como secretos, distantes ou muito reservados. Contudo, a ausência de partilha não expressa necessariamente o que se imagina.

As redes sociais habituaram-nos a considerar o silêncio como uma forma de informação. Fianças que permanecem invisíveis durante dias podem provocar questionamentos. Uma promoção que nunca é anunciada pode ser interpretada como modéstia ou até vontade de ocultar algo.

No entanto, existe uma explicação mais simples. Não partilhar publicamente não significa que ninguém tenha sido informado. A notícia, por vezes, já foi partilhada através de uma chamada telefónica com um familiar ou numa conversa reservada. Ela circulou, mas apenas entre os mais próximos.

Essa forma de preservar a vida pessoal alinha-se ao comportamento de quem observa as redes sociais sem nunca publicar ou comentar, para quem visibilidade e proximidade não são sinónimos.

Os que não partilham os seus momentos significativos podem anunciar uma mesma notícia de outra forma

Imaginemos dois casais que se comprometem ao mesmo tempo. O primeiro publica rapidamente uma foto, marca os amigos e recebe uma avalanche de felicitações. O segundo telefona primeiro aos pais, comunica a novidade aos irmãos e deixa a informação ser transmitida aos restantes.

Este segundo comportamento pode parecer mais reservado, mas, na verdade, reflete uma forma distinta de decidir com quem e como viver um evento importante.

Algumas pessoas que raramente publicam nas redes sociais atribuem um valor mais elevado à discrição e às trocas pessoais.

Uma divulgação pública permite um maior alcance; mais pessoas ficam informadas e podem reagir de imediato. Em contrapartida, uma partilha privada privilegia a proximidade e o significado que cada um atribui ao evento. No entanto, nenhum destes caminhos mede a alegria experimentada.

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O que a investigação revela sobre a nossa forma de partilhar

Aqueles que não partilham os seus momentos importantes

Uma investigação realizada em 2014 por Alixandra Barasch e Jonah Berger, publicada no Journal of Marketing Research, abordou a forma como o nosso comportamento muda quando comunicamos a uma única pessoa ou a um público mais amplo.

Os investigadores descobriram que, ao falar para várias pessoas, aumenta a atenção que se presta à imagem que se projeta. Num intercâmbio cara a cara, a atenção foca-se mais no destinatário e no que ele realmente deseja ouvir.

A divulgação pública é, portanto, particularmente adequada para informações que beneficiam de grande visibilidade, como uma busca de emprego ou uma campanha de angariação de fundos. Nestas situações, alcançar mais pessoas aumenta as possibilidades de obter uma resposta útil.

Por que aqueles que não partilham momentos significativos não necessitam de um grande público

Eventos muito pessoais obedecem a uma lógica diferente. Um noivado, o nascimento de um filho ou a obtenção de um emprego tão desejado não se tornam mais importantes apenas porque muitas pessoas ficam a saber.

Para alguns, poucas pessoas significam o público ideal. É por isso que cada vez mais pessoas têm menos a necessidade de partilhar a sua vida online e preferem manter alguns momentos no seu círculo íntimo.

Divulgar uma notícia muito pessoal para um grande público pode, por vezes, assemelhar-se à leitura de uma carta íntima para uma sala cheia: o conteúdo permanece o mesmo, mas o contexto altera completamente a forma como é vivido.

Por que escolher precisamente as pessoas a quem anunciar uma boa nova?

Aqueles que não partilham os seus momentos importantes

A mesma investigação revela que, quando uma pessoa se dirige a um destinatário específico em vez de a um grande público, ela se preocupa mais com o que este interlocutor pode retirar da conversa do que com a imagem que está a projetar.

Os autores explicam que “a partilha direcionada, ao contrário, encoraja a oferecer um conteúdo que seja útil ao destinatário da mensagem”.

Confiar uma notícia a alguém não é apenas uma partilha reduzida. O intercâmbio baseia-se numa história partilhada, numa reação esperada e numa compreensão que apenas alguns podem realmente proporcionar.

Esse reconhecimento é diferente daquele obtido por “gostos” ou comentários. Quando um familiar compreende os esforços necessários para alcançar uma promoção, a reação pode ser mais valiosa do que dezenas de felicitações de conhecidos. Um amigo que recorda os fracassos antes de uma vitória entende imediatamente o que essa notícia representa.

Aquilo que não partilham os seus momentos significativos podem, aliás, escolher ser muito visíveis para certos eventos e particularmente discretos para outros. Uma nova atividade profissional pode ser anunciada publicamente, enquanto uma gravidez tão esperada será, primeiramente, partilhada com próximos amigos. A diferença reside, sobretudo, na importância do contexto com as pessoas a quem se transmite a notícia.

Este comportamento assemelha-se ao de pessoas que preferem manter-se discretas nas redes sociais, para as quais um momento não precisa, necessariamente, de ser exposto para ter valor.

Por que aqueles que não partilham momentos significativos escolhem os seus destinatários com cuidado?

Outra investigação ajuda a compreender melhor este comportamento. A psicóloga Shelly Gable e colegas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara estudaram o que chamam de “capitalização”: o ato de contar uma boa notícia a alguém para prolongar e amplificar as emoções positivas através da sua reação.

O estudo, realizado em 2004 e publicado no Journal of Personality and Social Psychology, indica que o escolha de quem a quem se confia é realmente importante. Os investigadores afirmam que “as pessoas são pouco propensas a partilhar as suas boas notícias se antecipam um desprezo, uma atitude defensiva ou uma reação negativa”.

Uma publicação destinada a muitas pessoas implica reações de difícil previsão. Algumas serão calorosas, outras superficiais ou inexistentes. Com um amigo próximo ou um membro da família, a reação é geralmente mais previsível e, sobretudo, mais pessoal.

Portanto, **escolher algumas pessoas** não implica, necessariamente, partilhar menos, mas **partilhar de forma mais precisa**. Essa lógica é visível em quem prioriza algumas amizades próximas em vez de um grande círculo social.

Aqueles que não partilham os seus momentos significativos são realmente desconfiados?

No entanto, seria excessivo tirar uma conclusão geral a partir disto. Partilhar uma boa nova não implica necessariamente procurar atenção. Da mesma forma, **permanecer em silêncio** não traduz automaticamente uma necessidade de proteção.

Uma mesma pessoa pode adotar ambos os comportamentos dependendo das circunstâncias.

A discrição merece ser interpretada de outra forma. Escolher três pessoas entre três centenas também é uma forma de partilhar: é reconhecer que certos eventos serão melhor compreendidos num contexto íntimo.

Este impulso de preservar parte da sua existência manifesta-se frequentemente entre aqueles que não publicam nunca nas redes sociais para proteger a sua privacidade.

Quando uma grande notícia chega por telefone, durante um jantar ou numa conversa privada, em vez de nas redes sociais, não devemos, portanto, interpretar isto automaticamente como distanciamento.

Isso pode, pelo contrário, significar que a pessoa atribui importância suficiente a esse momento para escolher pessoalmente **com quem deseja vivê-lo**.

Este artigo é apresentado com o intuito de informar e refletir. Não constitui, de modo algum, um aviso médico, psicológico ou profissional. As noções aí evocadas baseiam-se em investigações publicadas, bem como em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, consulte um profissional qualificado.



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