75 Anos da ganadaria Murteira Grave

Crónica

  • Campo Pequeno: 75 Anos da ganadaria Murteira Grave
  • Local: Praça de Toiros do Campo Pequeno
  • Data: 25 de Julhode 2019 
  • Cavaleiros: João Ribeiro Telles, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr.
  • Forcados: Grupos de Forcados Amadores de Santarém e Coruche
  • Ganadaria: Murteira Grave

Num cartel bem rematado, com toureiros jovens com muito valor, grupos de forcados consagrados e com a celebração dos 75 anos da fundação da ganadaria Murteira Grave como destaque maior, o Campo Pequeno preencheu esta noite ¾ da sua lotação.

Abriu praça João Ribeiro Telles frente a Presumido, um toiro negro bragado com 502kg, que foi bravo e encastado. O cavaleiro da Torrinha conseguiu uma boa lide, cumprindo nos 2 ferros compridos e rematando com boa brega frente a um toiro que transmitia muito na forma como perseguia a montada após a ferragem, com pata e algumas investidas bruscas. A série de curtos foi de boa nota, com reuniões ajustadas e rematando as sortes com temple e ajustada brega, destacando-se o quarto curto, com que terminou uma lide de muito mérito frente a um toiro de boa nota.

A abrir praça para as pegas, o experiente forcado Lourenço Ribeiro dos Amadores de Santarém, frente a um toiro que se adivinhava sério para a pega. O forcado soube mandar no toiro, citando com temple, carregando no momento certo e fechando-se com alma após uma reunião em que “encheu” a cara ao toiro. Teve depois uma viagem dura, em que aguentou os derrotes do toiro e foi bem ajudado naquela que foi a melhor pega da noite.

O segundo toiro foi devolvido aos curros, calhando em sorte ao cavaleiro Francisco Palha o que seria lidado em 5º lugar, um bonito toiro, negro de pelagem com 554kg, mas com comportamento mais reservado que o anterior. O Francisco Palha não conseguiu a lide desejada, com algumas passagens em falso frente a um toiro que era tardo na investida, dificultando o momento da reunião para a cravagem do ferro. Mesmo assim conseguiu executar alguns bons curtos, mas a lide não resultou num todo e no final o cavaleiro, com a exigência e ambição que lhe reconhecemos, recusou dar volta apesar de autorizada.

Para pegar este toiro e abrir praça pelos amadores de Coruche foi Miguel Raposo, que não conseguiu fechar-se da melhor forma na reunião e foi despachado pelo derrote do toiro, lesionando-se e sendo dobrado pelo cabo José Tomás, que se mostrou sereno, mandou no toiro, encheu-lhe a cara na reunião e conseguiu uma boa pega na sua primeira tentativa.

Calhou em sorte ao mais jovem cavaleiro, o toiro com mais idade. O Luís Rouxinol Jr. não se intimidou frente ao único cinqueño da noite e iniciou a sua faena com uma grande porta gaiola, que resultou vibrante e em “su sitio”. O Manizales, para além de único toiro com os 5 anos cumpridos, foi também o único de pelagem castanha e apesar de ser o toiro com menos peso da corrida, tinha uma apresentação e umas hechuras dignas de qualquer praça.

A lide continuou em bom plano após a porta gaiola com mais um bom comprido e ladeios com emoção frente a um toiro que perseguia o cavalo de forma vibrante. Nos curtos continuou em muito bom plano, com boas reuniões e muita ligação entre ferros, aproveitando o comportamento encastado do toiro. Terminou a lide com um ferro de palmo naquela que foi a lide mais redonda da noite.

Para a pega, pelos amadores de Santarém, perfilou-se também um forcado muito jovem, que sentiu o peso e responsabilidade da primeira praça do país. O Joaquim Grave mostrou algum nervosismo no cite e não conseguiu templar da melhor forma a investida do toiro nas suas primeiras tentativas, sendo depois difícil aguentar a viagem dura do toiro, consumando apenas à 4ª tentativa com ajudas carregadas.

A abrir a 2ª parte, João Telles teve uma lide despercebida. Não houve ligação entre o ginete e o Grave que lhe calhou em sorte, que foi o toiro com menos qualidade e não tinha reunião para ferros de praça a praça com quiebros, surgindo dessa forma uma lide sem conectividade e com muitas passagens em falso. Pelo meio resultaram alguns ferros com qualidade, mas no cômputo geral a lide não resultou.

Para a pega ao toiro, o experiente forcado João Prates também não conseguiu estar ao seu melhor nível. Na primeira tentativa o toiro arrancou de largo mas o forcado não conseguiu reunir da melhor forma e foi despejado, tendo o toiro revelado maior dureza nas tentativas seguintes, fechando apenas à 4ª tentativa com ajudas carregadas.

O sobrero que calhou em sorte ao cavaleiro Francisco Palha foi mais um bom toiro, de nome Otoñado, negro, com menos cara que os restantes, acusou 568kg na balança e mostrou nobreza na investida e a lide teve ligação e classe, com sortes bem desenhadas, bons ferros, mas não chegou ao nível desejado pelo cavaleiro e público por duas reuniões falhadas, que condicionaram uma lide que poderia ter sido soberba.

Quando chegou a hora de pegar este toiro, estalou a bronca. Os amadores de Santarém estavam já na arena com Francisco Graciosa como caras, quando o toiro ao ser colocado rematou contra a trincheira e partiu o corno esquerdo. O que deveria ter acontecido depois era a devolução do toiro aos currais, por estar diminuído fisicamente, mas nada disso aconteceu. Incompreensivelmente o Grupo pediu ao diretor de corrida Tiago Tavares para pegar o toiro de cernelha, e ainda mais escandaloso foi a autorização dada por este, que não respeitou o regulamento que deve seguir.

Os cabrestos entraram na arena, o toiro não encabrestava, e o diretor de corrida ao fim de 2, 3 ou 4 minutos voltou com a sua decisão atrás e criou uma enorme confusão, originando um deplorável cenário com forcados nas portas e um grupo a pegar o toiro em praça de caras com um corno partido e cabrestos na arena, um público revoltado, assobiadelas e um cenário que é tudo menos o que se deseja que aconteça num espetáculo. Bastava cumprir o regulamento (no final da crónica)… lidar ou pegar toiros diminuídos não enaltece em nada a festa dos toiros e quando isso acontece durante uma lide deve ser o toiro recolhido como diz o regulamento. A direção da corrida errou de uma forma incompreensível, não estando também isentos de culpa os Amadores de Santarém.

Luís Rouxinol Jr entrou em praça para lidar o último da noite, numa lide que não atingiu o nível da anterior, mas que teve bons momentos, principalmente na ferragem curta, frente a um toiro que cumpriu, mas que foi algo reservado. Fica como o cavaleiro que teve uma noite de melhor nível, por alguns detalhes nesta segunda lide, mas principalmente pela lide redonda que protagonizou ao Manizales, que se revelou o toiro com melhor comportamento em praça, aquele que mais transmitiu e mais bravo foi.

A fechar as pegas, pegou pelo grupo de Coruche o forcado António Tomás. Depois de uma primeira tentativa de grande valor, que era um pegão, mas saiu já em tábuas quando o grupo parecia que estava a fechar a pega, acabou por pegar à 2ª tentativa com menos brilho numa tentativa em que o toiro o tira da cara, e que volta a entrar já com o grupo a fechar a pega.

Foi uma noite de toiros com alguns bons momentos, toiros com apresentação, comportamento muito variado, tendo-se destacado os lidados em 1º, 3º e 5º lugar. A expectativa gerada por este cartel era grande, mas não atingiu o nível que os aficionados que acudiram ao Campo Pequeno tinham imaginado.

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