7 hábitos das pessoas que permanecem verdadeiramente felizes até os 70 anos… e além

Com o passar dos anos, muitos acreditam que a felicidade está atrelada apenas à sorte ou à saúde. Contudo, estudos sobre o envelhecimento revelam uma narrativa mais complexa. Algumas pessoas atravessam o tempo com uma serenidade notável, mesmo diante das dificuldades inevitáveis da vida. Elas não habitam um mundo sem desafios, mas aprenderam a moldar o seu cotidiano em direção ao que traz bem-estar. As suas rotinas, basicamente simples, caracterizam-se por hábitos repetidos com perseverança e adaptados às suas prioridades. Esses pequenos gestos, acumulados ao longo do tempo, parecem alterar o jogo muito mais que eventos extraordinários.

Envelhecer não implica escapar das fases de dúvida, tristeza ou solidão. Aqueles que mantêm um elevado nível de satisfação após os 70 anos experienciam, também, perdas, mudanças de saúde, preocupações e imprevistos. A diferença reside menos no que lhes acontece e mais na maneira como organizam as suas vidas e conferem significado aos seus dias.

Investigação sobre o bem-estar dos seniores indica que a felicidade duradoura não depende de um único fator.

Está mais relacionada a um conjunto de hábitos que fortalecem as ligações sociais, estimulam a mente, promovem a movimentação e mantêm os objetivos, mesmo que modestos. As semanas das pessoas mais realizadas raramente são preenchidas ao acaso. Elas priorizam as relações humanas, as atividades que lhes proporcionam satisfação e uma certa flexibilidade face a mudanças.

No entanto, importa reter que não se trata de receitas universais. Os cientistas observam associações entre certos comportamentos e níveis superiores de bem-estar, sem, contudo, afirmar que estes garantem a felicidade por si só.

Múltiplos fatores, como a saúde, os recursos financeiros, a habitação, o suporte social e as experiências pessoais, influenciam também a qualidade de vida. Apesar das diferenças, vários comportamentos repetem-se de forma notável entre aqueles que conseguem preservar uma vida significativa e um sentimento de felicidade duradoura após os 70 anos.

Vamos explorar as sete hábitos que emergem com frequência nos estudos sobre um envelhecimento feliz.

1. Nunca param de aprender e descobrir

Imagens Pexels e Freepik

Os indivíduos mais felizes após os 70 anos mantêm uma curiosidade ativa. Continuam a aprender, não por obrigação, mas por prazer.

Inscrevem-se em ateliers, exploram novas atividades artísticas, dedicam-se a novos saberes, investigam a informática ou a música, ou ainda seguem paixões que não tiveram oportunidade de explorar antes.

Investigadores britânicos notaram que os seniores que participavam regularmente em atividades criativas ou formações apresentavam, geralmente, um nível de bem-estar psicológico superior.

Esses benefícios parecem resultar de vários fatores, como o prazer de aprender, o progresso alcançado, a interação com outros e a satisfação proveniente de novos desafios.

O objetivo não é tornar-se um expert. O que importa é manter o desejo de progredir, aceitar ser iniciante em algumas áreas e continuar curioso. Esta atitude transmite a sensação de que o futuro pode ainda reservar belas descobertas.

2. Cuidam das suas relações diariamente

Ter pessoas próximas é fundamental, mas aqueles que se mantêm felizes após os 70 anos não se contentam apenas com isso. Agem para preservar esses laços.

Mantêm contacto regular com amigos, organizam almoços, visitam vizinhos ou programam momentos em família. Estes encontros são cuidadosamente agendados, integrando a sua rotina.

Os investigadores têm realçado que a qualidade das relações é mais importante que a quantidade. Um extenso estudo realizado com pessoas a partir dos 50 anos revelou que a solidão e relações insatisfatórias estão fortemente associadas a uma diminuição do bem-estar. Em contrapartida, poucos laços próximos parecem ter um efeito protetor sobre a qualidade de vida.

Com o avançar da idade, é normal tornar-se mais seletivo nas relações. Esta evolução pode ser benéfica ao permitir priorizar pessoas que oferecem apoio, confiança e alegria. Por outro lado, cortar todos os contactos pode conduzir ao isolamento, tornando o dia a dia mais difícil.

3. Continuam a mover-se, sem buscar a performance

As pessoas que mantêm um bom nível de felicidade após os 70 anos não são necessariamente grandes atletas. O que as une é a continuidade da atividade física regular, adequada às suas capacidades e estado de saúde.

Caminhar, jardinar, andar de bicicleta, nadar, dançar ou simplesmente realizar deslocações quotidianas contribuem para manter essa atividade. Para além dos benefícios físicos, o movimento estimula a autonomia, reforça a autoconfiança e proporciona inúmeras oportunidades de socialização.

Um estudo com adultos entre 60 e 95 anos demonstrou que aqueles que permaneceram ativos ao longo dos anos reportavam uma maior satisfação com a vida em comparação com os sedentários. Os autores salientam, no entanto, que esses resultados são em parte baseados nas memórias dos participantes e não estabelecem uma ligação de causa e efeito.

O essencial não é a intensidade do esforço, mas a regularidade. Cada um pode ajustar o seu nível de atividade às suas capacidades, o objetivo sendo continuar a mover-se o máximo possível, em vez de buscar desempenho.

4. Sabem adaptar os seus objetivos às mudanças da vida

Com o passar do tempo, algumas ambições tornam-se mais difíceis de alcançar. Uma longa viagem pode ser substituída por escapadelas mais curtas, uma prática desportiva intensa por atividades mais leves, ou ainda um compromisso profissional pode dar lugar a um envolvimento no voluntariado.

As pessoas que envelhecem de forma mais positiva não encararam esses ajustes como renúncias, mas sim como uma evolução natural das suas prioridades.

Uma pesquisa realizada durante seis anos com mais de 700 adultos entre 63 e 97 anos mostrou que a habilidade de adaptar os objetivos estava associada a uma maior satisfação ao longo do tempo. Os investigadores enfatizam que essa qualidade não consiste em agarrar-se a um projeto irrealista ou em desistir com facilidade.

Ela baseia-se na capacidade de manter o sentido de um objetivo enquanto se aceita modificá-lo quando necessário.

Esta flexibilidade psicológica permite enfrentar melhor os desafios do envelhecimento. Previne que uma limitação física, uma mudança de situação ou uma perda comprometam a autoestima ou a sensação de viver de forma significativa.

5. Permanecem abertas aos outros e socialmente ativas

Os indivíduos mais realizados não limitam frequentemente as suas interações à família. Continuam a participar na vida do bairro, em associações, clubes, atividades culturais ou desportivas, ou em grupos de voluntariado.

Essas atividades oferecem mais do que simples passatempos. Criam oportunidades de conhecer outras pessoas, partilhar experiências e manter uma posição ativa na sociedade. Também conferem estrutura às semanas e incentivam a sair de casa.

Um estudo significativo realizado na China com milhares de pensionistas revelou que aqueles que participavam regularmente em atividades sociais relataram níveis de felicidade mais elevados.

Embora esta pesquisa não consiga afirmar que tais atividades são a causa direta do bem-estar, a relação observada é bastante forte.

Na prática, os seniores mais felizes frequentemente sentem um sentido de pertença a uma comunidade, seja ela qual for.

6. Levantam-se cada manhã com um objetivo

Após a aposentadoria, muitos acreditam que o sentido da vida desaparece com a carreira. No entanto, aqueles que envelhecem de forma mais serena frequentemente encontram novas razões para se levantar a cada manhã.

Essa razão de ser pode manifestar-se de formas simples: cuidar do jardim, ficar com os netos, cozinhar para os entes queridos, ajudar uma associação, aprender uma nova habilidade, cuidar de um animal ou auxiliar um vizinho.

Pesquisadores que acompanharam indivíduos mais velhos ao longo dos anos descobriram que um forte sentimento de utilidade estava associado a uma melhor satisfação com a vida e a mais emoções positivas.

O efeito parece, aliás, funcionar em ambas as direções: sentir-se útil promove o bem-estar, enquanto um espírito positivo também encoraja as pessoas a se envolverem mais nas suas atividades.

Portanto, não se trata de realizar grandes projetos, mas sim de ter compromissos que proporcionem uma direção ao dia seguinte. Os dias tendem a ser mais ricos quando incluem um objetivo, mesmo modesto.

7. Sabem apreciar os pequenos prazeres do dia a dia

As pessoas que permanecem felizes a longo prazo não são sempre otimistas. Também enfrentam dificuldades e decepções, períodos de dúvida, como todos nós. No entanto, tendem a dedicar mais tempo a saborear os bons momentos quando estes surgem.

Um almoço com os entes queridos, uma caminhada por um lugar familiar, uma chamada de um amigo, um pôr do sol ou uma conversa calorosa podem tornar-se grandes fontes de satisfação quando se lhes presta total atenção.

Uma investigação com mais de 200 adultos com 65 anos ou mais revelou que refletir sobre experiências positivas da vida intensificava o sentimento de gratidão.

Os investigadores observaram também que esta atitude estava associada a uma perspectiva mais positiva do envelhecimento, a uma maior satisfação com a vida e a um otimismo renovado em relação ao futuro.

Esses resultados não afirmam que a gratidão remove todas as dificuldades ou problemas de saúde. Apenas recordam que as experiências felizes não geram automaticamente bem-estar. É necessário dar-se tempo para vê-las e apreciá-las plenamente.

O que essas práticas não conseguem explicar

Seria enganador pensar que a felicidade após os 70 anos depende apenas da vontade ou de hábitos. A realidade é bem mais complexa.

Recursos financeiros, estado de saúde, mobilidade, habitação, suporte social e eventos de vida exercem uma influência significativa na qualidade de vida.

É, naturalmente, mais fácil permanecer ativo quando se pode mover livremente, seguir uma formação quando se tem os meios ou manter uma vida social quando a saúde permite.

Da mesma forma, a felicidade não é uma recompensa entregue a quem adotou os “bons” hábitos. Muitas pessoas enfrentam doenças graves, lutos, isolamento ou dificuldades económicas que as melhores práticas não conseguem resolver.

As investigações apenas destacam tendências observadas em várias pessoas mais velhas que relatam um alto nível de bem-estar. Revelam que as relações sociais, o sentimento de utilidade, a atividade física, a capacidade de adaptação, a curiosidade e a valorização dos momentos positivos são práticas comuns no seu quotidiano.

Nenhum destes hábitos garante uma vida isenta de dificuldades. No entanto, quando alinhadas, parecem fornecer uma base sólida para preservar o bem-estar, o otimismo e a felicidade ao longo dos anos.

Este artigo é fornecido apenas para fins informativos e de reflexão. Não substitui em caso algum um parecer médico, psicológico ou profissional. As noções abordadas são respaldadas por pesquisas publicadas e por observações editoriais, e não provêm de uma avaliação clínica. Para a sua situação específica, consulte um profissional qualificado.

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