- Praça de Toiros Amadeu Augusto dos Santos – Montijo
- 23 de Setembro 2018
- Corrida das Tertulias
- Cavaleiros: João Ribeiro Telles, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr.
- Forcados: Tertulia Tauromáquica do Montijo, Amadores do Montijo e Amadores de Tomar
- Toiros: Herdeiros de Paulino da Cunha e Silva
Apesar de ser o 1º dia de Outono, mais parecia que estávamos no pico do Verão, muito calor, calor esse que fez atrasar a corrida em 30 minutos, mas que também tirou público à praça. Meia praça envergonhada assistiu a uma corrida com grandes momentos nas lides a cavalo como também muita emoção nas pegas.
Um cartel carregado de qualidade e muita competição. João Ribeiro Telles a atravessar um bom momento queria hoje marcar uma vez mais a sua posição, Francisco Palha que tem feito uma extraordinária temporada, revelando-se o triunfador da temporada, queria continuar na senda de boas actuações e grandes ferros, e o jovem Luís Rouxinol Jr. que a pouco e pouco vai deixando a sua marca e evidenciando-se uma das revelações da temporada tarde após tarde, rivalizava hoje com 2 nomes já consagrados.
João Telles Jr. realizou esta tarde no Montijo, duas faenas distintas. A primeira, frente ao maior toiro da corrida, não conseguiu nunca romper, nem animar o público nas bancadas, ainda assim rubricou uma lide regular, onde cumpriu deixando assim o melhor para o último toiro. Já no 4º da ordem, o mais pequeno da corrida com 505kg, João Telles bordou o toureio de arte e ligou a sua actuação sempre com o público. Nos curtos com o “Coimbra” protagonizou momentos de verdade, cravando de alto a baixo ao estribo e terminando a sua actuação com um violino para meter o público em extase. Foi na minha opinião a melhor lide da corrida, pela regularidade e perfeição que executou o seu labor desde a entrada em praça até ao fim.
Francisco Palha, confiado e a atravessar um grande momento não foi ao Montijo cumprir calendário, foi uma vez mais mostrar todo o seu profissionalismo e risco que imprime nas suas lides. A forma com que Francisco executa a preparação do ferro, seja ele comprido ou curto, como pisa terrenos de compromisso e como crava são já imagens de marca. Nos dois mansos que lhe tocaram em sorte, o cavaleiro cravou tanto com a Duquesa como com o Roncalito ferros muito importantes. No entanto a 1ª lide não resulta em triunfo, muito devido à pouca colaboração do oponente que o obrigou a passar em falso algumas vezes para que conseguisse deixar 2 ferros com cada montada de qualidade. Já no segundo da tarde, manteve toda a tónica, da preparação cuidada, ferros praça a praça, deixando um fantástico e impossível último ferro, onde só ele viu a saída possível do ferro.
Luís Rouxinol Jr., protagonizou duas faenas alegres, variadas e com muita conecção ao público. Uma primeira lide, frente a um hastado escasso de força, e com o calor que se fez sentir dificultou bastante a locomoção ao toiro, chegando mesmo a deitar-se na arena. Algo desacertado no sitio da cravagem terminou com um palmo já para além das forças do toiro. No último da tarde, já noite, a história foi outra, saiu decidido a fechar com triunfo e começou uma lide alegre logo nos compridos, naquele que foi o mais bravo da corrida. Já nos curtos demonstrou a sua maturidade na leitura do toiro, para tanto na preparação como na cravagem e remate da sorte estar em plano de destaque, no entanto a lide não resulta redonda devido alguns toques na montada que sofreu no momento da cravagem. Terminou com um par de bandarilhas e de palmo e arrecadou o público no bolso.
No capítulo das pegas há que primeiramente, e em modo de opinião e reflexão, comentar certos aspectos que se passaram hoje. A figura do Forcado Amador, enquanto personagem preponderante na corrida à Portuguesa, deve ser cuidada de forma a não cair no desleixe. Ser Forcado Amador é escolher livremente, estar num mundo de risco, onde a vida se joga dentro da arena e onde temos que dar o corpo pelo nosso companheiro em detrimento do nosso. Admira-me o facto de não haver mais lesões graves em várias corridas, devido à falta de preparação, noção e disponibilidade na generalidade dos ajudas de certos grupos. Não me cabe a mim apontar o dedo a qual ou a quem, no entanto enquanto aficionado custa-me ver Grupos dentro de praça completamente perdidos sem capacidade para resolver certos problemas, muitas vezes pura e simplesmente porque não têm ninguém que lhes ensine correctamente… já para nem falar de vários forcados mal fardados, desde os pés à cabeça…
Grupo de Forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, como mais velho abriu praça para pegar o mais pesado, que tocou ao jovem Luís Carillho. Após um brinde a Miguel Alvarenga e Francisco Costa, recebe bem o toiro e aguenta vários derrotes, acabando por sair devido ao deficit por parte dos ajudas. Acaba por sair lesionado e é dobrado por um forcado que caminha mais de meia praça sem qualquer postura de forcado, o toiro entra com violência e o forcado não se consegue fechar. Volta, Luís Carrilho, visivelmente debilitado para efectuar a 3ª e última tentativa consumada com o Grupo todo que estava fardado a ajudar. Para pegar o 4º da ordem o cabo Márcio Chapa saltou à arena para efectuar uma grande primeira tentativa, que uma vez mais só não é consumada devido à gritante falta de ajudas. Márcio sacode o pó e volta de novo à cara do toiro, sendo que nesta tentativa se adianta ligeiramente o que descompôs a investida do toiro. Pegou à 3ª em curto sem brilho.
Grupo de Forcados Amadores do Montijo, tiveram uma tarde que provaram o doce e o amargo. A 1ª pega foi concretizada com sucesso à primeira por João Paulo aguentando derrotes com o grupo a entrar bem e fechar a pega. Na segunda pega as coisas foram bem diferentes, um toiro bastante duro que metia a cara com extrema violência e velocidade no forcado. José Pedro Suíça teve de efectuar 5 rijas tentativas para levar de vencido o oponente, no entanto nas 5 tentativas nunca virou a cara à luta, efectuo perfeitos momentos de reunião e aguentou barbaridades nas diversas tentativas. É sem dúvida um forcado a ter em conta devido à sua tenra idade e noção dos vários momentos da pega, apesar das 5 tentativas parabéns!
Grupo de Forcados Amadores de Tomar efectuo uma corrida limpa com duas pegas ao primeiro intento. Na 1ª pega, frente a um toiro fisicamente desgastado, a querer deitar-se, o forcado Marco Freitas poderia ter pisado terrenos de mais compromisso, evitando assim desfazer a pega e carregar o toiro sem sucesso repetidamente. Já no último da noite o experiente e veterano Helder Parker, efectuo uma reunião sobre o pitón numa pega vistosa, pois o toiro fugiu ligeiramente ao grupo.
No final da corrida o júri composto por 7 tertúlias presentes em praça atribuíram os prémios de “Melhor Lide” e “Melhor Pega”. Esta questão dos prémios tem muito que se lhe diga, muitas das vezes serve apenas para dar azo a fricções entre artistas, apoderados etc… Valem o que valem a maioria dos prémios, e os de hoje foram exemplo disso. Sem querer tirar valor ao Luís Rouxinol Jr. com todo o seu mérito, pelas lides que rubricou e pela forma profissional como toureia, tal como ao Forcado Helder Parker, reconhecido no meio pelas muitas dezenas de pegas, ajudas, dobras que efectua regularmente pelo seu grupo de Tomar, no entanto fiquei na dúvida se acabaram por ser os justos vencedores dos prémios em disputa… Vale a pena continuar a haver prémios?











