5 de Outubro de 2017, segunda e última corrida da Feira de Outubro
Praça de Toiros Palha Blanco, Vila Franca de Xira
Cavaleiros Ana Batista e Francisco Palha
Matadores Nuno Casquinha e Juan Leal
Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, Cabo Ricardo Castelo
Ganadarias :Passanha, Murteira Grave e Pontes Dias
Poucas coisas piores poderiam ter acontecido na quente tarde do 5 de outubro de 2017.
Para a empresa foi seguramente uma tarde não para esquecer, mas para tirar muitas ilações; para os intervenientes uma tarde sem história e para o público que enchia um terço das bancadas, uma tarde bem condizente com a data, revolucionária.
Uma corrida marcada para as 17h, teve início às 18h15, uma corrida com as ganadarias anunciadas de Passanha e Santa Maria, saíram ao ruedo touros de Passanha, Murteira Grave e Pontes Dias, uma corrida em que se viram mais aficionados e pedir o reembolso do montante dos bilhetes do que a comprar bilhetes, poderia correr pior? Ainda podia, uma colhida arrepiante a um Forcado, num momento em que o choque e o terror ainda nos estão tão latentes.
A corrida abriu com um touro Passanha anovilhado de corpo e comportamento, numa lide a duo pouco conseguida entre Ana Batista e Francisco Palha, alguma desorganização, alguns toques nas montadas e alguma, a suficiente confusão na arena, não se notou muito, é certo, porque os espetadores ainda estavam a serenar os ânimos de hora e um quarto de protestos, assobios, apupos e descontentamento.
Desse touro destaca-se a boa pega de Guilherme Dotti, um jovenzíssimo Forcado vila-franquense e de dinastia, esteve sereno no brinde e no cite, demonstrando maturidade que ainda não tem, nem pode ter e que na reunião ainda mais se revelou, num touro que soltava a cara na reunião, com tendência a descompor o forcado, mas ao que o Guilherme consentiu e permitiu fechar-se no momento certo, para ficar, o touro não trouxe dificuldades ao grupo que ajudou na perfeição. Volta para todos.
O segundo, de Pontes Dias, para pé, um touro compacto, curto, harmónico de pitons, talvez um pouco a menos neste capitulo, foi recebido de joelho fletido por Nuno Casquinha, pelo mesmo bandarilhado com solvência, na muleta tinha pouco recorrido, fica-lhe nas costas no final do muletazo, melhor com a muleta armada, pela direita, um touro com poucas e curtas investidas, mas muita nobreza, apenas e só nobreza, permitiu a Casquinha estar confortável com ele, nos terrenos pesados, e nos pitons, a sua nobreza concedia estes privilégios. Volta para o matador.
O terceiro, Pontes Dias, mais bem feito que o antecessor, colorado, pitons para investir, revelou-se brusco e bruto desde a receção de capote de Juan Leal, que se apresentava em VFX. Na muleta soltava a cara, terminava os muletazos com a cara por alto enganchando os trastos e descompondo a faena. Saludos desde o burladero para Juan Leal.
Intervalo, numa corrida que já ia com um atraso de hora e um quarto…
O quarto a sair à arena, um Murteira Grave de meter respeito, grande, hondo e pesado, animal com mobilidade e perigo, emparelhando-se e adiantando-se a Ana Batista, um touro que pedia um lidador de barba rija, Ana não lhe ficou a dever nada, esteve sempre disposta, cravou ferros de emoção e aguentou as arrancadas e apertos do oponente, faena esforçada e reconhecida pelo público.
Este touro pedia ajudas firmes e coesas na pega, o Forcado de cara David Moreira fez tudo bem feito, reúne corretamente e aguenta os derrotes secos e violentos para cima, pouco mais poderia ter feito para uma pega espetacular, sai nas tábuas depois de sonoro e assustador estrondo que nos fez temer o pior. Penso que os ajudas se surpreenderam pela acometividade do touro e permitiu que não estivessem tão concentrados. O forcado saiu inanimado e visivelmente mal tratado, oxalá não tenha nada de gravidade, como aliás foi adiantado nos megafones da praça. Foi emendado com categoria e à primeira por Francisco Faria, desta vez sim bem e coesamente ajudado por todo o grupo. Volta para Ana Batista, o ganadeiro Dr. Joaquim Grave, ligeiramente protestada, aplaudiu-se e concedeu-se volta à arena a um touro que na minha opinião não foi bravo, e penso que na opinião do ganadeiro também não, mobilidade, trapío e transmissão de perigo não são bravura. Faria recusou-se dar volta em respeito ao seu colega caído.
O quinto, outro Murteira Grave sério, menos cara, mas não lhe foi prejudicial, este sim bravo, transmissor fixo e alegre nos cites, Francisco Palha esteve correto, alguns ferros a esperar, aguentando, trouxeram muita emoção aos tendidos, outros, menos conseguidos pelo risco e exposição, foram trocados por toques nas montadas, os touros bravos incomodam, mas Palha esteve bem e mereceu os aplausos no final. Touro pegado ao segundo intento, no primeiro deveria ter aguentado um pouco mais o que faria com que o touro não o perdesse na reunião, na segunda Vasco Pereira corrigiu-se e fechou-se, com a ajuda dos sete designados, para ficar. Volta para Palha e Faria.
No sexto, Pontes Dias, mais anovilhado em trapío, carita aberta e pouca vontade de investir, muito bem bandarilhado por Casquinha e Pedro Gonçalves, a convite do Matador. Nuno deu-lhe uma lide discreta, dentro das possibilidades, num touro que teve pouca duração e motor, começando melhor pela esquerda e terminando de forma mais aceitável pela direita.
Julgavam que os males tinham acabado?! Pois ainda havia tempo para mais. O touro de Pontes Dias invalidou-se por falta de força e foi para trás e daria lugar ao sobrero, se o houvesse previsto, “arranjado”, seja lá o que isso queira dizer, num touro para lide a pé, e devidamente anunciada a ganadaria e identificação do animal.
Nada disso, precisamente o contrário, reboliço na trincheira, mais 30 minutos de tempo morto, mais protestos. Finalmente sai ao ruedo um touro Passanha, cego de uma vista, grande, sério e poderoso, que se metia por dentro, por não ver, coitado, mas muito incómodo para Leal, desta lide apenas podemos ficar com a disposição, entrega e pundonor do toureiro francês, que sem prejuízo de todos os contras, se pôs com o Passanha como se de um doce se tratasse, em troca recebeu uma tremenda voltareta, que não passou afortunadamente disso. Volta para Leal. Este touro foi muito bem bandarilhado, o que não se afigurava tarefa fácil e muito menos desejada, por João Pedro “Açoriano” e João Oliveira.
Assim terminou mais uma feira de outubro em VFX, tarde de MUITOS, calor, polémica, perigo, espera e protestos.
Se algo podia correr mal, correu mesmo, do princípio ao fim. Melhores dias virão.











