Feira de São Mateus, 22 de Setembro de 2018 – Grande Corrida de Toiros do Jornal Olé!
4 Cavaleiros:
Paulo Caetano
Joaquim Bastinhas
João Moura Caetano
Marcos Bastinhas
2 Grupos de Forcados:
GFA de Évora
GFA Académicos de Elvas
Toiros:
2 Paulo Caetano
4 Rodolfo André Proença
A tradicional corrida de toiros da feira de São Mateus teve um ambiente fantástico, com casa esgotada. Os 6500 lugares do Coliseu Comendador Rondão Almeida não chegaram para todos os que queriam ver o reaparecimento de Joaquim Bastinhas na sua terra natal.
O cartel era especial, com dois cavaleiros (os mais veteranos) a tourear apenas um toiro cada da ganadaria Paulo Caetano, ficando a cargo dos mais jovens cavaleiros a lide aos 4 Rodolfo André Proença. A ordem de lide foi também alterada, com uma primeira parte com Paulo Caetano, Marcos Bastinhas e João Moura Caetano e iniciando a 2ª parte Joaquim Bastinhas, toureando depois João Moura Caetano o quinto e Marcos Bastinhas o sexto.
Abriu praça Paulo Caetano, cavaleiro já retirado que também quis fazer parte desta noite, pela amizade e admiração que tem por Joaquim Bastinhas, tendo sido a sua presença mais um forte atrativo para esta noite. Brindou a lide ao seu amigo e colega de profissão, chamando-o ao centro da arena, num bonito gesto que originou um dos grandes aplausos da noite. Teve pela frente um toiro da sua ganadaria, com boas condições de lide e bordou um toureio clássico e templado, com bons ferros e sortes bem rematadas, mostrando mais uma vez o porquê de ter sido um dos grandes toureiros portugueses das últimas décadas.
O primeiro de Marcos Bastinhas era o toiro mais rematado da corrida, um Proença com 560kg e bem armado. O cavaleiro conseguiu uma lide correta com bons ferros e boas reuniões, mantendo sempre o público consigo e terminando com um bom par de bandarilhas.
João Moura Caetano é um toureiro de ferros de emoção, a sua imagem de marca são ferros de praça a praça e com batidas ao pitón contrário no momento da reunião, mas nem todos os toiros permitem esse toureio. O seu primeiro Proença não foi bravo e não tinha transmissão nas reuniões, não permitindo ao cavaleiro tourear a gosto e a lide não resultou como queria, com algumas passagens em falso, acabando no final por não dar volta.
A segunda parte começou com o maestro Joaquim Bastinhas, num momento muito especial, pois foi a sua primeira actuação em Elvas, após o grave acidente sofrido em 2015. Cheio de valor iniciou função recebendo o toiro de Paulo Caetano à porta dos curros, levando o toiro sempre na sua garupa e dobrando-se depois de forma magnifica, acabando por parar o toiro no centro da arena, sob o maior aplauso da noite. A lide continuou extraordinária com ferros compridos bem executados ao som do novo pasodoble que a Banda do Samouco lhe brindou e uma série de curtos também de grande valor frente ao melhor toiro da corrida, um Paulo Caetano bravo e encastado. No final da lide, cravou um par de bandarilhas e desmontou-se depois no centro da arena para receber uma enorme ovação. No final, duas voltas à praça numa noite que o cavaleiro de Elvas não irá esquecer, com um grande triunfo mais que merecido, de mais um toureiro que nos deu um grande exemplo de dedicação e superação, mostrando uma força e uma garra do outro mundo. Parabéns Maestro!
João Moura Caetano teve a difícil tarefa de entrar em praça após tão emotivo momento. Realizou uma lide regular com correta colocação, tendo já no final da lide a infelicidade de ser colhido, ficando o cavalo com uma pata traseira pendurada do pitón vários metros, mas felizmente sem gravidade.
A fechar a corrida Marcos Bastinhas teve mais uma boa lide, ritmada e com sortes bem executadas. Bons ferros e boa brega, destacando-se um brilhante recorte em tábuas, muito apertado, que foi um dos momentos da noite.
Nas pegas a noite não foi dura e ambos grupos estiveram à altura, pegando os 2 toiros de Paulo Caetano à 2ª tentativa e os 4 Rodolfo André Proença à 1ª tentativa.
Pelos Amadores de Évora, abriu praça José Maria Caeiro que citou bem, mas não se conseguiu fechar na 1ª tentativa, tendo feito uma rija pega ao segundo intento, com uma grande primeira ajuda de Francisco Sequeira.
Miguel Direito esteve muito seguro no 4º toiro da noite e realizou uma boa pega à 1ª tentativa. Citou calmo, soube mandar no toiro e conseguiu uma boa reunião, fechando-se com garra.
A fechar a noite pelo grupo de Évora também à 1ª tentativa, pegou António Torres, que viu o toiro arrancar de largo, fixou-lhe bem a investida terminando a pega com o grupo coeso a fechar bem.
Pelos Amadores Académicos de Elvas abriu praça António Machado com um cite sereno e pausado. Apesar de não ter reunido da melhor forma, fechou-se bem e realizou uma boa pega à 1ª tentativa.
André Bandeiras em noite de despedida, pegou à 2ª tentativa. Na 1ª não se conseguiu fechar de pernas e saiu no primeiro derrote, tendo feito uma boa pega à 2ª tentativa com destaque para a boa primeira ajuda do cabo Luis Machado.
A fechar a corrida, o experiente Gonçalo Machado pegou à 1ª tentativa com o toiro a arrancar de largo e o forcado a aguentar a investida e a fechar-se com garra, bem ajudado pelo grupo.
Foi uma grande noite de toiros, emotiva e com uma moldura humana fantástica. O grande triunfador da noite foi Joaquim Bastinhas, destacando-se também Paulo Caetano e os dois toiros da sua ganadaria. Foi a única noite que o Coliseu Comendador Rondão Almeida abriu as portas em 2018 e teve uma enorme adesão. Elvas é terra de toureiros, forcados e tem uma praça de toiros com grandes condições, tendo todos os ingredientes para contar com mais espetáculos. Esperamos assim ver em 2019 mais toiros nesta Cidade Fronteiriça.
Foto Emilio Jesus










