Vila Franca, 30 abril | Entrevista a Ana Batista

No próximo dia 30 de abril, sábado, celebra-se a primeira corrida da II Feira do Toiro, na Palha Blanco, onde Ana Batista é a cavaleira que abrirá praça.

 

TN: A Ana é já uma cavaleira consagrada no nosso mundo taurino e em 2020 celebrou já 20 anos de alternativa. Como tem sido este seu percurso na tauromaquia?

AB: A minha vida tem sido o toureio e o toureio é a paixão da minha vida. Dedico-me inteiramente à minha profissão, que sendo uma profissão exigente, obriga-me a uma enorme entrega, porque uma quadra não se faz de um dia para o outro; e estes 20 anos que levo de alternativa estão marcados por várias fases e vários cavalos. No conjunto, houve dias em que alcancei os meus objectivos, aquilo com que sonhei, e outros em que ficaram “arestas por limar”; mas sempre dei o meu melhor, sempre tentei superar-me e todo o carinho que ainda hoje recebo do público é extremamente reconfortante.

 

TN: Os toiros a serem lidados no próximo sábado são da ganadaria Fernandes de Castro e as suas fotografias foram já publicadas. Sabendo que os toiros só em praça é que mostram o que realmente levam dentro, pelas fotografias, tem algum “preferido”?

AB: A ganadaria de Fernandes de Castro é uma ganadaria exigente, que nos obriga a ter a cabeça a funcionar dentro da arena, mas lembro-me de Castros que proporcionaram triunfos a colegas meus. Sinceramente, não tenho por hábito olhar muito para as fotografias dos toiros que estão anunciados para as minhas corridas; mas já que me pergunta, acho que há três ou quatro toiros com bom tipo, mas para mim o mais bonito é o n.º 151, um toiro sério e bem feito.

 

TN: Ninguém pode dizer que a Ana vira a cara aos desafios e esta corrida, dia 30 de abril em Vila Franca, é mais um grande desafio na sua carreira. Como se vive a preparação e mentalização para estas corridas ditas “mais duras”?

AB: Ao longo destes 20 anos de alternativa nunca neguei tourear nenhuma ganadaria. Como deve calcular, os desafios assumidos por mim já foram muitos, desde as ganadarias portuguesas apelidadas de “mais duras” até a ganadarias espanholas, como aconteceu com a de Partido de Resina e de Miura quando se apresentaram em Portugal. A preparação tem que ser semelhante, porque todas as tardes são importantes; mas é normal que na semana anterior se intensifique mais os treinos e que se toureie mais vacas. Quanto há mentalização acho que é importante acreditarmos em nós próprios, acreditarmos na nossa quadra e não nos deixarmos influenciar pela pressão.

  

TN: Finalmente, como última pergunta, que mensagem deixa aos aficionados para que se desloquem a Vila Franca para esta primeira corrida da II Feira do Toiro? 

AB: Vila Franca é uma praça exigente, mas com uma afición que sabe valorizar de verdade o que vê na arena. Este ano sinto-me privilegiada por estar anunciada para a Palha Blanco, para mais quando a empresa decidiu homenagear o Sr. Fernando Palha, uma pessoa de quem guardo as melhores recordações, que sempre teve para comigo uma palavra de apoio, uma palavra de apreço. É uma daquelas pessoas que nos ficam guardadas no coração.

 

Obrigada pela disponibilidade e toda a sorte para mais este desafio, a 30 de abril na Palha Blanco.

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