E tudo a chuva mudou

Crónica

Redondo 10 de Março de 2018
IX Festival da Rádio Campanário
Lotação Esgotada

Qualquer semelhança com o título do célebre romance “E tudo o vento levou” de Victor Fleming é pura coincidência.
Se há três semanas vivíamos uma situação de seca extrema que nos desesperava, eis que a Mãe Natureza renova esperanças com a tão desejada chuva.

É com essa mesma renovada esperança que vemos a temporada taurina de 2018 ganhar forma com uma casa esgotada provavelmente fruto do cartel bem montado com aliciantes de sobra.

O já habitual local do Festival da Rádio Campanário também mudou de Vila Viçosa para a bonita e moderna Praça da Vila de Redondo que proporciona um espectáculo cómodo neste tempo invernoso.

Nesta tarde em que seis cavaleiros se perfilaram para lidar um curro de Novilhos-Toiros da Casa Prudêncio com justa apresentação e trapio inferior ao desejado para a seriedade do cartel do festival o timbre foi a mansidão por vezes encastada das reses bravas.
Abriu praça o Maestro da Torrinha, António Ribeiro Telles que no cavalo Favorito de ferro Brito Paes deixou dois compridos e dois curtos de boa nota no novilho que lhe tocou em sorte. Foi ainda buscar o cavalo Sebastião de ferro Simões Coelho para deixar mais dois curtos com que terminou a sua actuação.

Abriu o capítulo das pegas o GFA Évora por intermédio de José Maria Caeiro que brindou ao público.
Na primeira tentativa o novilho ensarilhou, na segunda deixou um ajuda inanimado na arena e já na terceira consumou-se a pega com o novilho a afocinhar no chão.
Deu volta António Telles acompanhado da sua quadrilha ao som de música.

Rui Fernandes saiu à arena redondense e cravou dois ferros compridos levando forte toque na montada no segundo. Iniciou os ferros curtos montando o El Dorado ferro Inácio Ramos com ladeares a galope, deparando-se com um novilho com pouca codícia. De praça-a-praça colocou o primeiro curto, seguindo-se mais dois, lidando em galope ladeado e batidas ao píton contrário.
Foi buscar o cavalo Artista para  deixar um curto no centro da praça muito aplaudido a que se seguiu outro igual sendo violentamente tocado valendo a pouca força do novilho.

Pegou pelo GFA Redondo Daniel Silva á quarta tentativa de sesgo e com ajudas carregadas não tendo reunido da melhor forma nas três tentativas anteriores.
Volta para Rui Fernandes acompanhado da sua quadrilha.

Diego Ventura em plano de figura veio mostrar porque ascendeu a esse patamar dos privilegiados.
Calhou-lhe um novilho manso, fechado em tábuas mas Ventura não lhe virou a cara e tirou-lhe as investidas que este não tinha. Montado no Guadalquivir de seu ferro brindou á directora da Radio Campanário e colocou dois compridos de boa nota. Foi buscar o Fino também de seu ferro para iniciar a ferragem curta e “armou o taco”.
Ventura, lidador nato, foi á luta com a garra que se lhe conhece e no terceiro curto com o novilho fechado em tábuas meteu a praça de pé após a colocação do ferro.
Já no segundo de praça-a-praça tinha preparado o terreno do triunfo, no quarto com a montada a recuar na cara do astado provocou e ensinou o Prudêncio a investir como parecia não ser possível. Fechou com chave de ouro ao quinto curto deixando a praça em alvoroço e apeando-se do cavalo.

Pegou Évora por Afonso Mata após brinde também á directora da rádio organizadora ao terceiro intento com boa primeira ajuda de Marco Marques. Na primeira tentativa o novilho fechado em tábuas havia saído com pata e na segunda a reunião não foi a melhor .

Ventura deu sozinho duas voltas ao Coliseu Redondense bastante aplaudido ao som de música.

Seguiu a ordem Filipe Gonçalves que não teve sorte no sorteio e não entendeu da melhor forma o manso que lhe calhou. Montado no Favorito ferro Arsénio Cordeiro deixou dois compridos para depois ir buscar o baio Universo de seu ferro para os curtos. Com o novilho solto e algo distraído sofreu forte toque ao tentar executar ferro de câmbio pois o novilho esperou-o e não correspondeu ao engano. Manteve o registo de sortes cambiadas e ao executar o terceiro curto foi novamente colhido. Mudou de montada para o Chanel também ferro Arsénio Cordeiro e de praça-a-praça procurou emendar a tendência dos câmbios e corrigir a investida ao oponente. Os remates com piruetas após três curtos para tentar chegar ao público não foram suficientes para apagar da história da lide os vários toques consecutivos.Foi ainda buscar o cavalo Xique de ferro Caetano que “bate palmas” para animar a plateia que correspondeu timidamente ao número.Ferro de violino e um de palmo a encerrar a lide.Total de sete ferros curtos e um de palmo o que nos pareceu excessivo.

Pega do GFA Redondo por João Calado á terceira tentativa, mal ajudado, o que destapou o forcado da cara e deixou o novilho derrotar até se fechar a pega.
Volta para cavaleiro e forcado

Para lidar o quinto da tarde João Moura Jr saiu á arena montado no Guapo de ferro Rafael Arcos para deixar dois ferros em sortes redondas.
Já no Goya de ferro Vale Lameira e com o novilho a “barbear tábuas” e revelar mansidão colocou dois curtos de sortes bem desenhadas.
Foi ainda buscar o poderoso Xeque-mate de ferro Romão Tenório para tomar conta do novilho indo ao seu encontro junto a tábuas nos terrenos da porta dos curros.Recorreu a sortes a sesgo tentando mudar os terrenos ao oponente que dificilmente acedeu, deixando mais dois curtos e um ferro de palmo.
Lide esforçada mas que resultou discreta a de Moura Jr.

Pegou o Grupo Eborense por intermédio de Miguel Direito, tendo brindado ao Maestro João Moura.
Na primeira tentativa o forcado não recuou mas á segunda consumou com uma reunião segura.
Volta para cavaleiro e forcado.

Para fechar a tarde Mara Pimenta, aluna de Diego Ventura montando a égua palomina Faena de ferro Romão Tavares brindou á mãe do seu mestre.
Muito auxiliada pela quadrilha deixou três compridos, não logrando partir corretamente o segundo.
Para os curtos saiu no Vigari de ferro Juan Munera e com garra mas pouco domínio deixou 5 ferros levando fortes toques no primeiro e terceiro.
O arranjo das montadas de Mara é evidente mas o seu toureio necessita de aperfeiçoamento para voos mais altos.

Fechou o capítulo das pegas o grupo local por intermédio de Renato Cristo que brindou aos organizadores desta IX edição do Festival da Rádio Campanário para consumar a melhor pega da tarde á primeira tentativa .

Que a lotação esgotada desta tarde seja um prenúncio de grandes espectáculos e melhores resultados artísticos para 2018!

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