São Manços homenageou Joaquim Azeda

Tiago Correia Por Tiago Correia

São Manços homenageou Joaquim Azeda

  • 17 de abril de 2022, São Manços
  • Concurso de Ganadarias, Homenagem a Joaquim Azeda
  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, Marcos Bastinhas e Miguel Moura
  • Forcados: São Manços, antigos e atuais elementos
  • Ganadarias: Branco Núncio, Vale Sorraia, Murteira Grave, Passanha, Passanha Sobral e António Raul Brito Paes
  • Praça Esgotada
  • Direção acertada de Agostinho Borges e do veterinário Matias Guilherme

A castiça praça de toiros José Jacinto Branco abriu pela primeira vez as portas na temporada 2022 para um concurso de ganadarias cujo principal aliciante era a homenagem póstuma ao antigo cabo dos Forcados de São Manços, Joaquim Azeda.

A corrida, que contou com lotação esgotada, foi antecedida da inauguração de um busto de Joaquim Azeda junto à estátua dos forcados, em São Manços.

Fizeram as cortesias os cavaleiros Luís Rouxinol, Marcos Bastinhas e Miguel Moura e os Forcados Amadores de São Manços, antigos e atuais, que se encerraram com os seis toiros.

Em primeiro lugar saiu à praça um toiro da Ganadaria Branco Núncio, bem-apresentado, que teve mobilidade, perseguindo a montada com nobreza e talvez com excessiva suavidade, o que retirou emoção à atuação. Luís Rouxinol lidou-o como o toiro pedia, despacio, e montando o Douro alcançou os melhores momentos da sua passagem por São Manços com a brega a duas pistas. Rematou a atuação com um ferro de palmo e um par de bandarilhas. O toiro, pronto a arrancar, foi pegado pelo cabo João Fortunato ao primeiro intento.

Em segundo lugar saiu à arena o astado vindo da Herdade da Galeana. Bem-apresentado, como os restantes toiros saídos hoje à arena, foi bastante reservado, com acentuada crença nas tábuas, dificultando o labor do cavaleiro. Marcos Bastinhas deu a volta ao oponente deixando de forma regular a ferragem da ordem. Terminou a lide com um ferro de violino. Para a pega deste toiro saltou à arena o forcado João Carreta. Depois de duas tentativas em que não se conseguiu fechar, consumou à terceira tentativa numa rija pega.

Miguel Moura entrou em praça e recebeu com uma excelente sorte gaiola, com o toiro a esperar no momento do ferro, acrescendo o mérito da sorte. O toiro de Vale Sorraia foi bastante complicado e, à semelhança do anterior, com crenças, dificultando a lide do cavaleiro de Monforte. Miguel Moura realizou uma lide correta, deixando a ferragem da ordem com bastante mérito, sendo que pouco mais era possível fazer dadas as condições do oponente. Pedro Fonseca viu o toiro arrancar pronto e fechou-se com decisão ao primeiro intento.

Transposto o equador do festejo, regressou à arena Luís Rouxinol, em ano de comemoração dos 35 anos de alternativa, para lidar o toiro da Ganadaria António Raul Brito Paes. O toiro foi a mais com o decorrer da função, acabando no entanto por não romper. Luís Rouxinol andou regular com ele, ficando uns furos abaixo da sua prestação anterior. Terminou a lide com um bom par de bandarilhas. Manuel Trindade foi o encarregue de pegar este quarto toiro da tarde, citando com temple e a recuar no tempo certo, concretizando uma boa pega ao primeiro intento.

O toiro de Passanha Sobral que saiu em quinto lugar viu a sua prestação, à semelhança dos restantes, condicionada pelo péssimo estado do piso da praça. Não sendo um toiro bravo, transmitiu e perseguiu o cavalo, deixando na ideia que poderia ter potenciado doutra forma as suas capacidades com outro piso. Marcos Bastinhas esteve alegre e comunicativo com as bancadas, destacando-se positivamente nos ferros curtos com batida ao piton contrário, destacando-se o quarto. Terminou com um par de bandarilhas à passagem pelo corredor. Pedro Oliveira consumou à segunda tentativa a pega a um toiro que foi tardo a arrancar.

Em último lugar saiu o melhor toiro da corrida, o da Ganadaria Passanha, que foi vencedor de ambos os prémios em disputa, de apresentação e bravura. Perseguiu o cavalo durante toda a lide com nobreza na medida certa, cumpriu de boa maneira. Miguel Moura veio com ganas e demonstrou isso mesmo no excelente primeiro curto com batida ao piton contrário, de excelente efeito. Pena que a sua montada tenha saído lesionada. Trocou de montada e prosseguiu a lide dando primazia à brega a duas pistas, à Moura, que foi bastante do agrado do público. Fechou a tarde de triunfo dos Amadores de São Manços o forcado Pedro Pontes, que concretizou uma boa pega ao primeiro intento.

Nota negativa para o piso da praça que dificultou bastante os desempenhos dos intervenientes.

Durante o intervalo foi tirada a fotografia de família do Grupo de Forcados Amadores de São Manços. Aplaudo a presença na arena do fotógrafo António Cecílio, o fotógrafo taurino mais antigo em atividade no nosso país que, com os seus 87 anos, nos brinda com a sua presença nas nossas praças.

Foi uma tarde bonita de homenagem a um senhor bastante acarinhado no seio do seu grupo e na terra que representou envergando a jaqueta do Grupo de São Manços.

A corrida foi dirigida por Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme.

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