São Cristóvão,“Aldeia branca e acolhedora sorrindo a cada instante”, numa noite de toiros

São Cristóvão,“Aldeia branca e acolhedora sorrindo a cada instante”, numa noite de toiros
  • São Cristóvão, 16 de julho de 2022
  • Cavaleiros: João Ribeiro Telles, Luís Rouxinol Jr., Paco Velásquez e Tristão Ribeiro Telles
  • Forcados: Montemor e Coruche
  • Ganadaria: Passanha
  • Direção de Agostinho Borges, assessorado por Feliciano Reis
  • Lotação: Casa cheia

São Cristóvão, a meio caminho entre Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal, é uma aldeia no mar da planície alentejana a caminho das praias e aficionada quanto baste. Ontem, 16 de Julho foi realizada a sua XXXII corrida de toiros integrada na sua Festa Anual em honra do Santo Padroeiro. Esta aldeia fica situada no concelho de Montemor e se de Montemor se diz que é Praça Cheia, ontem São Cristóvão não foi menos. Grande ambiente, boa noite de toiros e as gentes a darem por bem empregue o tempo passado na corrida de toiros. Se é na praça onde a categoria dos toureiros é medida e cimentada, São Cristóvão ontem foi uma Monumental, todos vieram a por todas e quiseram levar o triunfo para casa e nenhum dos artistas decepcionou.

Foram lidados seis toiros da ganadaria Passanha, primeiro, segundo, quinto e sexto de cinco anos. Terceiro e quarto da era do oito. Bem apresentados na generalidade, gordos e com bom tipo. Sendo para mim o que fechou praça um tanto quanto fechado de cara… Quanto ao comportamento, bom e nobre o primeiro; O segundo também foi um toiro com qualidade; Terceiro encastado e bravo. Quarto com mobilidade, mas menos humilhado que os irmãos; Com querença em tábuas o quinto mas com um bom fundo de nobreza; O sexto foi o que menos gostei dos seis, veio a menos e acabou por nunca se empregar.

 

João Ribeiro Telles abriu a noite com uma boa lide, o segundo comprido e sucessivo remate foram dos bons, levando o toiro embebido nas sedas do cavalo depois de cravar. Nos curtos a lide teve ritmo, aproveitou as qualidades do oponente e tapou o defeito de ser um tanto ou quanto mal visto, coisa que não o impediu de brilhar. Citou de largo no segundo e terceiro curtos, encurtando os terrenos, cravando dois bons ferros. Esteve bem a lidar, escolhendo os terrenos adequados para desenvolver esta bonita actuação. Rematou a lide com um bom palmo, superiormente rematado em curto e em redondo, o público vibrou de forma entusiasta com este momento da actuação do João.

Com o quinto veio a lide, sim a lide! Porque se o que abriu praça possivelmente foi o melhor para se tourear, este quinto pediu saber, profissionalismo, toureria, raça e muito querer. Tudo isto se viu do João, dois bons compridos e aí o Passanha disse que os seus terrenos eram os de tábuas. O cavaleiro contrariou o que o seu oponente que queria e quase que o acabou por convencer a não ter querenças… Grande lide, fez o que parecia impensável! Grande série de curtos, a embeber o toiro no cavalo, não o deixando pensar muito, partindo recto e cravando bons ferros, rematado de forma toureira. Rematou a lide com seu cavalo preto, num ferro que fez vibrar as bancadas pela espectacularidade que imprime a esta sua sorte. Esta lide do João foi como convencer alguém que não tem fé. Paradigma das coisas e foi em São Cristóvão, parece que o dito Santo no início da sua vida também não era muito crente tal qual como o toiro que não estava muito convencido em ser dos bravos. Mas teve um cavaleiro de uma superioridade avassaladora, com uma capacidade de decifrar as interrogantes que o toiro lhe pôs, minimizá-las a ponto de conseguir sim ou sim.

 

Luís Rouxinol Jr. foi o encarregado de lidar segundo e sexto, já que os praticantes Paco Velásquez e Tristão Guedes de Queiroz lidaram terceiro e quarto. E o Luís veio a até esta bonita aldeia Alentejana triunfar. No primeiro do seu lote a lide teve ritmo, bom toureio, raça e bom gosto. Recebeu o Passanha de forma toureira, num palmo de terreno, o toiro correspondeu e cravou compridos de seguida, de grande nota o segundo. A série de curtos foi concisa e de boa nota, primeiro, terceiro e quarto foram dos bons, entrando nos terrenos do toiro e cravando de alto a baixo com garbo. Rematando os mesmos de maneira bonita. Rematou a lide com um palmo empolgante de frente, entusiasmando e de que maneira os presentes.

O que fechou praça foi um toiro que se foi agarrando ao piso com o decorrer da lide Rouxinol, este problema foi resolvido pisando terrenos comprometidos porque só ali surgiram as acometidas do toiro. Dois bons compridos de boa nota, sem castigar muito o oponente, foram o prelúdio de uma lide variada e empolgante. Esta lide foi um bom exemplo da raça, do inconformismo, ambição e do carácter de Rouxinol Jr. Deu a volta a um toiro cambiante, que pedia tudo muito bem feito, e quando tinha o cavalo ao seu alcance não perdoava. Destaque para um superior quarto ferro curto e para o remate da lide um bom palmo e uma par de bandarilhas a que o público respondeu com fortes ovações.

 

O cavaleiro Paco Velásquez teve por diante um bravo Passanha, toiro de acometidas de frente empolgantes, carregando depois dos ferros com raça. O cavaleiro dos Riachos teve uma atuação variada e que agradou aos presentes. Bom o segundo comprido e bom foi também o bonito remate deste ferro. Nos curtos mostrou conceito de lide, escolheu bem os terrenos do toiro e deu vantagens ao bravo Passanha, cravando os ferros a preceito. Tentou sempre rematar os mesmos de forma toureira, tanto em ladeios ou por dentro. Destaque para o primeiro curto e para o com que fechou a sua actuação, grande ferro, desde a preparação até ao remate.

 

Tristão Guedes de Queiroz era o outro praticante do cartel, cavaleiro que chega com facilidade às bancadas mas que ontem só o vi totalmente solto e à Tristão de meia lide para diante. É verdade que abriu a lide com dois bons compridos, cravados de frente, a deixar vir o toiro e rematados a preceito mas só nos terceiro e quarto curtos, este um grande ferro se soltou verdadeiramente, partido mais devagar para o toiro, fazendo bem a sorte e cravando de alto a baixo e ao estribo. E tal não foi, que acabou a lide com uma ovação de luxo depois de cravar um violino arrebatador em que mostrou a sua raça e alma toureira.

 

São Cristóvão é terra de Forcados e muitos do grupo de Montemor, muita Família e amigos a marcar presença como é habitual nesta data celebre já do calendário taurino português. Em praça como não podia deixar de ser os de Montemor e os vizinhos de Coruche.

Abriu a noite João Calisto pelos de Montemor, pega com muitos quês e porquês, só a vontade deste forcado o fez lá ficar. O toiro perdia o objecto a certas distâncias o que é uma dificuldade acrescida para a pega. Teve que lhe entrar nos terrenos logo de início, o oponente saiu meio decomposto coisa que dificultou a reunião, quando sentiu o forcado na cara derrotou e sacudiu, mudando a trajetória para o local de onde tinha sido citado mas o João com uma grande alma quis concretizar a pega e assim foi à primeira tentativa com o grupo a ter que entrar se se pode dizer ainda mais rápido e coeso a ajudar.

Luís Vacas de Almeida à terceira tentativa, toiro bravo de investida forte, rápida e dura no momento da reunião, o cara nas duas primeiras tentativas não de conseguiu fechar, à terceira deu o Passanha por vencido numa boa pega com o grupo a ajudar bem.

Miguel Sampayo Ribeiro à segunda tentativa fez a pega da noite. Na primeira tentativa o toiro derrotou muito violento não se conseguindo fechar o cara. Na segunda, o Miguel bem a citar, recuar, para se fechar de braços, suportou um par de derrotes fortes mas sua vontade não o fizeram sair, bem o grupo a ajudar.

 

Pelos Amadores de Coruche abriu a noite, Tiago Pata à terceira tentativa, o forcado nas duas primeiras não recuou o suficiente sendo derrotado pelo Passanha. Na terceira tentativa já com as ajudas mais carregadas concretizou a sorte.

Gonçalo Mesquita pegou o quarto da noite numa boa pega à primeira tentativa, bem o cara e o grupo.

David Canejo num toiro muito fechado de cara e bruto no momento da reunião, dificultado a labor do cara e do grupo. Resolveu o problema a sesgo à quarta tentativa.

 

Dirigiu a corrida Agostinho Borges, sendo o médico veterinário Feliciano Reis.

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