Profeta em sua terra

Por Bernardo Salgueiro Patinhas

Profeta em sua terra

  • Mourão, 5 de fevereiro de 2022
  • II Festival da Feira de Nossa Senhora das Candeias
  • Ganadaria: Murteira Grave
  • Cavaleiros: Andrés Romero | João Salgueiro da Costa
  • Matadores: Álvaro Lorenzo | David de Miranda | Diego Carretero | João Silva, Juanito
  • Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo, capitaneados pelo Exmo. Senhor António Pena Monteiro.
  • Direção, acertada, do Sr. Agostinho Borges, assistido pelo Dr. Matias Guilherme.
  • Praça esgotada.

A Sra. Das Candeias voltou a sorrir para o segundo e último festival da mini-feira taurina por Sua ocasião, o dia de sol, temperatura amena e muita vontade de ver touros, fizeram com que os terrenos vizinhos da praça muito cedo se enchessem de aficionados, munidos dos seus farnéis e boa disposição, para, devidamente satisfeitos, poderem desfrutar de bom toureio.

Da Galeana veio uma novilhada bem feita, com peso e medida para a ocasião, desigual de hechuras, pelo facto de haver toureio a cavalo e a pé, mas muito uniforme nos comportamentos, sem desiludir, com destaque para o quinto, de a pé, com mais transmissão.

Abriu o festival o rejoneador Andrés Romero, com um toureio vistoso, repleto de fantasia e variedade, tendo pela frente um oponente que respondia mas não rompia para o êxito necessário, sofreu também com o facto de ser o primeiro da tarde e estar o público ainda muito inquieto.

Este astado foi pegado à primeira tentativa, com o silêncio do público, pelos Amadores de Montemor, que se apresentou com toda a juventude, através de Manuel Carvalho e bem ajudado pelos restantes elementos.

Volta para ambos.

O segundo novilho saiu justito de força, mas com ritmo e suavidade, nobre e deu uma boa lide ao João Salgueiro da Costa, correto nos terrenos, ferragens e remates.

Foi pegado pelos “jovens” Amadores de Montemor, com Miguel Sampaio Ribeiro na cara, à segunda, porque na primeira e fruto da juventude de ambos, novilho e forcado, desencontraram-se.

Volta para ambos.

O terceiro, burraco, cornicurto e bem feito, foi bravo e enraçado mas que nunca se chegou a “entender” com Álvaro Lorenzo, tandas curtas e faltando finais, melhor no recibo de capote.

Volta

O quarto saiu movendo-se mas sem mais do que isso, De Miranda tentou sacar e aproveitar o que havia, tendo-o feito com profissionalismo e sitio.

Volta.

O quinto, o novilho da tarde, maior e mais toiro, saiu bravo, com mobilidade e permitiu um par de séries pelo lado esquerdo de muita qualidade e que Carretero aproveitou, tendo faltado quiçá algo por tourear e explorar, sobretudo pelo lado esquerdo.

Volta.

Fechou a tarde o único matador português anunciado na tarde e indiscutível triunfador, com entrega, valor, variedade e criatividade, desde o recibo, de capote com mãos baixas e muita toreria, depois na muleta, espremendo todo o sumo que havia no novilho, curto nas investidas, mas que não impediu Juanito de triunfar, muita disposição e quando não investia, Juanito “empurrava” e sacava passes de improviso e criatividade.

Volta em ombros e com aclamação de “toureiro toureiro”.

Juanito voltou a ser profeta na sua terra, e deixou uma mensagem muito clara para as empresas espanholas, está pronto para tudo.

Porque a minha posição de cronista me obriga a fazer isso mesmo, relatar, afastando-me o mais possível de juízos de valor, terei que cronicar que a intolerância, extremismo, fundamentalismo, desrespeito e desordem ainda saltaram à arena, mas foram rapidamente vencidos pela afición, pela tolerância, e pelo amor, sobretudo amor, que nos fez esgotar Mourão, pura e simplesmente por amor à Tauromaquia.

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