Orgulho português

Crónica

Realizou-se na Plaza de Toros de Don Benito, em Espanha, uma corrida mista neste que é o Dia de Extremadura. Lotação bem preenchida dentro das limitações impostas pela pandemia para ver o rejoneador Diego Ventura e os matadores de toiros Miguel Ángel Perera, Ginés Marin e Juanito. Lidaram-se dois toiros de Maria Guiomar Cortes de Moura a cavalo e de José Luís Iniesta a pé.

Os toiros da Ganadaria Maria Guiomar Cortes de Moura, destinados à lide a cavalo foram dispares de apresentação, o segundo mais rematado que o primeiro. Quanto ao comportamento, destacou-se pela positiva o primeiro, mais colaborante, a perseguir o cavalo com muita nobreza. A ambos os astados faltou transmissão. O ganadero Armando João Moura deu volta ao ruedo no final da lide do segundo toiro.

Com tal matéria-prima se deparou Diego Ventura, que realizou duas faenas de imenso valor. Na primeira, esteve bem desde o primeiro tércio, recriando-se a duas pistas no tércio de saída. Na fase de curtos a faena foi de temple e muita classe, destacando-se os últimos dois ferros montando o cavalo Lío. Rematou a atuação com três palmos e 1 par de bandarilhas de bom efeito. Matou de rojão inteiro e cortou duas orelhas. No segundo do seu lote, toiro mais complicado, Diego Ventura teve que se entregar e pôr tudo de si. Lide a vir a mais, atingindo muito bom plano quando montou os cavalos Sueño e Bronce e, com este último, cravou um excelente ferro sem cabeçada. Rematou com três ferros de palmo, dois deles em sorte violino. Matou mais uma vez de rojão certeiro e cortou os máximos troféus, duas orelhas e rabo.

Na parte apeada da corrida lidaram-se seis toiros de José Luís Iniesta, bem-apresentados, e a cumprirem na generalidade, com destaque positivo para o quarto da corrida, lidado por Juanito, que foi premiado com indulto.

Miguel Ángel Perera lidou o segundo toiro da corrida. Após um discreto tércio de capote, a faena foi de menos a mais. Com a muleta, lidou por séries em redondo, alternando séries por ambos os pitóns. Rematou com manoletinas. Pinchou e matou em seguida com uma estocada inteira que pecou pela colocação. Foi ovacionado após petição. Ao segundo do seu lote, quinto da corrida, realizou uma faena muito para os tendidos, baseada na técnica e conhecimento dos terrenos do toiro, lidando muito em curto, por circulares. Faena de muita ligação, mas à qual faltou profundidade. Matou de estocada inteira e cortou duas orelhas.

Ginés Marin realizou uma excelente faena diante do primeiro do seu lote. De capote esteve muito bem por verónicas e chicuelinas, rematadas com uma muito boa meia verónica. Na muleta, diante de um toiro distraído e que não humilhou durante a função, realizou uma faena de belíssimo efeito, estando bem pelos dois pitón, entendendo na perfeição o oponente. Rematou com um estoconazo en buen sítio. Cortou duas orelhas. No seu segundo, um toiro mais reservado, Ginés Marin esteve em bom plano, entusiasmando os tendidos. Terminou a faena com bonitas luquesinas. Matou de meia estocada e cortou uma orelha.

O grande triunfador da corrida foi o jovem matador de toiros português João Silva “Juanito”. Enfrentou-se em primeiro lugar com o melhor toiro da corrida, de seu nome Carbonero II. Arrimou-se Juanito de capote, iniciando a função com duas largas afaroladas de rodillas. Seguiu com verónicas a pés juntos rematadas com uma meia verónica de rodillas. Colocou o toiro para o tércio de varas com bonitas chicuelinas al paso. Seguiu-se um quite por saltilleras que rematou um excelente tércio de capote. Na muleta, começou novamente de rodillas com um passe cambiado por la espalda, seguido de uma série por derechazos, rematada com um passe de peito. Toda a faena foi fenomenal, pureza, sentimento, arte e emoção, todas estas virtudes reunidas num faenón do jovem matador português. Para tal, muito colaborou o excelente comportamento do toiro de José Luís Iniesta. Terminou a faena com uma excelente série por bernardinas, a terceira delas de parar corações, ao alcance dos predestinados. O público pediu o indulto e a presidência concedeu. Juanito foi premiado com duas orelhas e rabo simbólicos. O último toiro da corrida foi o mais complicado do curro. Juanito esteve discreto com o capote. Com a flanela rubra realizou uma faena de mando, verdade e muita técnica, para sacar tudo o que o toiro de bom podia dar. Faena muito do agrado do público. Matou de estocada inteira efetiva e cortou uma orelha.

No final da corrida, Diego Ventura, Miguel Ángel Perera, Ginés Marin, Juanito e o maioral da Ganadaria José Luís Iniesta saíram triunfalmente a ombros.

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