Ó tempo volta para trás

Crónica

Badajoz, Feria de San Juan, 22.06.2018

1ª de Feira

Pedrito de Portugal,

Israel Lancho

Posada de Maravillas (que substituía Luis David Adame)

Ganadaria: Lagunajanda (procedência El Torero – Salvador Domecq y Díez)

Deveriam ser pouco mais de 2000 as pessoas que timidamente salpicavam as bancadas do Coso de Pardaleras, para assistir à primeira corrida do certame de San Juan de 2018.

Concentradas nos setores de sombra, não fosse o calor pregar uma partida, assistiram a uma corrida de Lagunajanda superiormente apresentada de pesos e hechuras mas sem fundo ou classe, desencastados e débeis, quer pelo calor, quer pelas sortes de varas mal executadas e demasiado castigadoras, touros encelados no peto e mãos pesadas dos varilargueros fizeram com que os touros, na sua maioria, saíssem aplomados e mesmo parados da sorte.

Abriu a corrida Pedrito de Portugal, discreto no recibo de verónica e mais discreto no toureio de muleta, muita colocação e pouca ligação, certo é que o animal não podia, mesmo denotando alguma nobreza, mas os lances eram desligados e a faena não teve continuidade, matou de estocada primeira e depois de algum tempo a dobrar, silêncio.

Ao segundo esperou Israel Lancho de joelhos em terra a porta gaiola, lances de verónica que motivaram a primeira manifestação do público.

Passados os tércios de varas e bandarilhas sem brilhantismo que sobressaísse, Israel rápido se montou num animal parado, melhor pelo piton direito, aliás foi uma constante da tarde, o que havia, tinha que se tirar pelo lado direito. Tandas curtas e arrimadas, com sedutoras miradas ao tendido, que foram premiadas com orelha após estocada certeira.

O terceiro saiu ainda com menos condição, realce para o tércio de bandarilhas, com saludo montera em mano e depois tudo o que restava dentro, rapidamente se esvaziou não dando opções a Posada, silêncio após estocada.

O quarto e segundo de Pedrito, saiu com um piton direito com qualidade, pouco humilhado, numa faena que parecia que arrancaria, com os muletazos de joelho fletido, mas acabaram em nada, estocada e silêncio.

Israel com meia porta grande aberta voltou à porta dos sustos para parar o quinto, fê-lo com desembaraço e soltura, na muleta duas ou três tandas, sempre pela direita, onde melhor passava e menos protestava, depois de um pinchazo e de estocada descaída mas de muito rápido efeito, cortou a segunda orelha e carimbou passaporte para saída em ombros na sua praça.

Posada recebeu o sexto com lances de verónica muito verticais, disposto e capaz de lhe por o que não tinha, as melhores investidas da tarde foram deste sexto, pelo lado direito, faena mais larga que as restantes na tentativa de acompanhar Lancho em ombros nesta oportunidade. Depois de boa estocada cortou duas orelhas e sairia em ombros.

Cantava-o Tony de Matos, mas insiste em não ceder, passa por todos, e na realidade mais um dia, é em rigor menos um dia das nossas vidas. Se ser toureiro é difícil, ser figura é praticamente impossível, e manter a regularidade, seja por tourear pouco, como Posada ou Lancho, ou por tourear quase nada, como Pedrito, torna-se uma missão ingrata, nem os touros a respeitam, nem o público a entende, noutros tempos seria casa cheia, noutros tempos seria diferente.

Ó tempo volta para trás.

Foto Mundotoro

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