O sonho é mais bonito, para lá do Guadiana

 Por Miguel Ortega

O sonho é mais bonito, para lá do Guadiana

  • 16 de abril de 2022, Serpa
  • Dia Taurino (2 festivais)
  • Cavaleiros: Sónia Matias, João Ribeiro Telles, João Salgueiro da Costa, Paco Velasquez e Tristão Telles Queiroz | João Moura, Sónia Matias, Filipe Gonçalves, Manuel Telles Bastos, Francisco F. Núncio e Joaquim Brito Paes
  • Matador: Manuel Dias Gomes
  • Forcados: Vila Franca e Aposento da Moita | Real de Moura, Monsaraz e Beja
  • Ganadarias: Varela Crujo, Passanha, Alves Inácio, Campinas e Mata-o-Demo | Branco Núncio, Joaquim Brito Paes, Herdade de Pégoras, Ascensão Vaz, Alves Inácio e Mata-o-Demo
  • Praça a 1/4 de lotação | 3/4 de lotação
  • Direção com acerto de Agostinho Borges e do veterinário Carlos Santana

 

Ó Serpa de Guadalupe; Das muralhas casas brancas; Dos poetas e pastores; Dos cantes até às tantas; Não se cantam as gargantas; Dos teus filhos a cantar; São preces à Santa Mãe; Ao seu encontro sem par

 

Esta é “uma região,

historicamente discriminada” e com uma tradição de resistência e hoje os aficionados que foram a Serpa mostraram uma resistência infinita… 7 horas a dividir por dois espetáculos, manhã e tarde… Uma coragem para enfrentar a inclemência dos elementos, hoje o calor foi muito. Tem nas suas Festas em Honra à Senhora de Guadalupe um dos seus momentos altos do ano. Passados dois anos voltamos a Serpa aos toiros, usufruir das suas gentes, gastronomia e desta Primavera que aqui ainda canta mais os seus encantos.

Serpa é já ali e o dia no Alentejo é para ser saboreado devagar… E foi casa quase cheia à tarde e uma entrada mais modesta de manhã.

 

Abriu a jornada Sónia Matias diante de um novilho das Campinas distraído, que se tapava no momento do ferro. A cavaleira andou em plano entonado, o segundo curto foi de nota e bonito foi o remate.

Vasco Carvalho pelos de Vila Franca fez uma boa pega à primeira tentativa.

 

João Ribeiro Telles lidou um Passanha cinquenho, com qualidade e a corresponder sempre que solicitado. Bom toiro! O cavaleiro da Torrinha, cravou dois compridos, o segundo de boa nota. Nos curtos a brega teve bonitos pormenores. O terceiro curto e respectivo remate foram toureiros. O ferro com que terminou a actuação teve altos níveis de toureio a cavalo.

João Freitas à segunda tentativa fez uma das grandes pegas deste sábado de Glória em Serpa pelo Aposento da Moita.

 

Bonito foi o Mata-o-Demo, com qualidade e a corresponder sempre ao que lhe foi pedido, nobre e com classe. Bom novilho. Salgueiro aproveitou de cabo a rabo o oponente, bem nos compridos; nos curtos destaque para o grande primeiro e para o soberbo segundo. Bem a rematar as sortes, a lide teve o seu final com um bom palmito.

André Câncio por Vila Franca, realizou aquela que para mim foi melhor de toda a jornada. Bem a receber, mandar, para se fechar com alma.

 

O quarto foi destinado para a lide a pé, tinha o ferro de Varela Crujo, não foi fácil, ficava curto pela esquerda e repunha pela direita. Manuel Dias Gomes recebeu por um ramalhete de verónicas com sabor toureiro, rematadas com meia. Na muleta teve que lhe perder passos para tentar embarcar as investidas do novilho. A disposição valeu, mas a faena acabou por não romper. Bem em bandarilhas João Ferreira.

 

O quinto foi um nobre Passanha, com som e com acometidas cadenciadas ao cavalo. Paco Velásquez andou a gosto. Bem a bregar, toureiro nos recortes, cravando uma boa série de curtos que chegaram com força às bancadas. Destaque para o grande curto com que fechou a actuação, deixou vir o novilho e quando o teve debaixo do baixo cravou ao estribo.

Rafael Silva pegou à primeira tentativa, numa boa sorte pelo Aposento da Moita.

 

Fechou a manhã, Tristão Ribeiro Telles, diante de um colaborador toiro de Alves Inácio. O Tristão andou com raça. Bom o segundo comprido. A lide prosseguiu com uma notável série de curtos, destaque para o primeiro e quarto. O remate teve sabor toureiro.

José Francisco Pereira do Grupo da Vila só à quarta conseguiu resolver os problemas apresentados pelo de Alves Inácio.

 

Abriu a tarde Mestre João Moura, diante de um bem apresentado Ascensão Vaz. Toiro nobre mas demasiado agarrado ao piso, acabou por não romper. Moura teve uma lide a aproveitar virtudes e a limar defeitos do oponente. De nota foi o terceiro curto. Rematou a lide um palmito.

José Maria Costa Pinto, superior a receber à primeira tentativa o primeiro da tarde.

 

Sónia Matias teve uma boa lide a aproveitar um bom Núncio. Novilho voluntarioso, com fijeza, acometia sempre que solicitado. Bravo! Só não andou bem nos compridos e nos curtos desenvolveu uma lide empolgante sempre a mais, chegou ao público e triunfou.

Miguel Valido, esteve bem na cara com uma superior segunda ajuda de Jorge Belo pelos de Monsaraz.

 

A Filipe Gonçalves tocou em sorte um bonito de Alves Inácio mas teve tanto de guapo como de parado. Filipe empolgou as bancadas com um toureio de proximidade, com muito coração a pôr o cavalo quase em cima do seu oponente.

Andou bem a bregar e a lidar.

Nuno Barreto pelos de Beja concretizou uma boa pega ao primeiro intento.

 

Manuel Ribeiro Telles teve por diante o pior da tarde. Um Pégoras complicado, áspero e com demasiadas querenças. Manuel andou solvente, cravou com a sua graça, tentou agradar e o último curto é de nota.

José Pedro Ameixa fez um pegão que levantou as bancadas à segunda tentativa.

 

O segundo Ascensão Vaz da tarde calhou em sorte a Francisco Núncio. Bom toiro, nobre, com cadência nas acometidas, pena a pouca força. Núncio nos compridos andou irregular… nos curtos cravou com alma, o terceiro foi dos bons. Nota superior da maneira como mexeu no Ascensão.

Gonçalo Carvalho por de Monsaraz só à quarta tentativa conseguiu resolver o problema.

 

Fechou a jornada um bonito Joaquim Brito Paes, encastado, com raça, com laivos de bravura, nada fácil, mas chegou às bancadas.

Joaquim Brito Paes, o cavaleiro triunfou em terras de Serpa!  Nos compridos cravou a preceito. Os curtos foram como mandam as leis da arte de bem tourear a cavalo, os presentes gostaram, aplaudiram de pé e reconheceram a boa lide do mais novo desta dinastia toureira.

Miguel Pavia pelos Beja fez uma grande pega a aguentar uma investida alegre e longa à primeira tentativa.

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