O ferro de António Telles e a noite limpa do Aposento da Moita

O ferro de António Telles e a noite limpa do Aposento da Moita

  • 15 de setembro de 2022, Moita
  • 1º Festejo, Feira Taurina
  • Cavaleiros: António Telles, Gilberto Filipe, João Moura Jr., João Telles, João Salgueiro da Costa e Paco Velásquez
  • Forcados: Aposento da Moita
  • Ganadaria: Passanha Sobral
  • Praça a 2/3 da lotação
  • Direção de Tiago Tavares assessorado por Carlos Santos

A Praça de Toiros Daniel do Nascimento, na Moita do Ribatejo, abriu as suas portas para receber aquele que deveria ser o terceiro espetáculo taurino da sua Feira, mas que em virtude da chuva que se fez sentir ao longo da semana, acabou por ser o primeiro espetáculo do certame.

Em praça estiveram seis cavaleiros de estilos diferentes, uns consagrados, outros na luta pela liderança do pelotão e outros a marcar passo e a aproximar-se desse mesmo pelotão dia após dia. Era então uma noite que se esperava de competição, mas essa competição nunca surgiu verdadeiramente. Toda a corrida foi pautada pelo tom da correção, sem que tenha existido aquele rasgo de inspiração para que a noite subisse de tom.

Os toiros da Ganadaria Passanha Sobral estavam irrepreensíveis de apresentação, sendo mesmo alguns deles aplaudidos na sua entrada no Ruedo. Não estavam sobrados de quilos, tinham trapio. Quanto ao comportamento, a maioria dos toiros veio a menos com o decorrer da função, à exceção do segundo da ordem, manso e que nunca deu grandes opções ao seu lidador. O último, nobre e com mobilidade, escasseou de forças. Os restantes tiveram bons pormenores, indo a menos com o decorrer da função.

Abriu praça António Ribeiro Telles e foi nesta sua atuação que se viveu o grande momento da noite no que ao toureio a cavalo diz respeito. O terceiro comprido é de dos que marcam. O Maestro levantou o braço, citou o toiro, deu-lhe primazia de arrancada e deixou um ferro soberbo, executando a “sorte da morte”. Teria sido merecida a concessão de música por parte da direção de corrida após a colocação deste ferro. Foi este o verdadeiro momento de inspiração da noite. Nos curtos, a prestação decorreu de menos a mais, sendo de destaque maior o quarto ferro curto, um grande ferro. No geral, atuação muito positiva.

Gilberto Filipe teve que bailar com a mais feia, ou seja, tocou-lhe o toiro com piores condições de lide. Perante um toiro manso, o cavaleiro andou irregular na crsvagem dos ferros compridos. Nos curtos, andou em tom regular, cravando com correção a ferragem da ordem, com destaque bastante positivo para o ferro em sorte de violino, muito aplaudido pelo público. Terminou a atuação com um ferro a pedido do público que nada acrescentou à sua atuação. No final, teve a humildade de não dar volta ao Ruedo.

João Moura Jr. foi o encarregue de dar lide ao terceiro da ordem. Abriu a função com uma extraordinária sorte de gaiola, superiormente rematada com o toiro a carregar forte por trás, demonstrando que vinha com vontade de triunfo. Na ferragem curta, destaque para o segundo, um grande ferro com o toiro a meter a cara alta no momento da reunião, resultando a sorte espetacular. O terceiro curto foi também de nível elevado. Trocou de montada e o toiro veio a menos, dificultando-lhe imenso o labor. Deixou um ferro curto, uma mourina e um bom ferro de palmo.

João Ribeiro Telles abriu a função com dois corretos ferros compridos. Nos curtos, andou correto, com destaque para o bom segundo curto e para a excelente brega de preparação do terceiro. Terminou a função montando o ilusionista, deixando dois ferros que chegaram com força ao público.

João Salgueiro da Costa realizou uma atuação toda ela de nota regular, subindo de tom com a cravagem do último muito bom ferro curto. Na restante atuação, deu a sensação que faltou sempre qualquer coisa para atingir o triunfo, que acabou por não aparecer.

Fechou a noite no que às lides equestres diz respeito o cavaleiro praticante Paco Velásquez. Numa lide em crescendo, deixou com correção a ferragem comprida, andando templado na ferragem curta, aproveitando as nobres investidas do Passanha Sobral para desenhar uma bonita faena. Terminou com dois bons ferros curtos, citando a curta distância, montado no Ritz.

No capítulo das jaquetas de ramagens, pegou a corrida em solitário o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita, fazendo-o com nota elevadíssima. Abriu a função o cabo Leonardo Mathias, que consumou com brilhantismo à primeira tentativa, depois de brindar a Nuno Carvalho “Mata”, suscitando aquela que foi a maior ovação da noite. O segundo toiro da ordem foi pegado à segunda boa tentativa por João Valério, que brindou a sua pega ao Sr. Presidente da Câmara. O terceiro toiro foi pegado por João Freitas à primeira tentativa. Também Diogo Gromicho pegou com grande mérito o quarto ao primeiro intento. Martim Cosme Lopes consumou pega ao quinto da ordem e André Silva pegou o último da corrida, ambos ao primeiro intento.

No dia em que se cumpriram cinco anos do falecimento do forcado Fernando Quintella, dos Amadores de Alcochete, nesta mesma arena, foi guardado ao início do festejo um minuto de silêncio em sua memória.

A corrida foi dirigida pelo delegado técnico Tiago Tavares, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Carlos Santos.

Artigos Similares

Destaques