O bem tourear a cavalo e pegar foram Reis na Nobre Caldas da Rainha

Crónica

Foto destaque: Foto meramente ilustrativa, não corresponde à corrida em questão.

Ir aos toiros às Caldas é um gosto pelo 15 de Agosto! Cidade com história na tauromaquia com mais de cinco séculos, onde caras sobejamente conhecidas por tradição vão aos toiros neste dia da Assunção de Nossa Senhora, dando um ambiente especial a esta corrida.

Nomes como Faustino da Gama, ficarão para sempre na memória da história desta terra também os nomes de aficionados, ganadeiros, forcados amadores e cavaleiros como Duarte Pinto Coelho, Luíz da Gama, Francisco Figueira, José Amado, Manoel Castello Branco, Joaquim Alves, Paulino Montez.

Mas falar da história tauromáquica das Caldas da Rainha é falar, necessariamente, dessas quase “lendárias e seguramente incontornáveis figuras que foram mestre Vitorino Fróis e José Tanganho. Mas, também, do aficionado e insigne escultor caldense João Fragoso. Dado histórico, digno de registo, é o facto de ininterruptamente até hoje – a praça de toiros das Caldas da Rainha preservar e consagrar a sua tradicional corrida de toiros do 15 de agosto, desde 1883, é obra!

Ontem a empresa de Rafael Villais montou um cartel diferente e cheio de interesse, João Ribeiro Telles, Francisco Palha, Joaquim Brito Paes e Joaquim Ribeiro Cuqui. Toiros com os dois ferros da família Brito Paes e um aliciante maior a mudança de cabo do Grupo das Caldas em dia de aniversário. Resultado disto um entradão de público!

Foram lidados sete toiros, primeiro, quarto e quinto com o ferro de António Raul Brito Paes e os restantes com o ferro de seu irmão Joaquim Brito Paes. Bem apresentados todos, mas com destaque para as três estampas apresentadas pelo Dr. António Raul, os dois últimos eram perfeitos. Quanto ao comportamento foram bons na generalidade mas o segundo da ordem de JBP foi de bandeira, bravo. Motivando justamente a chamada do ganadero à arena. Merecem o honor de destaque também os lidados em quarto e quinto lugares, bravos e a vir a mais durante as lides. Bom toiro o que fez sexto. Os lidados a pé tiveram pouca força, o piso da arena também não ajudou, um toiro que se quer empregar por baixo com aquele areal… Foi devolvido aos currais o último por se ter lesionado durante a lide depois de uma “volta de campana”, saiu o sobrero ao que as forças também não acompanharam.

Abriu praça João Ribeiro Telles numa lide em que a brega teve categoria, os ferros tiveram boa nota, os remates foram bonitos. No quarto curto entrou por o toiro dentro, cravou de alto abaixo um grande ferro. Rematou a lide com um palmo, o público gostou da actuação e não lhe regateou aplausos. No quarto da ordem a lide teve raça e entrega por parte do João. Percebeu o toiro que tinha por diante, escolheu os terrenos com inteligência toureira e receitou-lhe uma grande lide. Nos compridos andou bem, nos curtos os ferros tiveram a classe do bom toureio a cavalo, cites bonitos, dando distância ao toiro, partindo recto, para cravar os “ferros en su sitio”. Com o cavalo estrela da quadra, o Ilusionista, o João “partiu a loiça toda”! Cravou dois ferros que puseram a bonita praça de toiros das Caldas em alvoroço! Grande atuação, público satisfeito, aplaudindo de pé.

Francisco Palha veio a por todas às Caldas… E triunfou forte! Recebeu os dois toiros com emocionantes sortes de gaiola, rematando as mesmas de forma soberba. O público rapidamente entrou nas lides. O Francisco quando está inspirado e ontem estava “arma um taco”. No primeiro aproveitou as qualidades do toiro deixou-o vir de largo, aguentando a investida para quando o tinha na jurisdição do cavalo cravar de alto a baixo, remantando os mesmos de forma espectacular. A braga foi toureira, o público era o espelho do que se passava na arena e rejubilava com a actuação do Francisco. No seu segundo fez um brinde emotivo à família Veiga e a lide foi um compêndio de bem tourear a cavalo. Houve algumas falhas, sim como há em todas as lides… a beleza do imperfeito faz parte desta arte… onde nada é representado mas sim vivido no momento, sem pontos a ajudar… Nos curtos a lide veio a mais e acabou em plano de “triunfo gordo”, ferros cravados de forma exuberante, num palmo de terreno, com o público de pé.

Joaquim Brito Paes, cavaleiro praticante, lidou o sexto da ordem e também alcançou o triunfo nesta tarde do 15 de Agosto. Bem nos compridos, na brega e a lidar. Nos curtos a lide veio em crescendo e acabou num patamar de figura. Ferros com verdade, intuição toureia, os remates tiveram a graça, o público entregue gostava do que via e pedia mais, o Joaquim também ele a gosto acedeu e cravou mais dois grandes ferros, partindo recto, cravado de alto a baixo. Olé!

O Matador Joaquim Ribeiro “Cuqui”, depois do triunfo do ano passado pouco pode fazer diante de dois toiros nobres mas com poucas forças. No primeiro, recebeu à veronica. No tércio de bandarilhas recebeu a alternativa de bandarilheiro Miguel Batista que andou bem com as frias. Na muleta o toiro queria mas não podia, um par de tandas soltas em redondo e algum natural foram o melhor da faena. Valeu a disposição e as ganas de triunfo do matador. No seu segundo ao receber de capote, o toiro deu uma “volta de campana” deixando o mesmo inferiorizado fisicamente, sendo devolvido aos currais. Saiu o sobrero mais feiote de tipo, também ele com pouca força, a lide foi esforçada tentando sacar água de um poço seco. Um par de redondos a meia altura, e algum natural solto mas pouco mais se podia fazer. Valeu novamente a disposição.

Ontem para o Grupo de Forcados Amadores das Caldas da Rainha, a tarde foi de Festa e Triunfo Grande! Comemoração de dia de anos e mudança de cabo. Francisco Mascarenhas cedeu o comando do Grupo a Duarte Manoel. Foi bonito ver uma praça cheia de forcados, antigas glórias deste grupo, a par de um punhado valente de rapaziada nova, que transportavam certamente em mente o sonho de um dia vir a ser como qualquer dos seus ídolos ali novamente fardados.

Abriu praça Duarte Manoel, que à primeira tentativa fez uma boa pega, bonito no cite, a receber com grupo a ajudar bem. De seguida foi a mudança de cabo, momento emotivo, público de pé a ovacionar o Francisco que deixava o comando do Grupo. Para a cara do segundo saltou António Appleton que à primeira tentativa fez outra grande pega, deixou vir o toiro de largo, recebeu bem e o grupo ajudou como mandam as regras. António Lacerda, foi o eleito para pegar o quarto da ordem e a pega foi perfeita à primeira tentativa! Lourenço Palha fez a pega ao quinto à primeira tentativa e a pega voltou a ser de grande qualidade, bem em todos os tempos desta nobre arte de pegar toiros. Duarte Palha pegou o sexto de maneira brilhante, citou com graça, recuou e recebeu na perfeição o grupo ajudou. A tarde acabou assim com chave de ouro para o grupo Parabéns! Um obrigado ao Francisco, sorte e um abraço para o meu amigo Duarte nesta sua nova função no grupo.

No início da corrida foi prestada homenagem póstuma a Ricardo Chibanga por parte da empresa.

Dirigiu a corrida Ana Pimenta, sendo o veterinário José Manuel Lourenço.

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