Nova Ordem Social

Crónica

Vivemos tempos em que uma parte da Humanidade se acha superior à outra parte.

Até aqui nada de novo ou surpreendente, tem sido assim desde o começo e pelos vistos continuará a ser.

As civilizações fizeram-se de opressores e oprimidos, agora é que parece que se quer apagar este comportamento caracteristicamente humano.

Notável é o facto de essa parte da Humanidade que se considera raça superior, suprema sobre os demais mortais, ser uma minoria.

As minorias são as novas maiorias.

Nesta Ordem se não comemos o que acham que se deve comer, se não nos relacionarmos com quem acham que devemos relacionar-nos, se não amamos no conceito de amor por eles definidos, se não odiamos o que eles odeiam, se não aceitarmos o que eles aceitam, estaremos irremediavelmente condenados à limpeza étnica.

Mesmo que sejamos mais e pensemos diferente, a minoria quer mandar.

Animalismo, ambientalismo, veganismo, feminismo, pro LGBT, antitaurinismo, apenas para citar alguns, são dogmas doutrinais da Nova Ordem Social.

Para profissão desta doutrina existe uma ferramenta e um método.

A ferramenta são as redes sociais, o método, o ódio.

Na Nova Ordem Social há odiadores que patrulham as redes sociais, vigilantes prontos a censurar e identificar todos os que não partilharem dos seus credos e princípios.

O resto da Humanidade, que não da Nova Ordem Social, coabita e sobrevive como pode em guetos virtuais, campos de concentração sociais ou grupos criados numa forma de resistência à Nova Ordem Social.

Mas onde é que eu já vi isto? Terá sido na Alemanha dos anos 40? Não, não pode ser, a Nova Ordem Social repudia veementemente a Alemanha dos Anos 40, devo estar a fazer confusão.

No lado da Resistência, por entre esses guetos e campos de concentração circula informação, mais ou menos clandestina, mais ou menos acutilante e quase sempre ineficaz.

Dando razão ao principio de que a maioria pensa melhor que o individuo, nem que seja pela partilha de ideias e acreditando que ainda existe uma maioria que não pertence à Nova Ordem Social, na minha opinião estamos a resistir muito aquém do que podemos.

Combatemos ódio com ódio e já se sabe que nisto das vinganças, se a procurarmos temos sempre que cavar duas sepulturas.

Partilhamos conteúdos, manifestações, revelando todo um masoquismo que nem a própria Nova Ordem Social acredita ser possível.

Quem sou eu para escrever isto, mas ainda assim, lá vai, nós que não pertencemos à Nova Ordem Social podemos ter toda a razão, dizer a verdade, professar o correto e o justo, mas o que importa para a Nova Ordem Social não é a razão, verdade, correção e justiça ou justeza, mas apenas o que eles acreditam.

Então o que poderemos fazer? Se estamos circunscritos, enclausurados, identificados e marcados como raça inferior?

Sei o que podemos não fazer para não nos isolarmos ainda mais e passarmos de uma prisão colectiva para as solitárias, sem voz, sem escrita, sem acção.

Podemos não dar argumentos aos odiadores.

Não se confunda com medo da censura, com acanhamento, entenda-se como inteligência, para os que o conseguirem…

Façamos bom uso das redes, da imagem, da voz, se não soubermos, aprendamos com quem sabe, não enfiemos tudo no saco (roto) da liberdade contestando que se eles o fazem, nós também podemos.

Poder até podemos, mas não devemos.

Contrariar os argumentos da Nova Ordem Social é desde logo aceitá-los e isso significa descermos à sua condição e emparelhar-nos com a sua categoria.

E contrariar passa por publicar manifestações heróicas, pensamentos filosóficos e imagens ou vídeos provocatórios.

Quase sempre acompanhados de uma mão cheia de erros ortográficos que levamos tanto tempo a decifrar que se perde o momento do post.

E qual é o efeito prático da operação? Qual o seu impacto para além de recolha de “gosto” ou coraçõezinhos?

Quase sempre nenhum, ou pior, mais uma acção repressiva da Nova Ordem Social.

Volto a escrever, não é ter medo de dizer, escrever, demonstrar que não se pertence à Nova Ordem Social, é fazer tudo isso, mas bem feito.

Não vou exemplificar nem sugerir como, primeiro por incapacidade, depois porque seria presunçoso e em terceiro porque eles vão ler.

Não temos medo, somos mais, somos melhores no sentido que sabemos aceitar e conviver com a diferença e outra opinião, temos conhecimentos que ao longo de milénios nos foram dotando de capacidades que nos permitem sobreviver e vingar, levando mais ou menos tempo, assim o saibamos usar.

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