No dia em que o Arquipélago veio a Lisboa

11.07.2019

 

Praça de Touros do Campo Pequeno

 

Corrida de Homenagem à Região Autónoma dos Açores – Concurso de Pegas

 

Cavaleiros:

  • Ana Batista
  • Filipe Gonçalves
  • Tiago Pamplona
  • Manuel Telles Bastos
  • Miguel Moura
  • João Salgueiro da Costa

Grupos de Forcados Amadores:

  • Tertúlia Tauromáquica Terceirense,
  • Ramo Grande
  • Beja

Capitaneados respetivamente por João Pedro Ávila, Manuel Pires e Miguel Sampaio

Ganadaria: Eng.º Jorge de Carvalho.

Direção: Exmo. Sr. Fábio Costa, que se estreou nas funções, desempenhando-as com acerto e discrição.

 

Aportaram nas águas calmas de Lisboa as Gentes dos Açores para celebrar as suas Ilhas, a sua afición e a Tauromaquia, meia casa foi a lotação do Campo Pequeno, preenchida com muitos insulares que vieram homenagear o seu Arquipélago.

Em ambiente de festa desfilou uma marcha popular do exterior para o interior dando o mote a uma noite entretida e de justíssima homenagem continental a um arquipélago e uma Ilha em particular, a Terceira, que pode ser a região com maior atividade tauromáquica do Mundo e sem dúvida o sitio com mais aficionados por m2.

Em ano de efeméride, comemorando 50 anos de existência o ganadeiro Eng. Jorge de Carvalho embarcou uma corrida de apresentação irrepreensível, digna de primeira praça e de apresentação em Lisboa com corrida de touros, corrida muito parelha em tipo e trapio, aberta de sementais, com destaque para o primeiro e quinto.

No segundo e quiçá mais pelo comportamento do primeiro, com maior mobilidade, transmissão, fijeza, autorizou o Diretor de Corrida volta para a Ganadera.

Um denominador comum foi o facto de nenhum dos touros ter descaído para tábuas, sempre para os médios, algum com querença, outros com bravura. Outro aspeto transversal da corrida foi a prontidão a sair para os forcados, não permitindo mandar nas investidas.

Por confirmar alternativa, abriu a noite o Cavaleiro Insular Tiago Pamplona, com honras de amadrinhamento de Ana Batista.

Tocou-lhe o touro mais colaborador, galopando por trás e investindo sem se emparelhar, fixo no cavalo, investia pior nos capotes, rebrincado e violento, pondo as mãos por diante, mas veio de menos a mais, melhorando e corrigindo as investidas e no cavalo foi sempre constante, voluntário e com investidas a direito e transmissão.

Boa lide, com muito recetividade nas bancadas, ferros distintos, cavalos bem postos e um toureio assentado e merecedor de mais oportunidades.

Noite de seis pegas efetuadas à primeira tentativa, com prestações coletivas muito sólidas o que poderia ter dificultado a vida ao Júri, Direção da ANGF, Senhores José Luís Gomes, José Fernando Potier e Tiago Prestes.

Não existem pegas iguais, mas podemos dizer que foi uma noite muito homogénea também neste setor, quer pelo comportamento dos touros, todos colocados na querença natural, contrários aos curros, cinco com saídas prontas, pelo caminho entrando pelos grupos e sem protestar, apenas o quinto se pegou mais ao chão, mais tardo e obrigou o forcado a pisar a sua jurisdição, após reunião foi também o que protestou com o forcado na cara.

Pegaram pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense Francisco Matos, o primeiro e Luís Sousa, o quarto, pelo Ramo Grande, César Pires e Manuel Pires, este o justo vencedor do troféu em disputa na pega do quinto, pelas especificidades que mostrámos em cima, teve que pisar terrenos de compromisso, mandar mais na investida do touro e trazê-lo para dentro do grupo, para além de ter feito tudo isto bem, ainda se trancou sem benevolências.

Por Beja pegaram Mauro Lança e Guilherme Santos.

Todos os forcados citaram com tranquilidade e sem alardes ou precipitações, dando tempo aos touros, ao público e à própria pega, sem excessos. Os grupos ajudaram bem, havendo uma ou outra abertura sem consequências, os touros vieram todos para dentro dos grupos, e as seis pegas à primeira igualmente bem rematadas, até com alguma ousadia, pelos respetivos rabejadores.

Volta para todos, acompanhados dos cavaleiros e chamada aos médios a Manel Pires.

Voltamos às lides,

O segundo coube a Ana Batista, um touro mais reservado e com menos transmissão que o primeiro, obrigou Ana a ajustar terrenos e velocidades, faena de menos a mais, com muito mérito pela entrega e pela inteligência a dar lide a um touro que apresentava dificuldades, rematou com dois bons ferros.

Filipe Gonçalves toureou o terceiro, toureiro muito querido, em especial nos Açores, onde fez este ano extensa e intensa campanha.

Melhor que nós, seguramente sentirá que não foi a sua noite, com um touro mais aplomado, com investidas certeiras e desinteressadas e atravessando-se. Realça-se o último par de bandarilhas.

Ao quarto deu lide Manuel Telles Bastos, no seu conceito de classicismo e toureio intemporal, ferros ao estribo e praça a praça, lide muito acertada e sempre de interesse.

Miguel Moura foi quem mais se destacou na competição a cavalo, mostrando intenções na porta gaiola, desenvolveu uma lide muito interessante, emotiva e a transmitir na bancada, demonstrando madurez, pese embora a sua juventude, e escola, impossível de contornar.

Encontrou a distância, a velocidade e o sitio certos para a investida do quinto.

O sexto foi lidado por João Salgueiro da Costa, brindado ao Cavaleiro de Alternativa e Matador de Touros de Alternativa, Mário Miguel, Açoriano, da Ilha Terceira.

João demonstrou muito boa vontade, mas não foi também a sua noite, um touro menos colaborador e que chegou mesmo a rachar, desistir, acompanhando os cites com o olhar, rodando sobre si e saindo apenas quando sabia que pode tocar ou colher.

Na noite em que os Açores aportaram em Lisboa, houve arraial, Grupos e Moços de Forcados como se deseja, toureio a cavalo de diferentes conceitos e tudo proporcionado por uma corrida do Eng.º Jorge de Carvalho baixa, na sua generalidade, bem-feita, com fundo, alguns mais ofensivos por diante, outros mais harmónicos, em que pelo menos três investiram bem nos capotes, por fora e humilhados, deixando vontade de os ver com a muleta.

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