Na catedral do Cante, Miguel Moura e Rouxinol Jr, “Cantam a melhor Moda”

Ali na vastidão da planície, lugar privilegiado do cante, onde a voz do vento soa mais alto em harmonia com os sons da terra, em tarde de calor abrasador houve ontem sábado a tradicional corrida de toiros da Feira Anual da Cuba, com uma grande moldura humana nas bancadas. Dizem os dados do senso que habitam neste concelho alentejano cerca de 3000 pessoas e se na praça de toiros estiveram 1500 mais ou menos… Foi um entradão em toda da regra!
A tarde ficou marcada pela bravura dos Teixeira, curro de toiros de magnifica apresentação e comportamento, com grande destaque para os lidados em terceiro, quarto e sexto lugar; Pela genialidade de Miguel Moura e a raça de Rouxinol; E a galhardia dos forcados.
Abriu a tarde Mestre João Moura, tendo por diante um Teixeira nobre, com mobilidade, a apertar pouco no momento da reunião. Moura andou bem a lidar, escolhendo bem os terrenos para cravar, não estando “fino” de mão no momento do ferro mas a actuação teve um boa linha condutora, salpicada com momentos de inspiração e arte Mourista.
Para a cara deste toiro pelos Amadores de São Manços foi Hélder Passos que se fechou bem à primeira tentativa, numa pega vistosa.
Tito Semedo, lidou o menos claro e reservado do curro, toiro a vir a menos com o decorrer da lide e a complicar a vida ao cavaleiro. A tarde não foi de inspirarão para Tito, tentou sempre a agradar ao público, imprimindo uma lide variada mas as coisas não lhe saíram redondas nesta corrida. Gonçalo Caeiro do Real Grupo de Moura, à segunda tentativa, num toiro tardo, que pensou muito no momento de investir ao forcado da cara e a derrotar forte.
Miguel Moura, esteve simplesmente genial diante do bravo terceiro, toiro repetidor, entregue, com casta, nobreza e muita mobilidade. Miguel aproveitou de “piton a rabo” o toiro e pôs Cuba de pé! Bem nos ferros compridos, a dar distancias e a cravar com acerto, nos curtos abriu o livro e deu lição. Cravou ferros fantásticos com ligeira batida ao pinton contrario imprimindo verdade nas sortes, rematando o toiro depois do ferro com um vistoso ladeio a duas pistas. Guilherme Santos pelos Amadores de Beja, num pegão à segunda tentativa, toiro a romper pelo grupo, o forcado teve uma vontade infinita de ficar na cara do toiro com o grupo a ajudar cá atrás.
Rouxinol Jr. picado pelo triunfo de Moura veio a por todas… Também com sorte no sorteio, teve por diante um Teixeira que veio de menos a mais, acabando em plano de bravo! Teve mobilidade, classe nas humilhadas investidas aos capotes e sempre a crescer ao castigo. Rouxinol, esteve bem nos compridos, para nos curtos cravar ferros ao estribo de frente a entrar em terrenos de compromisso. Rematou a lide com um grande par de bandarilhas e um palmo, público de pé e triunfo de Rouxinol.
Pedro Galhardo, pelos Amadores de São Manços realizou uma boa pega ao primeiro intento, recebeu bem o toiro, fechado bem na cara com o grupo a ajudar com coesão.
O quinto foi outro bom toiro, recorrido, mobilidade, casta são adjectivos para o classificar. António Prates, não terá tido a tarde sonhada, algumas passagens em falso, alguns ferros falhados, isso sim rematou a lide com extraordinário curto, fazendo tudo bem feito e cravar no alto do morrilho, que lhe terá tirado de certa forma o ao sabor de boca. Pelo Real Grupo de Forcados de Moura, João Caeiro à quarta tentativa a sesgo e com ajudas carregadas, toiro bruto no momento da reunião, batendo e sempre a tentar despejar os forcados.
Fechou a tarde, já noite Joaquim Brito Paes, lidando outro bravo toiro! Um taco, reunido, baixo, sempre a crescer aos ferros. Lide agradável e com princípios de Brito Paes! Cravou bons compridos, dando distancias, nos curtos esteve bem a bregar, bonito nos remates e correcto a cravar, chegou com força ao público que o acarinhou e não lhe regateou aplausos. Manuel Maria Vicente pelos Amadores de Beja, realizou uma boa pega à segunda tentativa, num toiro com raça a entrar pelo grupo, estando bem os ajudas.
O ganadero foi muito justamente chamado à praça apôs a lide do sexto toiro.
Havia dois prémios em disputa:
Melhor Lide: Miguel Moura.
Melhor Pega: Guilherme Santos, pega do terceiro toiro, Amadores de Beja.
Dirigiu com acerto o Agostinho Borges, assessorado pelo Dr. Matias Guilherme.

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