Muita Carne e Pouco Sumo

Crónica

30.08.2019

Praça de Toiros de Salvaterra de Magos

Corrida de Toiros

Cavaleiros:

Manuel Telles Bastos

Luís Rouxinol Jr

António Prates

António Ribeiro Telles – Amador

Grupos de Forcados Amadores de Montemor-O-Novo e Lisboa, capitaneados respectivamente, por António Vacas de Carvalho e Pedro Maria Gomes

Seis Toiros da Ganadaria :

Dolores Aguirre (Espanhola) e um Novilho de José Pereira Palha

As expectativas para o encerramento da temporada taurina na monumental de Salvaterra de Magos eram enormes, porquanto faziam-se anunciar vários atrativos invulgares, tais como os Aniversários das fundações dos Grupos de Forcados Amadores de Montemor e de Lisboa, respectivamente 80 e 75 Anos de existência, bem como o enorme curro, vindo de Espanha, da ganadaria de Dolores Aguirre e se isso por si só não bastasse, três jovens figuras, para lhes dar lide, acompanhados de uma  jovem promessa da Torrinha.

Pela promoção conferida pelas novas tecnologias, nomeadamente as redes sociais, e toda a publicidade em volta da enorme corrida de Dolores Aguirre, que deu média de 670 quilos, cujos pesos oscilaram entre os 770 e os 560 quilos, esperávamos que o público, enchesse mais que  os três quartos da lotação da praça.

A corrida começou com cerca de vinte minutos de atraso em virtude de um acidente na ponte da vala, entre Benavente e Salvaterra, que cortou o trânsito e obrigou muitos dos aficionados a optar por trajetos alternativos, o que impediu que estivessem à hora marcada para o início do espetáculo, por isso organização da corrida com a anuência da direção da mesma, teve a sensibilidade para o referido retardo, olé.

O comportamento dos enormes Aguirre, foi de pura mansidão, falta de classe, alguns impróprios para consumo e outros que se deixaram lidar com alguma colaboração, mas pouca.

O novilho de José Pereira Palha, foi de enorme qualidade, proporcionando ao jovem António Telles, uma prestação de alto nível, mormente na ferragem curta. António embora ainda amador, já revela qualidades que o irão transportar para a ribalta do toureio nacional, ou não fosse ele mais um produto da Academia da Torrinha. Uma muito boa atuação em vésperas de prestar provas para cavaleiro praticante, o que está previsto para o inicio de setembro e Vila Viçosa, tal como há quarenta anos aconteceu com o seu pai, escutou musica e no final foi premiado com volta à arena.

No que concerne às atuações dos ginetes de alternativa, Manuel Telles Bastos, enfrentou o toiro mais leve e o mais pesado, 770 quilos de mansidão, em ambas as lides teve que porfiar bastante, para colocar a ferragem da ordem, provando os toiros em todos os terrenos, evitando toques desnecessários, que com estes toiros podem ser fatais. Escutou musica em ambas as lides e deu volta no final.

Luis Rouxinol Jr. , lidou em primeiro lugar um dos mansos colaborantes e em segundo, um dos tais impróprios para consumo, se no primeiro as coisas até resultaram, já no segundo, teve que deitar mão de toda a astucia, para aproveitar as raras “passagens”, que o adversário consentia, porque investidas, nem vê-las. Mesmo assim, escutou os acordes da banda e deu volta no primeiro, no segundo, ficou em tábuas, enquanto os forcados davam volta ao redondel.

De Vendas Novas, veio o jovem António Prates, já uma certeza, que chegou a Salvaterra e ditou que podem contar com ele para este e outros desafios. Desembaraçado na brega, nem sempre acertado na cravagem, mas que porfiou bastante, para dar lide aos dois oponentes que lhe couberam em sorte, conseguindo contagiar o conclave com o seu desprendimento, assim os murlacos o ajudassem, o que não foi o caso. Escutou musica e deu volta no final em ambas as lides.

Para os Grupos de Forcados em praça, a noite era de comemorações, mas também de elevada responsabilidade, já que tinham por diante, autênticas locomotivas, com mais de setecentos quilos.

Estavam dois prémios em disputa, o prémio para a melhor pega, que levava o nome do Mítico Nuno Salvação Barreto e o prémio para o melhor Grupo, que ostentava o nome dessa lenda da forcadagem que foi Simão Malta, ambos fundadores dos seus Grupos.

Pelo Grupo de Montemor, abriu praça Francisco Bissaia Barreto, que citou de largo, mandou vir o toiro, para se fechar numa viagem, até tábuas, prontamente ajudado, logo no primeiro intento. Na segunda intervenção, coube a João da Câmara, bater as palmas ao Dolores Aguirre e fê-lo com estoicismo em três grandes tentativas, sendo substituído, por lesão, pelo seu cabo António Vacas de Carvalho, que à quarta resolveu o imbróglio, com a pronta ajuda de todo o grupo. Encerrou a participação dos de Montemor, através de uma pega de cernelha, à segunda entrada pela dupla, António Cortes Pena Monteiro e Francisco Godinho, numa pega emotiva com o toiro a dar luta. O novilho do Amador, foi pegado por um grupo misto Montemor/Lisboa, ao primeiro intento, através do jovem José Maria Marques, que vestia jaqueta grená de Montemor.

A participação dos Amadores da capital, abriu com uma tentativa falhada de Tiago Silva, que saiu lesionado e foi substituído por Duarte Mira, que resolveu o problema na tentativa seguinte. Para a cara do tal toiro de 770 quilos, Pedro Maria Gomes escalou o experiente Pedro Gil, caminhou correto no cite, provocou a investida e fechou-se com tenazes de ferro, numa luta em que todo o grupo em praça reagiu com eficácia, consumando ao primeiro intento uma grande pega. Para fechar a atuação dos de Lisboa, foi chamado o João Varanda de Carvalho, que precisou de duas tentativas, para consumar uma pega cheia de raça e valor, com o grupo a ajudar coeso e decidido.

O júri dos prémios em disputa era constituído, pelos senhores Pedro Graciosa, Nuno Santana e Francisco Chalana, que decidiram atribuir o trofeu da melhor pega a Pedro Gil dos Amadores de Lisboa e do melhor Grupo, também aos Amadores da capital, que em noite de comemoração dos 75 Aniversário, arrebataram ambos os prémios.

A direção da corrida esteve a cargo do delegado Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário Jorge Moreira da Silva e pelo cornetim José Henriques, abrilhantou o festejo a Banda dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos.

Salvaterra de Magos, 30 de Agosto de 2019

João Galamba

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