Montijo evocou os 35 anos de glória de Luís Rouxinol

Montijo evocou os 35 anos de glória de Luís Rouxinol

  • 29 de julho de 2022, Montijo
  • 35 anos de alternativa de Luís Rouxinol
  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, Rui Fernandes, Luís Rouxinol Jr. e Duarte Fernandes
  • Forcados: Montijo e Cascais
  • Ganadaria: Canas Vigouroux
  • Direção de João Cantinho, assessorado por Jorge Moreira da Silva
  • Praça a 3/4 da lotação preenchida

 

35 anos de alternativa, 45 anos de toureio, 1400 corridas toureadas, mais de 100 atuações no estrangeiro, 400 troféus conquistados, 17 temporadas como líder do escalafón… os números falam por si, mas Luís Rouxinol é muito mais que números, é um lutador e chegou ao mais elevado patamar do toureio a cavalo por mérito próprio.

Esta noite a Monumental do Montijo registou uma boa entrada de público para comemorar os 35 anos de alternativa de um cavaleiro que deixa tudo o que tem dentro de praça tarde após tarde.

Após as cortesias, decorreu uma cerimónia de homenagem e entrega de lembranças ao cavaleiro Luís Rouxinol. Após a leitura de um bonito texto alusivo à efeméride por José Cáceres, a Monumental rompeu numa das mais fortes ovações da noite, emocionando o toureiro.

O cavaleiro de Pegões abriu praça com uma lide marcada pela maestria do seu toureio. Recebeu o oponente cravando três bons compridos, rematados com toreria. Nos curtos entendeu o toiro que teve por diante e deixou uma série de ferros de boa nota, rematados tentando templar a investida do toiro. Rematou com um ferro de palmo e um excelente par de bandarilhas, entrando pelo toiro dentro. Público de pé a aplaudir calorosamente o cavaleiro da terra.

Rui Fernandes entrou em praça com ganas de triunfo e prova disso foi a sorte gaiola com que magnificamente recebeu o segundo toiro da ordem. Abriu a série de ferros curtos com um ferro de elevadíssimos quilates, atacando o toiro nos seus terrenos, a bater ao pitón contrário. Bom ferro! Depois a atuação veio a menos, acompanhando a condição do toiro, que se rachou, não permitindo mais ao cavaleiro. Lide esforçada.

No que às lides a solo diz respeito, a noite foi dos mais novos. Grandes atuações de Luís Rouxinol Jr. e Duarte Fernandes, provando que a continuidade das respetivas dinastias está assegurada.

Luís Rouxinol Jr. foi à porta dos curros receber o terceiro toiro da ordem. Abriu a função com um bom primeiro ferro comprido, bem desenhado e superiormente rematado. Nos curtos, abriu o livro e deixou uma série de ferros montando o Jamaica, que se tem afirmado como estela da quadra. Entendeu na perfeição os terrenos do toiro e deixou uma série de ferros cingidos. Nota elevada para a preocupação em colocar o toiro nos médios, contrariando a forte crença pelos terrenos de tábuas.

Duarte Fernandes não quis deixar os seus créditos por mãos alheias e perfilou-se de saída para receber o toiro em sorte gaiola. Desenhou bem a sorte, mas o ferro acabou por não ficar. Nos curtos, a lide veio a mais e a prestação resultou da melhor maneira. Deu primazia às abordagens ao pitón contrário e a faena resultou. O público esteve consigo e o jovem cavaleiro praticante deixou uma série de ferros empolgantes. O terceiro curto é de nota elevadíssima.

A lide do quinto toiro da ordem esteve a cargo da família Rouxinol. Lide magnificamente bem desenhada, sendo o entendimento entre os dois ginetes o condimento principal para que a faena resultasse. Depois de cravarem dois compridos de excelente nota, partiram para uma série de curtos marcada por grandes ferros tanto de Luís Rouxinol Jr. como de Luís Rouxinol a cravar no ressalto. Nota ainda para a excelente brega de preparação das sortes. Terminaram a função com dois ferros de palmo. Público todo de pé a aplaudir o labor de Luís Rouxinol pai e filho.

A fechar a corrida, lidaram a duo Rui e Duarte Fernandes, que foram autores de uma prestação correta. Deixaram com correção a ferragem da ordem, com o público a aplaudir a função dos toureiros. Faltou, talvez, alguma ligação entre os dois cavaleiros para a lide atingir um patamar de triunfo.

No que às pegas diz respeito, estiveram em praça os Grupos de Forcados Amadores do Montijo e de Cascais.

Pelos forcados do Montijo, Hélio Lopes abriu praça não tendo consumado à primeira tentativa por falta de ajudas. Saiu lesionado. Foi dobrado e a pega acabou por se concretizar ao terceiro intento, com as ajudas mais carregadas, com uma grande primeira ajuda de Luís Alves. João Paulo Damásio saltou à arena para pegar o terceiro da ordem. Na primeira tentativa não suportou o derrote inicial. As tentativas sucederam-se e o cabo optou por tentar a pega de cernelha. Após várias tentativas de entrada, o toiro entrou vivo aos currais. Nota para a quarta tentativa de caras em que o forcado da cara, a dobrar a dobra, aguentou violentos derrotes, faltando as ajudas do grupo. Toiro complicado, mas no qual faltou atitude e garra aos forcados. Nota negativa também para o facto de o cabo do grupo, numa situação de desnorte total, não ter dado a cara e não ter tentado pegar o toiro, não tendo dado o exemplo ao grupo. Fechou a noite dura para os Amadores do Montijo o cabo José Pedro Suissas com uma boa pega ao primeiro intento. No final, deu volta com o primeiro ajuda Luís Alves, que esteve valente nas três pegas.

Os Amadores de Cascais pegaram os três toiros do seu lote ao primeiro intento. Afonso Tomás da Cruz foi à cara do segundo da ordem e, com o grupo a ajudar coeso, concretizou uma boa pega. Ricardo Silva fechou-se com galhardia e concretizou também uma boa pega. Fechou a noite Carlos Dias que se fechou com alma e concretizou mais uma grande pega.

Os toiros da Ganadaria Canas Vigouroux, todos jaboneros, estavam bem-apresentados e apresentaram jogo desigual. Destaque positivo para o comportamento dos dois toiros lidados a duo. O primeiro serviu, indo a mais com o decorrer da função. A menos veio o segundo, acabando rachado. O terceiro também foi a menos, ganhando fortes crenças nas tábuas. Ao quarto faltou mobilidade. Os lidados a duo cumpriram de boa forma.

A corrida foi dirigida com acerto pelo delegado técnico João Cantinho, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

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