Miguel Moura triunfou em Evora em tarde emoções fortes

Crónica

Domingo, 3 de Outubro, a Arena de Évora recebeu a quarta corrida da temporada desta cidade Alentejana, o público correspondeu novamente uma vez mais enchendo quase por completo os lugares disponíveis pelas normas da DGS.

Um dos grandes atrativos do cartel eram os toiros da Ganadaria Palha, que voltavam a lidar uma corrida completa nesta praça de toiros ao fim de 11 anos. Os toiros apresentados por este mítico ferro tiveram trapio, bonitas caras e pelagens, foram díspares de tipo, sendo o terceiro uma autêntica estampa de toiro bravo. Baixo, reunido, acapachado de cara, colorado de capa, um taco de toiro. Quanto ao comportamento houve três toiros de boa nota, o encastado segundo, o bravo terceiro e o nobre sexto. Mansos quarto e quinto, sendo o primeiro um toiro que disse pouco.

Inédito foi, o cartel apresentado pela empresa, em que nenhum dos cavaleiros infelizmente pode actuar, por se terem lesionado no decurso da temporada. Em substituição de António Ribeiro Telles, Moura Jr. e Francisco Palha, vieram Rui Salvador, Gilberto Filipe e Miguel Moura a quem a empresa agradeceu publicamente o gesto e o público ovacionou com força tão nobre acto.

Rui Salvador, enfrentou o pior lote da corrida, andou em plano lidador, tentando contornar os problemas apresentados pelos oponentes, cravando ferros de boa nota sempre que os Palhas o permitiram. No primeiro a lide agradou ao público, os ferros tiveram mérito, rematado os mesmos de forma toureira, a brega ladeada teve temple e o público gostou do que viu não lhe regateando palmas. No quarto da corrida cravou com solvência os compridos da ordem, nos curtos o toiro procurou tábuas e a sesgo deixou ferros de bastante mérito. Lide de muito querer do cavaleiro de Tomar numa terra onde já triunfou forte e que o público o acarinha de forma especial.

Gilberto Filipe, teve uma tarde feliz na arena eborense, a lide do segundo da tarde foi empolgante, mostrando a raça que leva dentro e a do quinto a tentar contornar os problemas impostos pelo Palha. Bons os compridos os cravados ao 997, de frente e de praça a praça. Nos curtos a lide teve momentos de muito bom toureio a cavalo, tentando sempre dar vantagens ao oponente, cravando de frente. O último curto desta lide foi formidável, já com o toiro renuente a sair da querença o Gilberto atacou, entrou em terrenos de compromisso e cravou de alto a baixo. Com o quinto da ordem um Palha mansote, Gilberto voltou a agradar ao conclave eborense. Os três compridos tiveram emoção, nos curtos tentou limar arestas, e cravou com verdade num toiro que esperava e que se tapava no momento da sorte. Lide de muito querer e de valor.

Miguel Moura teve o lote da corrida e triunfo sorriu ao mais novo da dinastia Mourista. Miguel empolgou o público com a sorte de gaiola no bravo terceiro, o remate foi sublime com um toiro a mostrar mortor a querer comer. Outro comprido de boa nota se seguiu. Nos curtos a lide foi de raça, valor e muito querer. Cravou grandes ferros com batidas ao piton contrário, rematando a mesma com muita arte. Bem na brega e a lidar. No que fechou praça novo triunfo de Moura! Extraordinária a sorte de gaiola, o segundo comprido foi de grande nota. Nos curtos a brega foi empolgante, levando o toiro embebido no cavalo. O toiro  tinha andamento e colheu o cavalo derrubando o mesmo, mas felizmente tudo não passou de um susto. O Miguel não virou a cara à luta e receitou a partir daí uma lide ainda de maiores quilates, os curtos tiveram verdade e raça, o público reconheceu o que se via na arena aplaudindo com força. Triunfo importante de Miguel em Évora.

Nas pegas, Évora e Coruche e tarde empolgante e muita valentia por parte dos dois grupos.

Abriu a corrida João Madeira numa boa pega à primeira tentativa, grupo a ajudar bem de princípio ao fim. Para o terceiro da corrida saltou Dinis Caeiro que à primeira tentativa também fez uma grande pega, novamente o grupo ajudou de forma coesa e a pega foi realizada. José Maria Caeiro saltou para a cara do quinto e realizou uma pega de muito mérito também à primeira tentativa. O toiro vinha a passo sem querer romper, o forcado aguentou a investida incerta e mostrou galhardia ao fechando-se bem com o grupo a fazer tudo bem feito.

Por Coruche para a cara do primeiro saltou Tiago Gonçalves que saiu maltratado depois de ter aguentado um derrote muito violento do Palha. Para a dobra foi Fábio Casinhas que lhe teve que bater mais duas vezes as palmas, o grupo formou mais carregado e foi resolvido um problema. António Tomás pegou o quarto da ordem à segunda tentativa, numa boa pega. Na primeira o toiro derrotou com violenta e era quase impossível o cara aguentar tamanhos derrotes. Fechou a corrida João Prates que à segunda tentativa realizou uma grande pega. Fechando assim a tarde com chave de ouro.

No fim da lide do sexto toiro o maioral da ganadaria Palha foi chamado à arena pela directora de corrida.

Dirigiu a corrida Maria Florindo, sendo a médica veterinária Ana Gomes.

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