Infiel um dia, infiel sempre? Um estudo com mais de 400 pessoas revela os mecanismos da infidelidade em série e não coloca ponto no final

Nos relações amorosas são frequentemente marcadas por padrões que se repetem, independentemente do parceiro. As experiências passadas desempenham um papel significativo na forma como cada um aborda os relacionamentos futuros. Há vários ditados que circulam sobre o tema, como “infiel um dia, infiel sempre”, mas nem todos têm bases científicas sólidas. O fenómeno da repetição de comportamentos amorosos tem intrigado psicólogos ao longo do tempo.

Várias investigações estão a testar essas ideias populares em contraste com tendências que se observam realmente. Um foco especial tem sido dado à infidelidade e à sua possibilidade de recorrência.

A expressão “infiel um dia, infiel sempre” pode soar clichê, mas alguns estudos indicam que pode registar uma parte da verdade. Em 2017, investigadores da Universidade de Denver conduziram um estudo que analisou a relação entre a infidelidade em um relacionamento anterior e a probabilidade de reincidência em uma nova relação. A equipa acompanhou 484 jovens adultos anglófonos nos Estados Unidos, recolhendo dados sobre o seu histórico amoroso através de questionários.

Os resultados revelam que **padrões comportamentais** tendem a se repetir. Aqueles que já foram infiéis mostram uma maior propensão a repetirem essa conduta em futuras relações. Igualmente, os indivíduos que foram traídos têm uma maior probabilidade de experienciar situações semelhantes no futuro.

Infiel um dia, infiel sempre? Os riscos de repetição dos comportamentos

Imagens Freepik e Pexels

Os investigadores descobriram que uma pessoa tem cerca de **três vezes mais probabilidades** de ser infiel se já o foi anteriormente. Da mesma forma, quem já foi traído ou suspeitou de infidelidade numa relação anterior apresenta duas a quatro vezes mais probabilidades de experimentar uma situação semelhante no futuro.

“**O passado tem um papel importante nas relações**”, disse Kayla Knopp, que dirigiu o estudo, durante o seu doutoramento em psicologia clínica na Universidade de Denver. Em um comunicado de 2018, afirmou: “As nossas ações em cada etapa da nossa história amorosa influenciam o que vem a seguir, seja em termos de infidelidade, coabitação ou outros comportamentos relacionais. Este passado tende a deixar uma marca duradoura.”

A especialista em compromisso amoroso investigou a literatura científica sobre a infidelidade e notou uma ausência de dados sobre a infidelidade “em série”, ou seja, a tendência de reproduzir comportamentos infiéis de uma relação para outra.

Uma questão permanece: uma pessoa infiel é mais propensa a repetir o erro?

Para abordar esta questão, Knopp baseou-se em dados recolhidos ao longo de cinco anos por professores de psicologia como Galena Rhoades, Howard Markman e Scott Stanley. Esta colaboração na Universidade de Denver envolveu o acompanhamento de cerca de 1.600 indivíduos nas suas diversas relações, analisando a evolução dos seus comportamentos amorosos.

Os resultados do estudo revelam várias tendências:

– Uma pessoa que já foi infiel tem aproximadamente **três vezes mais chances** de voltar a ser infiel em um relacionamento futuro.

– Alguém que já foi traído ou suspeitou de infidelidade tem **duas a quatro vezes mais probabilidade** de reviver uma situação semelhante no futuro.

Tanto homens como mulheres são igualmente propensos a serem autores ou vítimas de infidelidade.

A probabilidade de um indivíduo ser infiel não depende de um único fator, mas de um conjunto de variáveis que combinam o contexto relacional, o ambiente social, valores culturais e as oportunidades que surgem.

Embora esses resultados possam soar desanimadores para quem está a explorar novas relações, os autores enfatizam que tratam-se de tendências estatísticas e não de destinos inevitáveis. Mesmo que certos padrões se repitam, muitas pessoas conseguem construir **relações diferentes** e romper com essas dinâmicas.

Uma repetição dos padrões, mas não uma fatalidade

“Quer seja o autor da infidelidade ou a vítima, estas experiências têm mais chances de se repetir do que de desaparecer completamente”, comentou Kayla Knopp. “Contudo, muitas pessoas conseguem quebrar esses padrões e alterar o seu percurso relacional.”

Ela acrescenta ainda:

“Não quero insinuar que a responsabilidade caia apenas sobre uma pessoa quando ocorre uma infidelidade, pois todos desempenham um papel na dinâmica do casal. Para aqueles afetados, pode ser útil refletir sobre os elementos que podem influenciar a repetição dessas situações.”

Finalizando, ela expressa: “Espero que, ao identificar os fatores de risco, possamos proporcionar às pessoas uma visão mais clara, compreensão e controle sobre a sua vida amorosa.”

Considerações sobre infiel um dia, infiel sempre?

Os resultados indicam que a infidelidade não é um fenómeno completamente aleatório, mas sim um comportamento que pode surgir de padrões que se repetem ao longo das relações. O histórico amoroso, ser traído ou ter traído, parece influenciar como os indivíduos vivem os seus futuros relacionamentos.

No entanto, essas **tendências não devem ser vistas como fatalidades**. Elas refletem probabilidades observadas em grupos amplos, e não trajetórias individuais inevitáveis. Cada relação é influenciada por escolhas pessoais, contextos únicos e pela capacidade de cada um de **evoluir**.

Assim, enquanto o passado pode deixar uma marca, não determina inteiramente o futuro amoroso.

Este artigo é apresentado como informação e reflexão. Não substitui em nenhum caso um conselho médico, psicológico ou profissional. As noções apresentadas baseiam-se em pesquisas publicadas, assim como em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, recomenda-se a consulta a um profissional qualificado.



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