Homenagem, mais do que merecida a Um Grande Senhor, Francisco Penedo

Crónica

08.09.2019

Praça de Toiros de Sobral de Monte Agraço

Corrida de Toiros

Cavaleiros:

Luís Rouxinol

Ana Batista

Duarte Pinto

António Brito Paes

Manuel Telles Bastos

Luís Rouxinol  Jr

 

Grupos de Forcados Amadores de Lisboa e Coruche, capitaneados respectivamente, por Pedro Maria Gomes e José Macedo Tomás

Seis Toiros da Ganadaria : Canas de Vigouroux

 

Anunciada como a 13 ª Grande Corrida de toiros da Auto Agrícola Sobralense e de homenagem póstuma a esse grande homem, aficionado, apoderado e empresário Francisco Penedo, a monumental do Sobral de Monte Agraço, registou uma bonita enchente, como desejaria o homenageado.

Durante as cortesias, foi guardado um minuto de silêncio, em memória de Francisco Penedo, bem como a anteceder o espectáculo, foi descerrada uma placa, junto à porta dos cavalos e tecidas umas breves palavras sobre o homenageado.

 

O curro de Canas de Vigouroux, estava bem apresentado e registou comportamentos díspares, foram potáveis o primeiro e quinto, colaborante o sexto e destaque pela negativa o segundo.

 

Abriu a função o cavaleiro de Pegões, Luís Rouxinol, que tal como todos os restantes, brindou a sua lide ao homenageado e à família. Luís frente a um Canas colaborante, desenvolveu o seu toureio, assente numa brega apurada e uma cravagem certeira, escutou musica e terminou com um ferro de palmo e o já celebre par de bandarilhas.

No final foi premiado com volta à arena, na companhia do forcado.

 

Ana Batista, não foi feliz com o adversário que lhe coube em sorte, distraído para o cavalo, mais parecia mexido, pelo que a cavaleira de Salvaterra de Magos, teve que porfiar bastante, para deixar a ferragem da ordem, dois compridos e três curtos, porque de resto , pouco ou nada mais havia a fazer. Após alguma indecisão do senhor diretor de corrida em autorizar a volta à arena, lá acabou por conceder e Ana deu volta acompanhada do forcado de turno.

 

O terceiro da ordem foi lidado por António Maria Brito Paes, dois compridos a abrir, muda de montada e já com as bandarilhas curtas e ao som dos acordes musicais, deixou quatro ferros curtos e um de palmo, que foi do agrado do público.

 

A  segunda parte do espectáculo, começou com a prestação de Manuel Telles Bastos, que teve pela frente um Canas, que nunca se entregou, reservado até ao fim, que o digam os forcados de Coruche. Mesmo assim, Manuel deixou a sua marca em três cingidas tiras, nos compridos e com adversário a descair para tábuas, lá foi colocando a ferragem curta, sem comprometer em demasia as montadas, mas acabou por não dar volta à arena em virtude, dos problemas e tempo que o manso Canas, colocou aos forcados.

 

Duarte Pinto, teve pela frente um dos tais potáveis e não pediu licença, para explanar o seu toureio clássico e emotivo, cravou dois compridos, cinco curtos, que resultaram em pleno, muito do agrado do conclave. Viu o seu labor reconhecido e deu volta no final.

 

E a máxima de que os últimos são os primeiros, aqui no Sobral, assenta que nem uma luva, Luís Rouxinol Jr um dos últimos ginetes que Francisco Penedo, apoderou, conjuntamente com o seu pai, ao entrar em praça deixou no centro do ruedo, um pequeno ramo de flores brancas, brindou aos céus e à família (viúva e filha), e esperou no centro da praça, pelo Canas, a sorte de gaiola só não resultou em pleno, devido à colocação traseira e descaída do ferro, mas foi com as bandarilhas, que veio ao de cima todo o génio taurino do jovem de Pegões. Cinco curtos, um deles em sorte de violino, e dois pares de bandarilhas, bastaram para confirmar  um saboroso triunfo, frente a um Canas, que colaborou bastante, reforçando o valor da prestação do jovem Luís.

 

A competição entre as jaquetas de Lisboa e Coruche, resultou emotiva com alguns momentos de dureza. Assim pelos Amadores de Lisboa, o cabo Pedro Maria Gomes, escalou para o primeiro toiro, o Mário Real, que consumou uma pega fácil, à primeira tentativa, bem ajudado por todo o grupo. O segundo toiro, terceiro da ordem, foi pegado por Daniel Batalha, também à primeira tentativa, de forma eficaz. A fechar a prestação dos Amadores de Lisboa, foi escolhido o Nuno Santos, que ao primeiro intento, resolveu a papeleta, de forma fácil e eficaz, respondendo o grupo com uma excelente coesão.

 

Pelos Amadores de Coruche, abriu praça o jovem António Tomás, um forcado poderoso, que à primeira tentativa resolveu o problema. O segundo, quarto da ordem, o tal reservon, apenas consentiu a primeira tentativa, através do forcado João Ferreira Prates, que após um derrote alto e violento, acabou por sair inanimado, sendo substituído por Vítor Cardante, que realizou três duríssimas tentativas, lutando contra tudo e contra todos, acabando também por sair derrotado, para a enfermaria, o Canas, acabou por ser pegado à sexta tentativa pelo forcado Luís Carvalho em curto e com o grupo em bloco. Encerrou o labor dos Amadores de Coruche, o cabo José Tomás, ao primeiro intento, numa pega à córnea, em que o grupo reagiu prontamente  e de forma coesa.

 

A corrida terminou com todos os intervenientes em praça, cavaleiros, forcados, bandarilheiros e campinos, que num gesto carregado de simbolismo e emotividade, brindaram aos céus, à memória de Francisco Penedo, que ficou certamente orgulhoso, do que se passou nesta tarde, na arena do Sobral.

 

A direcção da corrida esteve a cargo do delegado João Cantinho, assessorado pelo médico veterinário José Manel Lourenço e pelo cornetim José Henriques, abrilhantou o festejo a Banda Imparcial 15 de Janeiro de Alcochete.

 

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