GFA de Alcochete e Rouxinol Jr. geniais em tarde de bodas de ouro

A 25 de Junho de 1971, nasce o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, Gregório Bolota, José Barrinha da Cruz, Francisco Sequeira, Aníbal Pinto, Alberto Silva, José Pinto, Estêvão de Oliveira, Filipe Sequeira, Manuel Pinto, João Mimo, Augusto Henrique de Oliveira e João Rei entre outros começaram a escrever uma história grandiosa na forcadagem, em Alcochete, Portugal e no Mundo. Ontem foram comemoradas as bodas de ouro dos Amadores. Parabéns! E com a cor de te tão precioso metal os Amadores de Alcochete escreveram mais uma página genial da sua história. Que tarde de pegas, lides e toiros. Quem foi a Alcochete ontem 16 de Outubro do ano 21 assistiu a uma grande corrida de toiros, deu o seu tempo por bem empregue, saiu contente e feliz de um espectáculo que ficará na história desta temporada.

 

Numa semana que a doutrina dos “flower power” de uma sociedade infantil e asséptica que repudia e nega qualquer expressão estética capaz de expô-la e lhe foge das mãos uma vez mais atacou… Alcochete deu a resposta e quase encheu as bancadas da sua praça de toiros.  Como já o escrevi a ignorância do ser humano costuma dar lugar a uma ousadia miserável… E nesta sociedade em que vivemos existem uns quantos pseudo ousados que nos querem castrar direitos culturais enraizados por séculos dos nossos povos… Agora foram as crianças as “sacrificadas”. Todos os anos, uma e outra vez com uma pontualidade quase “litúrgica” aparecem os ataques à Festa que são tão previsíveis como o Advento, o São João, a Quaresma ou a Festa do Avante. Agora cada vez que o governo de Costa têm que aprovar um orçamento lá vêm o PAN e afins tentar impor a sua ideologia…  Numa sociedade que humanizamos os animais e desumanizamos os homens. Querem nos impor  uma cultura inodora, incolor e insípida e de rebanho. Tanta correção, tanto proibicionismo e tanta prudência mentirosa quer nos castrar a liberdade, o sermos livres, o sermos nós próprios. Agora querem castrar a liberdade das próprias crianças, jovens e dos pais de decidirem sobre as suas próprias vidas. Medo, muito medo, não se esqueçam que os maiores castradores de liberdades foram os maiores animalistas da história do nosso mundo! Nem aqui vou escrever o nome de tal gente…

 

Foram lidados seis toiros de David Ribeiro Telles, todos negros de capa, grandes e pesados, de diferente tipo e comportamento. O segundo foi recolhido aos currais por deficiências locomotoras e em seu lugar saiu em quinto o primeiro sobrero da corrida. O primeiro foi possivelmente o de menos transmissão da corrida, foi nobre, mansote mas não causou problemas de maior, não foi um mau toiro. O segundo a ser lidado, teve mobilidade, disponibilidade, humilhava pouco, mas teve rasgos de bravura assinaláveis. Bom toiro. O terceiro foi de bandeira! Dava pelo nome de “Roleco” marcado a fogo,com 36 e com 560kg, além de ser uma estampa de toiro, foi bravo. Teve mobilidade, ritmo, nobreza, casta, metia a cara nos capotes de maravilha, arrancava de praça a praça com alegria, toiro de vacas e certamente um dos toiros da temporada. O que saiu em quarto lugar era sério, teve rasgos de mansidão evidentes mas foi um toiro que se deixou lidar e proporcionou triunfo. O que fez quinto era o sobrero, também foi um toiro com mobilidade, tranco, que proporcionou uma boa lide, vindo a menos. O que fechou praça talvez poderá ter sido o menos claro da corrida, mais reservado e ao qual lhe custou romper.

 

A tarde era de Festa para os Amadores de Alcochete e por eles começo esta minha descrição do que vi. Ver nas cortesias uma arena cheia de forcados é bonito mas se virmos glórias passadas de sorrisos rasgados de orelha a orelha a reviver momentos grandiosos das suas vidas isso para mim é um gozo total e penso para qualquer que goste de tauromaquia. Não sei quantos eram naquela arena… Certamente todos os que algum dia vestiram a jaqueta das ramagens deste grupo… Fisicamente seriam certamente um cento mas na arena dos céus todos os outros fizeram as cortesias esta tarde. Néné um abraço… e se fizer favor estenda este abraço de parabéns a todos os outros que vestiram a jaqueta do seu grupo.

Estas tardes e noites de aniversário como já vem sendo hábito neste grupo são corridas de reviver o passado, os forcados actuais dão o palco às velhas glórias e são eles os protagonistas. Nas bancadas são contadas histórias e relembradas pegas heroicas pelos mais graúdos aos mais novos, isto também é a nossa Festa. Infelizmente não sei o nome de todos que ajudaram mas não quero de deixar de referir um, João Pedro Bolota esteve simplesmente genial a dar duas primeiras ajudas. Olé! Dando a volta a arena no fim das lides de segundo e sexto toiros.

Abriu praça o valente Ruben Duarte que sofreu um violento derrote e saiu inanimado da arena, felizmente acordou na enfermaria e viu o resto da corrida ao lado do grupo. Para a dobra foi Diogo Van Den Toorn, tendo que bater mais duas vezes as palmas ao JR. Na primeira o forcado recebeu o toiro em desequilíbrio e não se fechou devidamente, tendo saído, na sua segunda tentativa à barbela realizou uma boa pega com o grupo ajudar de forma coesa, destaque para a primeira ajuda de João Rei. Possivelmente esta corrida terá sido a tarde de despedida do Diogo das arenas, depois da volta o público presente aplaudiu fortemente este forcado no centro da arena pela trajetória grandiosa que teve nos Amadores de Alcochete.

Para a cara do segundo saltou Estevão Oleiro, forcado dos valentes onde os haja, velha glória da forcadagem, e à primeira tentativa pegou de forma brilhante o toiro, com o grupo a ajudar bem, destaque para João Pedro Bolota nas primeiras.

Escrever da terceira pega é falar de um hino à pega de cara… Vasco Pinto foi o protagonista da pega da tarde e sem dúvida uma das pegas da temporada… Bem a citar, a tentar procurar a atenção do toiro, a recuar, receber, para se fechar à barbela, ajuda genial de João Rei, o grupo a entrar a tempo, pega conseguida ao primeiro intento. Olé!

João Machacaz pegou o quarto da corrida, possivelmente o toiro mais complicado para a pega, por condição e por ter uma cara mais fechada. O João esteve bem em todos os tempos da pega, desde o citar a reunir, mas o toiro cá atrás antes do grupo entrar de forma coesa derrotou tirando o forcado da cara, o João conseguiu-se emendar com a ajuda do grupo e a pega foi consumada à primeira tentativa.

Bruno Pardal foi para a cara do quinto, com 600kg, um comboio de toiro… Teve que lhe bater as palmas três vezes e suportar fortes derrotes, à terceira com uma grande ajuda de Diogo Toorn a pega foi conseguida.

Para a cara do último saltou o único forcado actual escolhido primeiramente para pegar um toiro esta tarde, Manuel Pinto. Outra grande pega deste forcado… O Manuel é um forcado de mão cheia, tudo bem feito de princípio a fim, João Pedro Bolota voltou a dar uma primeira ajuda simplesmente abrumadora… Bem o grupo a ajudar e a pega foi concretizada à primeira tentativa. Fechando assim mais uma corrida histórica em dia de comemoração de Grupo de Forcados de primeira linha, 50 anos de História, 50 anos de Glória.

 

Os cavaleiros em praça nesta tarde limaram defeitos e sublinharam as virtudes dos seus oponentes, realizando boas lides, com destaque maior à realizada ao terceiro da tarde sendo o protagonista Luís Rouxinol Jr. atrevendo-me a escrever que é a sua melhor lide de sempre, simplesmente genial.

Luís Rouxinol abriu a tarde com uma boa lide, como escrevi anteriormente teve por diante um toiro, mansote, nobre que pedia muito por parte do cavaleiro. Rouxinol percebeu o Ribeiro Telles e recitou-lhe a lide adequada, bem a lidar, a rematar a sortes e a cravar. Destaque maior para o segundo comprido, segundo ferro curto cravando ao estribo, rematando o mesmo de forma espectacular com o Douro, também o terceiro foi de boa nota. Rematou a lide um um grande palmo consentindo muito o toiro no momento da sorte e um bom par de bandarilhas.

Gilberto Filipe era o segundo cavaleiro de alternativa nesta tarde, viu o toiro que lhe calhou em sorte ser devolvido aos currais, lidando o sobrero em quinto lugar. Grande actuação de Gilberto, bem nos compridos e nos curtos chegou fortemente às bancadas, lide movimentada, sem tempos mortos, cravando bons ferros, com destaque para o quarto. Mais uma boa actuação deste cavaleiro que apesar de uma temporada curta, foi intensa e que se pautou por grandes lides.  Bonito foi o gesto deste cavaleiro ao brindar um ferro a um miúdo que tinha um cartaz com a seguinte mensagem: “Não me tirem o direito de vir aos toiros”. Olé!

O terceiro ginete em praça foi Filipe Gonçalves que realizou uma boa actuação na arena de Alcochete. Lide variada, bem a mexer no toiro e a rematar as sorte. Cravou bons ferros, destaque para o segundo da sua actuação, aproveitou a acometida larga do David, e em terrenos de compromisso cravou de alto a baixo um dos ferros da corrida. Rematou a lide com um grande par de bandarilhas entrando pelo toiro dentro e um palmo, o público gostou do visto e aplaudiu com força esta actuação de Filipe.

Saiu em terceiro lugar o bravo “Roleco” e Luís Rouxinol bordou o bom toureio a cavalo. Lide histórica deste cavaleiro de Pegões. Bem nos compridos, lidando para mostrar os caminhos ao toiro. Nos curtos as palmas fizeram fumo e o público de pé aclamava o que via. O segundo curto foi do outro mundo,  de praça a praça o cavaleiro cita, o toiro arranca, o Luís aguenta a acometida do bravo, e junto às tábuas num momento emocionante cravou um ferro magnífico, os presentes pareciam que tinham molas nos assentos e de pé ovacionaram o visto. Repetiu a dose, sempre dando vantagens ao oponente, aguentando uma barbaridade, cravando ferros cheios de verdade e emoção, remantando os mesmos de forma vibrante. Olé! Duas voltas à arena, com forcado, ajuda e o ganadero João Ribeiro Telles.

António Prates tocou-lhe em sorte um manso, mas que apesar das querenças e o tentar fugir da arena, saltando as tábuas, deixou-se lidar e proporcionou uma boa lide ao cavaleiro. Prates brindou ao filho do ganadero José Dias, um dos campinos desta corrida, que recentemente faleceu e aos céus. A lide foi em crescendo acabando em plano de triunfo. Bem nos compridos, bregando de forma concisa, preparando bem as sortes, atacando o oponente, cravando bons curtos, bonitos foram os remates e o ladeio exibido. O quarto curto foi de grande nota, rematou a lide com dois palmitos, o sendo segundo em sorte de violino. O público gostou do visto e não lhe regateou as palmas.

Tristão Ribeiro Telles foi o encarregado de fechar o capítulo das lides equestres, este jovem jinete, fazia a sua apresentação em público de casaca e tricórnio,  foi escolhida para a ocasião uma bordeaux, bordada a ouro e com remates em negro. A lide teve altos e baixos… Alguns ferros falhados, e algum toque na montada foram os baixos… Mas o Tristão não se deixou condicionar pelo mau e quando entendeu os terrenos e distâncias do toiro a lide subiu de tom, acabando a mesma com um ferro curto com o que mostrou o cavaleiro que é e o que tem para mostrar nesta nobre arte de bem tourear a cavalo. Grande ferro!

 

No início da corrida foi guardado um minuto de silêncio em memória do ganadero José Dias. O presidente da Câmara Municipal prestou homenagem do Município aos Amadores de Alcochete na comemoração das suas bodas de ouro na arena. No intervalo foi descerrada uma lápide no interior da praça em que se assinala a data comemorada no dia de ontem.

 

Dirigiu a corrida João Cantinho, sendo o médico veterinário Hugo Rosa.

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