Évora vestiu de Gala!

A imensidão da planície, que se estende a perder de vista, apresenta-se em constante mutação e os seus tons encantam – qualquer que seja a estação. No entanto, a Primavera é um puro deleite aos sentidos… a cor impregna uma paisagem de pura sedução. Chegam as andorinhas que adornam os beirais dos telhados; chegam as cegonhas e ampliam a população residente… luz, vida e cor dão novo alento à planície. O Alentejo cheira a história, a cultura e património… sabe a mel, migas, secretos e vinho. Cheira a poejo e rosmaninho… Évora “dá para contar mil e uma histórias”. É esse um dos seus “encantos” e nisto dos toiros é um dos altares da nossa Festa.. A tauromaquia está presente nas tradições mais antigas e populares de uma forma tão exacerbada que não pode ser dissociada do ser e sentir eborense. No sábado passado, 23 de Março Évora viveu um dia em cheio! De manhã à noite, forasteiros e locais poderam ver de manhã o tradicional concurso de cernelhas, de tarde o primeiro Festival Taurino da associação da Gala da Tauromaquia e noite fora uma Festa marca Coparias.

Três grandes e dinâmicos aficionados Francisco Mira, Diogo Van Den Toorn e Nuno Santana decidiram empregar algum do seu tempo numa das paixões pessoais, a Tauromaquia. E em boa hora o fizeram! Nasceu a Gala da Tauromaquia em 2021 um evento com uma energia e propósito renovado, nisto da Festa dos Toiros.Um dos seus propósitos era a organização de um Festival anual e em 2024 foi o primeiro! Cartel de Figuras de nomeados e vencedores das galas já realizadas, uma seleção de Antigas Glórias da Forcadagem, sendo lidados novilhos de várias ganadarias. ao que o público correspondeu e de que maneira, praça cheia à vista! Mais concretamente 90% da lotação preenchida. Quem foi a Évora deu o seu tempo por bem empregue e viu grandes momentos de toureio, grandes pegas e a bravura de alguns dos exemplares lidados.

Bem apresentados todos os novilhos desta tarde! Abriu a tarde exemplar de Irmãos Moura Caetano, nobre, com mobilidade, classe e recorrido, em suma bravo! O segundo tinha o ferro de Alves Inácio foi o menos bom dos lidados a cavalo, teve menos entrega e veio a menos; De David Ribeiro Telles foi o bonito terceiro, teve raça, recorrido. arrancou de largo e proporcionou o triunfo, também ele bravo; O quarto também tinha o ferro de Alves Inácio, teve nobreza, mobilidade, durabilidade outro bom novilho; O bonito Murteira Grave saído em quinto lugar ao rematar num burladero partiu um dos cornos, sendo recolhido aos currais. De seguida saiu o que estava destinado a fechar a tarde, tinha o ferro de Calejo Pires, veio de mais a menos, as forças não o acompanharam… Pela direita iniciava bem as investidas mas não rompeu, pela esquerda não foi fácil… Fechou a tarde um sobrero com o ferro de Murteira Grave, teve raça, foi exigente mas teve pouca entrega.

João Moura Caetano realizou uma grande lide a abrir a tarde eborense, possivelmente a melhor que lhe vi nesta arena alentejana! O João andou a gosto tanto nos compridos como nos curtos, sendo senhor de uma grande brega, havendo bonitos e sentidos recortes toureiro na cara do oponente, rematando as sortes de forma sublime. Ou seja, toureou de saída, cravou a preceito, ligando as sortes num compêndio quase perfeito. O público reconheceu o feito não lhe regateando os aplausos.

João Moura Jr. também teve uma boa passagem pela cidade museu, andou correcto nos compridos, abrindo os caminhos a um novilho que se mostrou mais remisso a romper… Nos curtos houve bons momentos de toureio, tanto na brega como no momento de cravar, rematando as sortes de forma bonita. Finalizou a sua lide da melhor forma com dois palmitos exuberantes e ajustados cravados no alto do morrilho do novilho de Alves Inácio.

João Ribeiro Telles, foi autor de uma grande lide! Bem nos compridos dando vantagens ao oponente. Nos curtos a lide foi sempre a crescer cravando grandes curtos, preparando bem as sortes e rematando as mesmas com sabor toureiro. Com o cavalo Ilusionista veio a explosão levantado o público das bancadas. O primeiro foi brutal, entrando em terrenos de compromisso e cravando um ferro soberbo, com o público a pedir mais João acedeu e depois de um par de passagens em falso, cravou novamente outro grande ferro.

Francisco Palha foi o encarregue de fechar a parte do toureio a cavalo nesta tarde, e Évora viu outra grande lide! Nos compridos disse ao que vinha, cravando a preceito, bregando com sabedoria. Nos curtos os ferros tiveram verdade e risco, entrando em terrenos apertados, fazendo vibrar os presentes com o seu toureio. Rematou as sortes com bonitos momentos de toureio, levando toureado e templando o bom novilho que lhe tocou em sorte.

O matador de toiros Manuel Dias Gomes teve que parar dois novilhos de Murteira Grave, já que o titular foi devolvido aos currais. Recebeu o primeiro por verónicas e o sobrero com uma larga cambiada, seguindo-se um ramilhete de verónicas, rematadas com meia. Na faena de muleta o matador correu a mão com mando por baixo, tentando submeter as investidas por vezes bruscas do novilho de Galena. Algumas tandas em redondo pela direita, rematadas por passes de peito, fizeram o público aplaudir com força o feito na arena pelo Manel. Pela esquerda, um par de naturais soltos tiveram garbo. Faena de mérito diante de um novilho que “vendeu cara a sua morte”!

O novilheiro Tomás Bastos foi autor de uma lide variada que chegou às bancadas. Recebeu com verónicas, duas meias e larga, o castanho de Calejo Pires. Cravou bandarilhas, destaque para o segundo par. Na muleta houve bons momentos de toureio pela direita, correndo a mão e levando o novilho em redondo, rematando as séries com passes de peito. Pela esquerda a faena não rompeu, o oponente repunha e ficava curto. Rematou a lide por manoletinas, sendo prendido o novilheiro de forma aparatosa mas felizmente sem consequências.

Um dos grandes atrativos deste cartel eborense era a seleção de Antigas Glórias da Forcadagem, muitos dos presentes tiveram o prazer de ver pela primeira vez fardados e pegar nomes maiores da nossa Festa! A juventude era muita nas bancadas. Os mais velhos recordar tantas tardes e noites passadas protagonizadas por nomes como Armando Raimundo (GFA Évora), Carlos Teles (GFA Vila Franca), Joaquim Grave (GFA Santarém), António José Pinto (GFA Alcochete), Nuno Megre (GFA Santarém), José Luís Gomes (GFA Lisboa), Pedro Coelho dos Reis (Aposento das Chamusca), Ntinu Wene (Aposento da Moita), António José Garcia (RGFA Moura), Amorim Ribeiro Lopes (GFA Coruche), Nuno Marques (GFA Chamusca), Francisco Garcia (GFA Évora), Ricardo Campos (RGFA Moura), Luís Segão (GFA Lisboa), Rui Piteira (GFA São Manços), Gonçalo Mira (GFA Évora), Rene Tirado (GFA México), Ricardo Castelo (GFA Vila Franca), João Camejo (Aposento da Moita), João Lucas (GFA Lisboa), Helénio Melo (GFA TT Terceirense), Daniel Santiago (GFA AP Barrete Verde de Alcochete), Vasco Costa (GFA Évora), Vasco Pinto (GFA Alcochete), João Rei (GFA Alcochete), Mário Rosa (GFA Coruche), João Pedro Silva (GFA Vila Franca de Xira), José Marques (RGFA Moura), Francisco Mira (GFA Lisboa), António Alfacinha (GFA Évora), Bruno Casquinha (GFA Vila Franca de Xira), Bernardo Balé (GFA Aposento da Moita), Ricardo Tavares (GFA Santarém), André Matos (GFA Vila Franca de Xira), João Mota Ferreira (GFA Lisboa), Diogo Van Den Toorn (GFA Alcochete).

Superior tiveram todos os forcados que ajudaram, rabejaram e pegaram de caras os novilhos desta tarde!

Abriu a corrida Nuno Marques, e que dizer desta pega?! Perfeita! O forcado da cara citou com garbo, mandou na investida, recebeu bonito, bem ajudar o grupo e Carlos Telles a rabejar levantou a praça.

Francisco Mira, grande pega à primeira tentativa, o sorriso com que saiu da cara do novilho pode ser a descrição perfeita da sua pega! Tudo bem feito como nos tempos áureos da sua carreira como forcado.

Vasco Pinto, diante do encastado David Ribeiro Telles, mostrou a arte de bem pegar toiros de caras! Pega soberba de um dos grandes nesta arte tão nossa!

Gonçalo Mira, fechou a tarde levantando as bancadas da capital do forcado. Bem a citar, recuar, reunir, fechado de forma soberba como uma lapa. Foi protagonista de outro grande momento desta tarde magnifica de toiros.

No início da corrida foi guardado um minuto de silêncio por todos os falecidos durante o defeso.

Dirigiu a corrida Maria Florindo sendo o médico veterinário Carlos Santana.

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