A evolução do toiro de lide explicada por um biólogo

O biólogo Fernando Gil-Cabrera explicou à rádio COPE o porquê de uns toiros investirem enquanto outros tentam fugir da praça saltando as barreiras.

“O toiro de lide não se parece com nenhum outro herbívoro porque tem essa capacidade de investir”, explicou o biólogo. Segundo Gil-Cabrera, a razão não é estarem fechados numa arena, como dizem os antitaurinos. “Comprovámos numa faena das ganadarias como é o tentadeiro a campo aberto. Observámos como o animal vai ter com um cavalo maior que ele a quarenta metros de distância.”

Isto, diz o biólogo, não é algo comum na Natureza; principalmente quando, mesmo depois de receber um estímulo que lhe causa dor, volta a investir de novo. Para os ganadeiros, este é um milagre conseguido ao longo dos anos.

Com esta evolução, explica Gil-Cabrera, evolui também o toureio. “Estamos num ponto em que estamos perante o toiro mais bravo da história”, diz; este é “o animal mais bem adaptado fisiologicamente à lide”.

Como faz notar o biólogo, já quase não existem as bandarilhas negras, que pretendiam castigar a ganadaria quando o toiro não podia ser picado normalmente por ser demasiado manso. “Podemos falar de estar perante o toiro mais nobre da história”, afirma Fernando.

Esta bravura, segundo biólogo, deve-se a “um cocktail de hormonas a que nos podemos agarrar” e que assenta em dois pilares fundamentais: a capacidade de resposta ao stress (relacionada com a libertação de adrenalina e cortisol, que prepara o toiro para lutar ou fugir) e as endorfinas, que modulam a dor. As endorfinas bloqueiam os receptores de dor. “Isso acontece no toiro de lide e está demonstrado cientificamente.”

São as endorfinas que respondem à pergunta sobre se o toiro sente dor durante a lide. O comportamento das hormonas, explica Gil-Cabrera, foi estudado, e concluiu-se que actuam no toiro indo aos estímulos da dor. “Ele supera-os através da bravura.”

Mas há outros factores a terem impacto no comportamento do toiro, segundo o biólogo: quanto mais controlados estiverem os factores ambientais, mais o ganadeiro consegue controlar a lide.

Outro pilar fundamental do comportamento do toiro, que é notável na análise de diferentes ganadarias, é a fisiologia da agressividade. “Temos estudado porque é que um animal é agressivo e que neurotransmissores têm influência. Temos a dopamina e a serotonina. A dopamina está em pessoas que são mais valentes e está presente em toiros com mais agressividade e que investem com mais ganância. A serotonina inibe essa agressividade; se houver mais, o toiro investirá menos.”

O biólogo explicou que os níveis de serotonina variam com o encaste, sendo mais baixos no caso de Urcola, Veja-Villar, Graciliano e Albaserrada, por exemplo. Assim, os ganadeiros foram seleccionando toiros mais agressivos, como Domecq, Núñez, Murube e Atanasio, entre outros.

 

 

 

 

 

Fotografia: Ganadaria Victorino Martín

 

 

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