Numa época não muito distante, as regras de etiqueta eram pilares fundamentais na educação das crianças. Cumprimentar, agradecer, ouvir o próximo e comportar-se à mesa eram comportamentos naturalmente transmitidos de geração em geração. Contudo, atualmente, essas pequenas atenções parecem estar em declínio no cotidiano. Nos espaços públicos, é comum observar comportamentos que outrora eram considerados como falta de respeito. Muitos pais questionam se as novas gerações ainda recebem os mesmos ensinamentos de antes. Para além das regras de cortesia, as boas maneiras são essenciais para a construção do respeito mútuo.
Num café ou durante um jantar em família, não é raro ver uma criança imersa no seu telemóvel, interrompendo os adultos ou negligenciando as normas básicas de educação. Alguns pais, quando estão excessivamente ocupados ou simplesmente habituados a tais comportamentos, intervêm raramente quando os seus filhos adotam atitudes inapropriadas. Ver um jovem falar com a boca cheia, não cumprimentar quem encontra ou desatender o que o rodeia pode transmitir a ideia de que certos valores se estão a perder.
A evolução dos comportamentos levanta frequentemente a questão: as boas maneiras estão a desaparecer?
Embora as crianças de hoje não precisem de seguir todas as regras rígidas de épocas passadas, aprender sobre respeito, escuta e cortesia continua a ser fundamental.
De acordo com o Ministério da Educação, o respeito é uma competência essencial que os alunos devem adquirir para conseguir ter sucesso no seu percurso escolar, construir o seu futuro pessoal e profissional e viver em harmonia na sociedade. Mesmo que as regras de etiqueta tenham evoluído com o tempo, ensinar às crianças sobre respeito, escuta e responsabilidade continua a ser uma parte crucial da sua educação.
As boas maneiras não são apenas tradições obsoletas: são ferramentas que permitem às crianças conviverem melhor em sociedade, estabelecerem relações positivas e compreenderem a importância do respeito mútuo. Num mundo onde as interações se tornam cada vez mais rápidas e impessoais, estes valores simples permanecem mais significativos do que nunca.
As 11 boas maneiras de outrora que muitos pais deixam de transmitir aos seus filhos
1. Comportar-se adequadamente à mesa

Existem regras a observar quando se come num restaurante. Antigamente, novas maneiras de se comportar, como tirar os sapatos, apoiar os cotovelos na mesa ou consultar o telemóvel de forma contínua, resultariam na reprimenda de muitos. Lamentavelmente, os tempos mudaram e as novas gerações parecem ter perdido algumas práticas relacionadas às boas maneiras.
É um desapontamento, pois as boas maneiras à mesa continuam a ser essenciais no dia a dia. Seja para conhecer os pais do futuro companheiro ou para um jantar profissional, é importante adotar uma atitude correta para causar uma boa impressão. As boas maneiras à mesa também respeitam os outros convivas e mantêm um certo nível de higiene.
Aprender a comportar-se à mesa é, acima de tudo, dominar a impulsividade. Visto que a vontade e a autodisciplina são fatores reconhecidos de sucesso na vida, é vital cultivá-las. Pedir às crianças que se controlem à mesa é a melhor forma de ensinar-lhes essas qualidades.
2. Dirigir-se respeitosamente aos outros é uma boa maneira
Outra lição de boas maneiras que alguns pais parecem esquecer de ensinar aos seus filhos diz respeito à maneira como se dirigem aos outros. Independentemente da cultura, existe sempre uma forma respeitosa de falar com pessoas mais velhas ou com aquelas que se conhecem pouco.
Por exemplo, em certas regiões do mundo, é comum usar expressões como “Senhor” ou “Senhora” para demonstrar respeito. Embora isso possa parecer antiquado hoje em dia, utilizar estas fórmulas em algumas situações continua a ser uma marca de educação importante.
Em outras culturas, as crianças são habituadas a chamar os adultos próximos da família de “Tia” ou “Tio”, mesmo sem haver laços de parentesco. Apesar de as expressões variarem conforme as tradições, a intenção permanece a mesma: demonstrar respeito pelo interlocutor.
Estes gestos mostram que a criança entende que a pessoa à sua frente merece atenção e consideração. Dar e receber respeito é vital pois ajuda a sensação de segurança e a expressão. É um valor inestimável.
Artigos mais lidos em S & N:
3. Pedir licença em vez de pegar as coisas dos outros
Quando levamos crianças ao parque, pode ser embaraçoso vê-las pegar os brinquedos dos outros sem permissão. Embora seja normal que os mais novos queiram agarrar o que lhes desperta interesse, essas situações representam uma oportunidade ideal para lhes ensinar o valor do respeito e da partilha.
Pegar algo sem autorização ensina as crianças a ignorar os limites dos outros. Sem regras claras, este comportamento pode tornar-se um mau hábito. Se uma criança nunca aprender que deve pedir antes de pegar um objeto que não é seu, como poderá entender que este ato é inapropriado?
Felizmente, há maneiras de corrigir esse comportamento. A Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente sugere que, quando um pai surpreende o filho a pegar algo que não lhe pertence, deve: “dizer à criança que roubar é errado, ajudar a devolver o objeto e assegurar que não tenha qualquer benefício com esse ato.” Também recomenda evitar a moral nos discursos à criança e não fazer com que a criança pense que esse erro define sua personalidade. É melhor explicar que esse comportamento é inaceitável, proporcionando a oportunidade de aprender e melhorar.
4. Ser grato pelas pequenas coisas da vida é uma boa maneira
Pais de crianças que não aprenderam a apreciar o que têm podem enfrentar reações decepcionantes ou mesmo um falta de gratidão. Os presentes dispendiosos que oferecem perdem o seu valor, pois algumas crianças acabam por ver essas atenções como algo que têm direito, em vez de um gesto generoso.
Este comportamento pode parecer indelicado, mas também priva as crianças dos vários benefícios que a gratidão traz. O UCLA Health destaca que vários estudos realizados nas últimas décadas mostram que praticar gratidão pode reduzir a depressão, diminuir a ansiedade, promover uma melhor saúde cardíaca, melhorar o sono e reduzir o stress.
Ensinar uma criança a dizer obrigado não a torna apenas uma companhia mais agradável, mas também contribui para o seu bem-estar e desenvolvimento a longo prazo.
5. Deixar as pessoas terminar suas frases em vez de interromper

Outra lição de polidez esquecida por alguns pais é a importância de deixar os outros terminar de falar. Contudo, ser interrompido causa frustração a muitas pessoas e pode ser rapidamente percebido como um desrespeito.
É verdade que os mais pequenos, por vezes, não conseguem controlar o seu entusiasmo. Desejam partilhar as suas ideias de imediato e podem interromper sem má intenção.
No entanto, mesmo com crianças pequenas, é possível ensinar que esperar a sua vez para falar é uma demonstração de respeito, assim como fazem já com os seus colegas na escola.
Esta habilidade será útil não apenas na vida familiar, mas também nas suas relações com amigos, professores e, mais tarde, na vida profissional. Saber ouvir os outros é uma qualidade essencial que contribui para ser apreciado e respeitado.
6. Manter o contacto visual durante as conversas
Outra boa maneira que alguns pais esquecem de ensinar às suas crianças é o contacto visual. Muitas crianças têm dificuldade em olhar para a pessoa que está a falar, especialmente ao comunicar com adultos ou pessoas que não conhecem bem. No entanto, essa competência é importante para demonstrar respeito e desenvolver a autoconfiança.
Um estudo publicado na Frontiers in Psychology revelou que o contacto visual pode incentivar comportamentos prosociais, ou seja, motivar as pessoas a adotarem atitudes positivas em relação aos outros. As investigações também indicam que pode contribuir para melhorar a memória e a percepção social.
Embora possa parecer complicado no início, esta prática se transforma numa verdadeira vantagem ao crescer. Seja diante de professores, empregadores ou outra pessoa, ser capaz de manter um contacto visual com naturalidade transmite uma imagem de confiança e segurança.
7. Abrir a porta para os outros é uma boa maneira

Entre as boas maneiras que os pais de hoje parecem ter esquecido, destaca-se o simples gesto de segurar a porta aberta para os outros. Quando alguém está logo atrás de si, seja idoso, carregado de sacos ou apenas ocupado, é descortês deixar a porta fechar-se à sua frente sem dar atenção.
As crianças devem aprender a ser mais atentas às pessoas ao seu redor. Infelizmente, alguns pais parecem não dar a devida importância a essa pequena demonstração de respeito e gentileza.
Segurar a porta para a pessoa que o segue é um pequeno gesto que requer pouco esforço, mas demonstra uma grande atenção ao próximo. Se cada um de nós adotasse esta simples delicadeza, essas manifestações de respeito seriam transmitidas naturalmente, tornando o dia a dia mais agradável para todos.
As boas maneiras aprendem-se frequentemente através de pequenos gestos repetidos ao longo dos anos. Com o exemplo dos pais e algumas lembranças, as crianças acabam por se aperceber de que a polidez não se baseia apenas em normas, mas também na vontade de facilitar a vida das pessoas que as rodeiam.
8. Não usar palavrões e manter uma linguagem respeitosa em público
Antigamente, era considerado inapropriado, especialmente para as crianças, usar palavrões em público. Os pais exigiam que os seus filhos usassem um linguagem respeitosa e restringiam severamente o uso de linguagem chula, mesmo em casa. Hoje em dia, porém, essa regra parece ter suavizado.
Para aqueles que viram nas redes sociais vídeos de crianças a usar linguagem imprópria, isso não é surpreendente. Alguns pais mantêm-se à distância, divertindo-se com a situação, sem advertir o filho de que esse tipo de linguagem pode ser inadequada.
Pode parecer engraçado quando se trata de crianças muito pequenas, mas ao crescer, a questão é: saberão diferenciar entre uma linguagem apropriada e conversas impróprias?
Infelizmente, esse comportamento não é tão insignificante quanto parece. Pesquisadores da Universidade Estadual do Sul de Connecticut descobriram que pessoas que usam frequentemente linguagem ofensiva podem ser percebidas como menos inteligentes, menos confiáveis, menos sociais e mais ofensivas. Como pais, parece um erro deixar que o seu filho entre na vida adulta com uma imagem negativa associada à forma como se expressa.
9. Limpar depois de si e respeitar os espaços comuns é uma boa maneira

A maioria das pessoas já viu crianças deixarem o lixo num parque, praia ou espaço público, sem parecerem preocupar-se. Embora seja normal que os mais novos por vezes esqueçam as suas coisas ou não se lembrem imediatamente de apanhar o que deixaram para trás, é lamentável ver alguns pais ignorarem essa atitude em vez de explicarem às crianças a importância de manter os locais limpos.
Frequentemente, os pais habituam-se a apanhar o lixo dos filhos muito depois de estes já serem suficientemente grandes para aprender a fazê-lo sós. Contudo, essa abordagem não resolve o problema, pois a criança nunca compreenderá realmente porque este gesto é importante.
Segundo o Ministério da Transição Ecológica, resíduos deixados na natureza podem chegar a cursos de água e a ambientes marinhos, onde representam uma ameaça para ecossistemas e biodiversidade. Os resíduos marinhos podem transportar poluentes, afetar animais, e degradar habitats naturais.
Esta má prática não é apenas prejudicial para o planeta: também priva as crianças de uma oportunidade fundamental de aprender sobre responsabilidade, respeito pelo meio ambiente e as consequências dos seus atos.
Por exemplo, um pai pode perguntar:
« Imaginemos o que acontece quando esses resíduos vão parar ao oceano; o que pode acontecer? » É então oportuno explicar como certos animais marinhos podem ficar com lixo preso ao redor do pescoço ou no estômago. Também se pode вопросar como se sentiriam ao chegarem a um parque cheio de lixo porque ninguém se preocupou em limpar depois de si.
Não se trata de culpar as crianças. Estas conversas podem ser simples e curtas para manter a sua atenção e evitar que se sintam envergonhadas. O objetivo é ensiná-las sobre empatia, responsabilidade e respeito pelo seu ambiente.
10. Ser desportista
Ninguém aprecia perder com maldade. Contudo, outra qualidade essencial que alguns pais parecem transmitir menos aos seus filhos atualmente é o desportivismo e o respeito pelo adversário.
Muitas crianças têm dificuldade em aceitar a derrota. O valor dado à vitória leva, por vezes, alguns pais a esquecer o que realmente importa: participar, aprender e divertir-se. O resultado é que alguns jovens podem sentir uma grande frustração ao perder um jogo de futebol, uma competição ou até mesmo uma simples partida entre amigos.
Contudo, perder faz parte da vida. Lembrem-se de que o fracasso é uma oportunidade para aprender e crescer, e os pais podem ajudar as crianças a desenvolver paciência, humildade e capacidade de recuperação face às dificuldades.
Shauna Tominey, professora da Universidade Estadual de Oregon, salienta que «ensinar às crianças a perder com dignidade ajuda-as a perder com graça na vida adulta», uma habilidade preciosa para o seu futuro sucesso desportivo, escolar, profissional e pessoal.
As crianças que aprendem a aceitar a derrotas com elegância desenvolvem uma maior capacidade de lidar com situações difíceis. Elas são mais capazes de analisar os seus erros, aprender com eles e buscar os aspectos positivos em experiências decepcionantes. Estas competências serão úteis ao longo da vida.
11. Acompanhar um amigo até ao seu carro

Acompanhar alguém até ao seu carro após uma visita ou uma noite é uma forma tradicional de cortesia que tende a desaparecer. Alguns consideram hoje em dia este gesto desnecessário, especialmente com os meios de comunicação modernos, mas esta simples atenção continua a representar uma bela prova de respeito e bondade.
Em vez de se ficar a saudar o convidado à porta, tomar alguns minutos para o acompanhar até ao seu veículo demonstra que se preocupa com ele até à sua partida. Para as crianças, este gesto permite aprender a importância de se importar com os outros e desenvolver um verdadeiro sentido de cortesia.
Entre os adolescentes e jovens adultos, esta prática pode também ter uma dimensão relacionada com a segurança. Acompanhar um amigo, assegurar-se de que chega bem ao seu veículo ou acompanhá-lo até ao transporte público é uma forma de mostrar responsabilidade e consideração.
Ensinar a jovens rapazes e raparigas a adotar esta atenção não se resume a tradições antiquadas: trata-se antes de fomentar a bondade, o respeito e a preocupação pelo próximo. Estes pequenos gestos, às vezes esquecidos, ajudam a criar relações mais calorosas e respeitosas.
Reflexão final: as boas maneiras permanecem valores importantes a transmitir
As boas maneiras podem não ser ensinadas da mesma forma que outrora, mas a sua importância não desapareceu. Dar bom dia, agradecer, escutar os outros, respeitar as normas sociais ou cuidar do meio ambiente são pequenos gestos que reflectem a educação e a consideração pelos outros.
Certamente, as crianças de hoje não precisam de seguir todas as regras estritas das gerações passadas. A sociedade evolui, os hábitos mudam e algumas tradições podem parecer ultrapassadas. No entanto, os valores fundamentais por detrás destes gestos — respeito, polidez, paciência e empatia — continuam a ser indispensáveis para uma convivência harmoniosa.
Os pais desempenham um papel crucial nesta transmissão. As crianças aprendem sobretudo a partir da observação dos comportamentos à sua volta. Ao mostrar a importância destas pequenas atenções no dia a dia, os pais proporcionam às crianças ferramentas valiosas para construir boas relações, ganhar a confiança dos outros e evoluir de forma mais tranquila no mundo que as rodeia.
No fundo, as boas maneiras não são apenas regras de uma época antiga. Elas representam uma forma de demonstrar aos outros que eles têm valor. E numa sociedade onde os intercâmbios se tornam por vezes mais rápidos e impessoais, estes gestos simples merecem ser preservados.
Cet article est proposé à titre informatif et de réflexion. Il ne constitue en aucun cas un avis médical, psychologique ou professionnel. Les notions évoquées s’appuient sur des recherches publiées ainsi que sur des observations éditoriales, et ne résultent pas d’une évaluation clinique. Pour votre situation particulière, veuillez consulter un professionnel qualifié.




