Paulo Pessoa de Carvalho: “As emoções que se vivem nesta actividade de empresário são para mim viciantes”

A dois dias da primeira corrida da Feira Taurina da Ascensão na Chamusca, fomos entrevistar o empresário Paulo Pessoa de Carvalho. Que nos fala de vários temas de interesse para a temporada 2017. A não perder.

 

1- Paulo Pessoa de Carvalho, há muitos anos ligado ao mundo dos toiros, antigo forcado dos Amadores das Caldas da Rainha e Montemor, como surgiu a intenção de ser empresário taurino?

PPC – Desde muito cedo pela grande amizade que tinha com o Sr. Alfredo Ovelha, estive muito metido na organização de corridas de toiros e daí a querer ser eu a organizar as minhas próprias corridas foi um salto. Organizei a minha primeira corrida em 1982 nas Caldas da Rainha e daí em diante esporadicamente um ou outro espectáculo, até que em 1991 constitui a minha primeira empresa e daí em diante até hoje nunca interrompi a actividade.

 

2- Nos dias de hoje, muitos empresários confirmam ser um meio dispendioso. O que o move para assumir essas funções como empresário?

PPC – Muito gosto pelo que faço essencialmente. Na verdade o risco é enorme, tem que se trabalhar bem para tornar o negócio interessante e é isso que tento fazer. Por outro lado as emoções que se vivem na actividade são para mim “viciantes”, esse facto também me empurra a permanência na actividade.

 

3- Actualmente, o que considera serem as características principais e imprescindíveis para que um empresário taurino tenha sucesso?

PPC – O maior profissionalismo, dedicação e empenho no que faz. Estar atento aos sinais de mudança não se agarra ao que “sempre se fez” e perceber as novas janelas de oportunidade que se abrem. Boa comunicação, aposta nos toiros e claro tentar rematar bem os cartéis.

 

4- Na temporada 2017 apresenta-se como responsável das praças da Chamusca, Portalegre, Vila Franca de Xira, Vinhais e Moura o que pode esperar o aficionado na montagem dos cartéis para as suas corridas?

PPC – Espero que o aficionado sinta interesse. Sentirá com certeza um toque diferente na comunicação, acima de tudo isso. Haverá cartéis para todos os gostos, sabendo que nunca se consegue agradar a todos, mas pelo menos uma coisa podem esperar, a mesma dedicação, empenho e paixão com que trabalho, esperando sempre poder proporcionar um espectáculo emotivo.

 

5- Em ano de comemoração dos 85 Anos do Colete Encarnado, disse em entrevista que o ano de 2017 seria o mais forte do tempo que leva como empresário da Praça de Toiros Palha Blanco em Vila Franca. Já deu a Corrida do Tomate, o melhor está para vir?

PPC – Claro que o melhor estará para vir, espero vivamente estar à altura de tão importante e séria praça de toiros como é a PALHA BLANCO, este ano com a responsabilidade acrescida de tão importante efeméride. Este será o meu ano “mais forte” por duas essenciais razões, a qualidade dos cartéis e o número de espectáculos. Espero realmente que seja um ano que fique na memória dos Vila Franquenses e dos aficionados.

 

6-A gestão da Praça de Toiros de Moura é uma novidade na presente temporada. Terra aficionada, com duas datas fortes, pode desmitificar quais os projectos para Moura?

PPC – É efectivamente uma novidade e até uma surpresa. Não há muito para dizer para já, apenas esclarecer que “fui parar” a Moura por causa de um amigo meu que me desafiou, o João Cortez. Estou neste projecto com ele, ele é de Moura, foi forcado do grupo da terra e sendo de Moura, aporta uma série de mais-valias que me fizeram acreditar no projecto. Penso que a gente da terra mais a mais com competências reconhecidas como é o caso, em conjunto com alguém de fora com experiência, podem fazer o binómio ideal para o sucesso. Para Moura pode-se para já, prometer que haverá toiros com emoção e em breve haverá mais novidades!

 

7- Em vésperas da Feira Taurina da Ascensão na Chamusca, onde temos a divisão de uma corrida à portuguesa e uma corrida mista. Quais os principais motivos para o aficionado desfrutar de boas tardes de toiros na Chamusca?

PPC – Cartéis variados, com interesse e toiros de 2 ganadarias que vão de certeza trazer MUITA emoção nessas duas tardes à arena da Chamusca.

 

8- Em Portugal as corridas mistas estão efectivamente em crescente. Vê mais-valias neste tipo de espectáculo?

PPC – Vejo em determinadas situações. Praças com tradição de toureio a pé, cartéis rematados com figuras, toiros que se deixem, estas condições juntas podem dar o bom toureio a pé e o bom toureio a pé, é atrativo e emocionante. Pontualmente pode também em praças sem tradição de toureio a pé fazer-se corridas mistas, isso tem a ver com o contexto e com a oportunidade. Neste capitulo muita atenção, não se pode banalizar um fenómeno que aparentemente está em alta, tem que se tomar decisões pensadas aproveitando as tendências, mas não banalizar!

 

9- A recente construção de uma marca (PPC Produções), com um logótipo renovado, criação de páginas nas redes sociais é um sinal de modernidade que quer passar para o aficionado?

PPC – É acima de tudo um sinal de adaptação aos novos tempos, mas também a uma uniformidade de imagem e tentar ter um cunho próprio no grafismo e na comunicação.

 

10- Como empresário e sem limitações a todos os níveis, qual o cartel que gostaria de construir?

PPC – Sinceramente não tenho o cartel ideal ou sonhado na minha cabeça, não tenho esse tipo de pensamentos. As coisas são idealizadas em função do momento, pensadas para uma situação concreta. Mas vou fazer o exercício contrário, pensar no cartel ideal, mas depois tenho que o por rapidamente em prática, pois com a dinâmica que as coisas acontecem, ou penso e faço, ou o timing passou…

 

11- E praças, quais as que tinha um carinho especial para gerir?

PPC – Além das que já tenho essa missão, apenas uma para mim tem um cunho especial, as Caldas, mas na verdade já foi mais forte. Como digo, vivo muito o momento e nada dou por adquirido, nesse sentido e até para minha própria defesa provavelmente, tento neste capitulo cortar laços sentimentais o mais possível, olhando para cada dia e para cada momento, como sendo os certos para fazer o que puder fazer e o melhor possível.

 

 

foto: opanorama.pt

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