Em 142 países, um quarto dos entrevistados declara sentir-se sozinho, com os idosos não sendo os mais afetados

Atualmente, o sentimento de solidão tem-se tornado uma questão premente em muitos países, especialmente após os recentes distúrbios sociais. Pesquisadores têm se debruçado sobre a evolução das relações interpessoais entre diferentes gerações. As novas dinâmicas da vida moderna, a digitalização e a urbanização transformaram profundamente as interações humanas. Vários estudos internacionais estão a investigar essas transformações. Os resultados revelam tendências por vezes surpreendentes, dependendo dos grupos etários. Recentemente, uma ampla pesquisa foi realizada em 142 países.

Segundo a pesquisa, cerca de **um quarto dos inquiridos** afirma sentir-se **sozinho**, quer em intensidade elevada ou moderada. Curiosamente, o grupo mais afetado não foi o dos idosos, como muitas vezes se pensa, mas sim os jovens adultos entre 19 e 29 anos. Neste grupo etário, cerca de 27% sente-se **muito ou alguma vez só**, marcando o maior índice de solidão em todas as idades estudadas.

O **menor índice de solidão** foi verificado entre os adultos com 65 anos ou mais, com apenas 17%, desafiando as ideias preconcebidas sobre o tema.

É importante salientar que, embora este artigo apresente uma análise informativa, não deve ser interpretado como um guia de saúde ou bem-estar pessoal.

Por que os idosos são frequentemente considerados o grupo mais solitário?

se sentir seuls

A crença de que a **velhice gera solidão** é bastante comum. A aposentadoria, o luto e as limitações de mobilidade são factores que contribuem para o isolamento de algumas pessoas idosas. Contudo, análises desta pesquisa revelam o oposto: a maioria dos adultos com 45 anos ou mais relata não se sentir sozinha, enquanto menos de metade dos que têm menos de 45 anos sente o mesmo.

É importante frisar que esses resultados derivam de uma simples pergunta declarativa, e que a China não foi incluída no estudo. Assim, os dados revelam perceções subjetivas, e não uma medida clínica. Este é apenas um retrato global, não uma conclusão definitiva.

Ainda assim, a tendência observada em relação à idade é corroborada por uma amostra que representa aproximadamente **77% da população adulta mundial**, o que dificulta que se trate apenas de uma moda passageira. Ellyn Maese, consultora da Gallup, expressou a situação de forma clara, declarando à CNN que «a solidão não é apenas um problema de envelhecimento; é uma questão que pode afetar qualquer pessoa, independentemente da idade».

O que causa a solidão entre os jovens adultos?

Os anos entre os 19 e os 29 anos são frequentemente preenchidos por mudanças constantes. As pessoas mudam-se para estudar ou trabalhar, abandonam o ambiente social escolar, formam e desfazem lares, e recriam repetidamente os seus círculos de amizade. Este **brassage social** parece ser mais relevante do que o número de amigos.

Uma pesquisa de 2025 publicada na PLOS One, que envolveu quase 5 mil americanos, revela que “a maior parte dos jovens não tem dificuldade em fazer amigos; eles aprendem a preservá-los enquanto se adaptam às frequentes mudanças da vida”. Uma perspetiva encorajadora sugere que os momentos de solidão podem refletir mais dificuldades da vida do que um isolamento duradouro.

Outro aspecto frequentemente mencionado tem a ver com as interações digitais. Vivek Murthy, ex-diretor de saúde pública dos EUA, assinalou uma **evolução cultural** na forma como as relações são mantidas. Segundo ele, «passámos de confidenciais a contactos, de amigos a seguidores, e de uma preferência pela qualidade à quantidade». Murthy sugere que a conexão digital é uma das várias explicações, e não a única causadora deste fenómeno.

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O que esta descoberta significa e o que não significa

A palavra «sozinho» é significativa, pois resulta de uma simples pergunta realizada aos inquiridos sobre como se sentiam. Dos questionados, **24%** classificaram-se como **muito ou bastante sozinhos**, o que denota um sentimento e não um diagnóstico, e este sentimento pode variar conforme as circunstâncias.

Outra análise da Gallup sobre a solidão no quotidiano revelou grandes variações entre países, variando de 45% nas Comores a apenas 6% no Vietname, destacando como a cultura e o contexto influenciam a forma como as pessoas expressam este sentimento.

Essas conclusões não significam que os jovens adultos estão abandonados ou que os idosos vivem sem desafios. Indicam apenas que, em média, os mais propensos a sentir-se sozinhos estão em uma fase de construção da sua vida adulta.

A direção futura dessa tendência permanece incerta.

A questão pendente é se a solidão vivenciada pelos jovens adultos é uma fase temporária que se dissipará com a estabilização das suas vidas, como sugerido por Hall, ou se esta geração enfrentará níveis de solidão mais elevados conforme envelhece. Um acompanhamento a longo prazo poderá fornecer respostas mais claras.

Se a temática abordada lhe ressoa de alguma forma, é aconselhável considerar a consulta a um profissional de saúde mental qualificado. A leitura sobre o assunto não substitui o apoio necessário para navegar por estas experiências.

Este artigo é oferecido apenas para fins informativos e de reflexão. Não deve ser interpretado como aconselhamento médico, psicológico ou profissional. Os conceitos discutidos baseiam-se em pesquisas publicadas e observações editoriais, e não resultam de avaliações clínicas. Para questões específicas, recomenda-se consultar um profissional qualificado.

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