Dez mil foram os euros solidários para os bombeiros, um Cereja o bravo, em tarde de triunfo dos artistas na Velha Pax

Crónica

Nota: A imagem de destaque não corresponde à corrida em questão

 

A Praça de Toiros Varela Crujo em Beja vestiu-se de solidariedade este sábado, 9 de Outubro, numa corrida de beneficiência a favor da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários desta cidade Alentejana

A Solidariedade faz parte do universo tauromáquico há centenas de anos, muitas são as corridas e festivais que se celebram todos os anos com cariz benéfico nos países onde se realizam corridas de toiros; alguns deles de grande tradição, da mesma forma, muitas são as entidades que recebem os fundos solidários desses acontecimentos. E ontem a cerca de meia casa que a praça da Velha Pax registou angariou cerca de 10 mil euros para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja. Olé!

 

Foram lidados toiros de várias ganadarias: Varela Crujo primeiro e quinto; Rio Frio segundo e terceiro; Santa Maria quarto e sexto. Quanto ao comportamento tenho que destacar o “Cereja”, Nº36, de 475kg, toiro com cara, baixo, negro chorrado de Varela Crujo. Foi bravo, nobre, encastado, humilhava nos capotes de forma espectacular, com mobilidade e duração, vindo de menos a mais, em suma um toiro de vacas. Também o primeiro com o mesmo ferro foi um bom toiro, não com tanto recorrido como o seu irmão de camada, mas humilhou nos capotes e muleta do matador Dias Gomes, teve nobreza mas faltou-lhe alguma durabilidade. Os de Rio Frio o que fez segundo foi nobre vindo a menos, terceiro teve problemas… Nos capotes foi difícil, para não dizer impossível, colheu de má maneira Diogo Malafaia que foi transportado para a enfermaria, visivelmente dorido. Para a lide a cavalo foi reservado e não rompeu. Os lidados com ferro de Santa Maria foi nobre mas com pouca força o lidado em quarto lugar e encastado o salgado que fechou a corrida, pena o toiro ser “burriciego” o que lhe condicionou de alguma forma o seu comportamento.

 

Abriu a tarde o matador de toiros Manuel Dias Gomes que recebeu o seu oponente com uma “larga afarolada de rodillas en tierra”, seguindo por veronicas de bom traço, no quite foram os lances de Chicuelo os escolhidos pelo Manel e calaram com força no público. Em bandarilhas Claudio Miguel cumpriu a função com a eficácia que lhe conhecemos a um toiro que não foi fácil no segundo tercio… Na faena de muleta o matador iniciou a lide de forma vibrante, de joelhos em redondo, rematando a série com um passe por baixo. Pela direita em redondo os passes tiverem toureria, aproveitando as boas investidas do toiro, rematando com passes de peito. O Manel sentiu-se toureiro e a gosto imprimindo na faena garbo. Pela esquerda ao natural, as séries foram boas, levando o largo o Crujo, rematando as mesmas com passes de peito de píton a rabo. Finalizou a faena em redondo em terrenos de compromisso, metido entre os pitons do toiro, sacando tudo ao nobre animal. O remate da obra foi feito por ajustadas bernardinas e bonitas luquesinas. Boa faena de Manel Dias Gomes em terras de Beja.

 

Abriu a função na lide a cavalo António Maria Brito Paes, e a lide foi grandes pormenores toureiros… Bem nos compridos, mexendo e lidando bem o Rio Frio. Nos curtos, o primeiro foi de grande categoria, rematado o mesmo de forma toureira e sentida, seguiu-se outro de grande nota. A lide lide foi a mais em brega, corrigindo defeitos ao oponente e aproveitando as virtudes. Preparou as sortes de forma toureira e cravou com verdade, andou a gosto e o público mostrou agrado pelo que se passou na arena não lhe regateando aplausos.

 

Marcos Bastinhas quando entra em praça é um verdadeiro fenómeno popular! Miúdos e graúdos acarinham o cavaleiro de Elvas de uma forma especial. A Marcos calhou em sorte um toiro complicado mas pouco lhe importou ao cavaleiro que lhe deu uma lide em crescendo acabando em plano de triunfo. Bem nos compridos, dando vantagens e cravando com verdade, tentando abrir os caminhos ao oponente na brega. Os curtos tiveram emoção e vibração e os presentes reagiram aplaudindo com entusiasmo. Rematou a lide com um violino e um par de bandarilhas, público pé…!

 

Dos Açores da Toureira e Aficionada Ilha Terceira veio João Pamplona, que em Beja realizou uma bonita lide. O Santa Maria, transmitia pouco mas era nobre, o João andou a gosto, cravou bem os compridos, deu vantagens ao toiro no início da lide e atacou quando este já se tinha metido em tábuas. A brega foi eficiente e os remates dos ferros foram bonitos. Mudou de montada e finalizou a lide com dois palmitos de boa nota, a cara de felicidade do cavaleiro com o realizado em terras alentejanas era o espelho da boa lide com que presenteou os aficionados.

 

A Salgueiro da Costa calhou em sorte o “Cereja”! A lide nos compridos não rompeu, o João não andou acertado de mão… Mas depois do primeiro curto a lide cresceu e acabou em plano de triunfo. Aproveitou as qualidades do bravo e cravou grandes ferros de frente, citando de largo e em terrenos de compromisso cravou de alto a baixo os ferros com muita verdade, rematando os mesmos com garbo. O público metido dentro da lide vibrou com o visto na arena e as “palmas fizeram fumo”, rematou a lide com um palmito de boa nota.

 

Fechou a tarde Luís Rouxinol Jr. que triunfou em Beja! A lide foi de querer, raça e vibração. O toiro era encastado e tinha boa condição, mas um problema de visão podia ter deitado tudo a perder. O Luís cedo percebeu isso e deu-lhe a lide adequada nos compridos, lidando com solvência. Nos curtos deu as distâncias necessárias e cravou ferros emocionantes, entrando em terrenos proibidos, levando mesmo um toque num deles, mas a verdade imposta não desmerece o momento vivido. Rematou a lide com um ferro por dentro que levantou os presentes das bancadas. Olé!

 

Em praças os grupos de Cascais e Beja foram os encarregues de pegar os cinco toiros lidados a cavalo.

 

Abriu praça João Tomás por Cascais que na primeira tentativa saiu visivelmente maltratado, quando o toiro o pisou de má maneira no pescoço, felizmente o João está bem segundo informações recolhidas por mim junto de um antigo elemento do grupo. Para a dobra saltou Afonso Tomás da Cruz que se fechou bem, aguentou os derrotes e na sua primeira tentativa resolveu a papeleta. João Galamba saltou as tábuas para pegar o quarto da ordem, à primeira tentativa realizou uma boa pega. Carlos Dias pegou o sexto da corrida, convidando o Grupo de Beja para compartilhar a sorte, visto que só estavam cinco toiros destinados à lide equestre. Cite vistoso, bem a recuar e a falar ao toiro no momento da reunião fechou-se à primeira tentativa numa grande pega.

 

Pelo grupo da terra, Beja, José Maria Vicente teve que bater as palmas quatro vezes ao complicado terceiro da ordem, a entrada dura do toiro e a cabeça com “pouco pau” como se diz na gíria não facilitaram a labor do forcado, O Zé mostrou querer e já com as ajudas mais carregadas resolveu a papeleta. Pedro Fernandes, à primeira tentativa numa grande pega, pegou o bravo quinto! Citou bem, recuando e quando o teve na jurisdição fechou-se, ajudando o grupo de forma coesa.

 

O maioral da ganadaria foi muito justamente chamado à arena na lide do quinto toiro, compartilhando volta com cavaleiro e forcado. Esta corrida já sem limitações de entradas com cortesias e voltas à arena permitida pela DGS.

 

Dirigiu a corrida de forma correta Agostinho Borges, sendo o médico veterinário José Guerra.

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