Corrida morna em tarde quente!

Corrida morna em tarde quente!

  • 10 de junho 2022, Santarém
  • Corrida Borrego Leonor & Irmão
  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, João Ribeiro Telles e Francisco Palha
  • Forcados: Santarém e Montemor
  • Ganadaria: Palha
  • Direção de Manuel Gama assessorado por José Luís Cruz
  • Lotação de cerca de 7500

Num dia de muito calor – 36º – às 17h e quase ausente de vento, foi certamente o cartel que estimulou cerca de 7500 pessoas a trocar a praia ou as piscinas, pelo cimento quase efervescente da bancada da Celestino Graça.

E efectivamente haviam alguns pontos de interesse!

Em primeiro os toiros; a ganadaria Palha, não vinha a Santarém, com um curro completo há 38 anos; Luis Rouxinol celebrava 35 anos de alternativa feita exactamente nesta Praça; a natural disputa entre os cavaleiros em Praça e obviamente, a mais antiga competição do Mundo entre grupo de forcados, o eterno Santarém – Montemor.

Neste dia de Portugal, cantou-se o hino no inicio das cortesias, dando o mote para um começo afectivo do que é também a nossa Portugalidade.

Luis Rouxinol recebeu a sua homenagem nos médios por parte da Santa Casa da Misericórdia (proprietária da Praça), da Camara de Santarém, pela empresa Borrego Leonor & Irmão e da Associação “Sector 9”, de quem recebeu lembranças assim como os restantes cavaleiros e forcados que com ele partilharam a tarde.


1º Toiro – Belo – 505 Kg

Luis Rouxinol
António Queiroz e Melo (GFAS)

O cavaleiro de Pegões entrou em Praça, recebeu imediatamente uma forte ovação, lembrando que Santarém não se esquece de quem a escolhe para se “doutorar” na profissão.
Parabéns Luis por estes 35 anos e felicidades para todos os que ainda aí vêm.
Nos compridos, Luis Rouxinol andou correcto e regular, tentando puxar pelo “Belo” que começava a dar sinais de ser um dos toiros da corrida.
Nos curtos, tentou levar um toureio ligado, emotivo e bregado, destacando o 1º e o 5º (um “palmito”) pela emoção que este tipo de ferro carrega.

Pega:
Este toiro foi pegado pelo forcado de Santarém, António Queiroz e Melo, que o trouxe toureado, recuou o suficiente e fechou-se com decisão, tendo sido eficientemente ajudado pelo 1º Pedro Dias Ferreira e restantes elementos em Praça.

Volta para cavaleiro e forcado


2º Toiro – Lagartinho – 550 Kg; substituído por outro de 510 kg por quebra de corno

João ribeiro Telles
Vasco Carolino (GFAM)

Esta lide acaba por ficar marcada pela lesão do toiro (corno partido) e pela sua substituição (o 2º do seu lote).
No compridos o “Ginja” andou correcto, cumpridor, preparando o caminho para o labor nos curtos.
Aí, fazendo o possível para trazer o toiro das tábuas (para onde comumente se encaminhava) para os médios, o esforçado cavaleiro e com a classe que se reconhece tudo arriscou mas a verdade é que num toiro que “rachou” pouco mais havia a fazer do que não e apenas isso, arriscar. Pagou a factura com um toque na montada no 4º ferro. Destaco o 1º curto por ainda ter tido toiro para se poder luzir.

Pega:
Para pegar este toiro, o Cabo de Montemor escolheu o forcado Vasco Carolino.
O Vasco esteve sóbrio, a mandar e muito bem à frente do toiro, pegando-o à 1ª tentativa com os dois manos Pena Monteiro (António e Zé Maria) a entrarem oportunamente e a darem uma 2ª ajuda de altíssima nota.

Volta apenas para o forcado

 

3º Toiro – Bandeirado – 520 Kg
Francisco Palha
Francisco Cabaço (GFAS)

O Francisco Palha escolheu a sua já clássica sorte de gaiola para iniciar a sua lide.
E em boa hora porque “meteu o publico do bolso” desde o 1º momento.
O 2º comprido foi igualmente de altissima nota, de praça-a-praça com o publico a ovacionar repetidamente
Com a mudança de cavalo vieram os curtos e com eles o sucesso redondo, num toiro da Adema a cooperar e quase a igualar o comportamento do 1º da corrida.
Francisco andou toureiro, desembaraçado, dando as vantagens que podia dar, entrando em todos os terrenos, aguentando, bregando e deixando 4 curtos de elevadíssimo nível, destacando-se o extraordinário 4º e ultimo ferro. Deixou altíssimas expectativas para o 2º do lote.

Pega:
Saltou para a pega pelos de Santarém, o jovem forcado Francisco Cabaço, que já tinha pegado na passada corrida de dia 5 de Junho.
O Francisco fez tudo bem feito; cite bonito, calmo, enchendo a vista ao toiro e por fim mandando quando quis que investisse. No entanto e após uma reunião que me pareceu não ter sido a optima, foi desfeiteado com a entrada do 1º ajuda. Nas restantes tentativas, o toiro foi crescendo, não perdoando as reuniões, acabando por ser pegado à 4ª tentativa

Volta para o cavaleiro

 

4º Toiro – Camarito – 530 Kg
Luis Rouxinol
Francisco Borges

Num toiro que desde o início indiciava ser complicado, o ginete de Pegões tudo tentou para deixar registo de exito na sua passagem pela Celestino Graça mas não teve do oponente matéria prima para isso.
Tendo estado nos compridos de forma regular, mudou de cavalo e teve no seu 1º e 2º curto os ferros de maior qualidade.
Com o toiro já muito imóvel e aos arrancões, foi chegando ao fim da lide que terminou com as tradicionais bandarilhas em terrenos de muito aperto, provocando um toque no cavalo.

Pega:
Para a pega deste complicado Palha, foi escolhido o experiente forcado Francisco Borges.
O Francisco – que nos habituou a pegas de inquestionável qualidade e dificuldade -, deixou que o toiro tomasse a iniciativa na investida e “pagou” por isso, tendo sido desfeiteado após reunião menos conseguida.
Na 2ª tentativa e por ter ficado no enfiamento da pega, não consegui perceber o que sucedeu, apenas registo que o toiro, não humilhou, marrou alto (na cara) tendo ficado o forcado inanimado em Praça.
Após entrada da maca que o recolheu e por ter recuperado, o Francisco voltou a enfiar o barrete e pegou estoicamente o toiro à 3ª tentativa com o grupo a carregar nas ajudas.

Ida ao centro para agradecer com cavaleiro e forcado

Nota: Na minha opinião – e apenas na minha – e apesar da inquestionável valentia do Francisco, acho que deveria agradecer apenas da trincheira.

 

5º Toiro – Peluquero – 520 Kg
João Ribeiro Telles
Francisco Figueiredo “Graciosa” (GFAS)

Por troca, por lesão do 1º toiro, toureou o João Ribeiro Telles um dos sobreros”
Este sobrero não foi o toiro certamente sonhado pelo cavaleiro e também não deixou saudades pela sua falta de casta e bravura.
O João cumpriu com classe a passagem nos compridos e após a mudança de cavalo, iniciou os curtos com o toiro sempre a descair para as tábuas.
Fez absolutamente tudo para daí o retirar mas a crença do toiro era maior que a vontade do cavaleiro, acabando a lide por ser marcada por isso mesmo e numa sucessão de ferros a cesgo de grande mérito e valentia. Fez aquilo que pode.

Pega:
Pelo GFAS foi escolhido o forcado Francisco Graciosa.
Igualmente um dos repetentes da “encerrona” do passado Domingo, o Francisco não conseguiu reunir e fechar-se bem na 1ª tentativa, repetindo e conseguido executar uma belíssima pega à 2ª, aguentando um poderoso 1º derrote e com uma 1ª ajuda de destaque do Manuel Lopo de Carvalho.

Ida ao centro da arena de cavaleiro e forcado, com petição para o 1º ajuda.

 

6º Toiro – Fusilito – 540 Kg
Francisco Palha
António Pena Monteiro e Francisco Godinho

Muito alimentado pelo êxito no 1º toiro, começou de igual forma a lide do seu 2º do lote e ultimo da corrida, o cavaleiro Francisco Palha.
Foi um 1º ferro em sorte de gaiola bem conseguido e nos mesmos compridos, conseguiu um segundo ferro de nota elevada a dar vantagens e terreno ao toiro.
Mudando para o curtos, destaca-se o 1º, o 3º optimo (ao estribo) e o 5º ferro da tarde, que apesar de ter tido menos toiro e andando menos “a gosto” conseguiu fechar com chave de ouro a sua passagem pela capital Ribatejana.
Pega:
Para a última pega da tarde, o GFAm optou pela sorte de cernelha.
De facto faz falta esta opção ser escolhida de inicio em detrimento de ser sempre assumida como de se recurso seja.
Saltou a dupla de cernelheiros António Pena e Francisco Sacaio.
O toiro não encabrestou nas diversas movimentações tentadas pelos 2 campinos de serviço, acabando por ser inicialmente pegado quando infortunadamente um peão de brega tropeçou e caiu junto aos curros, tendo o toiro acudido aí para o colher e os forcados agirem rapidamente entrando no toiro e tirando-o de cima do peão de brega.
Apesar de poder ser considerada a pega consumada, a dupla de cernelheiros ajuizou e bem (a meu ver) que deveria repetir e assim fez de imediato, consumando a cernelha sem maiores atropelos.

Terminada que foi a corrida, cabe-me destacar e em termos artísticos, as lides de Francisco Palha (nomeadamente a 1ª) a pega de António Queiroz e Melo e a valentia de Francisco Borges.

Esperando que não tenha sido a última do ano, fica encerrada a Feira taurina de Santarém de 2022.

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