Confronto de Dinastias no Cartaxo

Confronto de Dinastias no Cartaxo

  • 1 de maio de 2022, Cartaxo
  • Festa do Vinho
  • Cavaleiros: João Salgueiro, Rui Fernandes, João Salgueiro da Costa e Duarte Fernandes (praticante)
  • Forcados: Coruche, Cascais e Cartaxo
  • Ganadaria: Passanha
  • Direção de Manuel Gama e veterinário José Luís Cruz
  • Praça a 3/4 de lotação

 

A cidade do Cartaxo, voltou a viver o esplendor da Festa do Vinho, no período pós pandemia, com uma corrida de toiros, cujo o principal atrativo era o confronto das dinastias, Salgueiro e Fernandes, ao que o público correspondeu, preenchendo cerca de três quartos do tauródromo cartaxense.

No início das cortesias, feitas à antiga maneira, foi prestado um minuto de silêncio em memória de vários forcados, recentemente falecidos, pertencentes aos três Grupos em praça.

Os  seis exemplares da Ganadaria Passanha que viajaram da Herdade da Pina, estavam bem apresentados, com caras pouco expressivas e serviram na plenitude, com exceção do saído em segundo lugar, para o cavaleiro Rui Fernandes, que foi manso e cedo procurou refúgio em terrenos de dentro.

A ordem de lide ditou que fossem lidados, os primeiros quatro toiros em solitário e encerrar, com as atuações a duo.

Foi com muita emoção que João Salgueiro, reaparecia, após um largo período retirado e nada mais emotivo que assim que entrou em praça, a Banda da Sociedade Filarmónica União Lapense, que abrilhantava o festejo, fez ouvir os acordes do passe doble João Salgueiro em sua homenagem. Cessou a música, saiu o toiro ao redondel, onde o cavaleiro de Valada, o recebeu nos médio, dobrando-se e fixando-o, para despachar a ferragem comprida. Nas bandarilhas e ao som de música, desenvolveu uma faena cingida, cravando quatro ferros de belo efeito, intercalados com uma brega apurada, como é seu timbre. No final deu duas voltas à arena, como prémio do seu labor.

A Rui Fernandes, coube dar lide, ao tal segundo, que como todos os restantes ostentava a divisa de Passanha, mas que não serviu ao cavaleiro de Almada. Após a cravagem dos dois ferros compridos, Rui troca de montada e já com as bandarilhas curtas, intenta entrar de frente em sortes cambiadas, mas o adversário não cria peleia e cedo se refugia em tábuas, obrigando Rui a deitar mão de toda a sua experiência, para dar uma lide condigna, que foi premiada com música e volta no final, na companhia do forcado de turno.

A terceira atuação coube a João Salgueiro da Costa, que teve por diante um Passanha, colaborante em que o mais jovem dos Salgueiros, não se fez rogado. Após a ferragem comprida, trocou de montada e já com as bandarilhas, fez romper a música com um excelente ferro e mais um segundo de nota alta, depois o entusiasmo, comprometeu algumas sortes, que não ofuscaram a boa atuação, do ginete de Valada que terminou com um palmito de excelente nota. No final deu volta como prémio do labor desenvolvido.

A terminar as atuações a solo, o jovem cavaleiro praticante, Duarte Fernandes, embora ainda jovem, mas já deixa antever que está talhado, para voos mais altos. Não se deixou intimidar, pelos alternantes e andou em bom plano durante toda a lide, entrando de frente ao toiro, por vezes com a batida ao piton contrário, o que ao resultar, são sempre momentos de grande emoção. Foi uma lide em crescendo e que terminou no momento exato. Como prémio do seu labor, deu volta no final, conjuntamente com o forcado de turno.

O festejo encerrou com duas lides a duo, a primeira a cargo dos Salgueiros, pai e filho e a segunda, por parte dos Fernandes, tio e sobrinho. E o que dizer de ambas, foram muito idênticas, quer em entrosamento, quer em ligação e fundamentalmente em alegria. Bons ferros de parte a parte, boas preparações e bons aproveitamentos dos ressaltos, para deixar os ferros ao som de música, destaque especial para o  términus dos Fernandes com dois Palmitos de belo efeito, muito do agrado do público.

No confronto das jaquetas de ramagens, entre os Amadores de Coruche, Cascais e Cartaxo, chefiados respectivamente por José Macedo Tomás, Paulo Loução e Bernardo Campino, a tarde foi dura, mas nada que não tivesse solução.

A seguir às cortesias o cabo anfitrião, Bernardo Campino, homenageou os Amadores de Coruche pela passagem do seu Cinquentenário e os Amadores de Cascais, pelos seus Quarenta Anos de Vida.

O Grupo de Forcados Amadores de Coruche, apresentou-se no Cartaxo, com muita juventude, sendo que vários deles era a primeira vez que se fardavam de calção e jaqueta e que pegavam um toiro, também pela primeira vez. Assim para abrir a função dos Coruchenses, foi destacado Francisco Carvalho, que precisou de três tentativas, para levar de vencida a investida do Passanha. Para o segundo dos Amadores de Coruche, foi chamado o jovem Davide Canejo, que se fardava pela primeira vez e que também pela primeira vez, tinha a missão de pegar um Passanha, esteve estoico durante toda a tarde ou seja as cinco tentativas em que bateu as palmas ao murlaco, uma vezes por apresentar uma reunião deficitária, outras por alguma ineficácias das ajudas, mas mesmo assim o público reconheceu o valor e o estoicismo deste miúdo e tributou-lhe uma extraordinária ovação, no final da pega, fazendo com que apesar das cinco tentativas, desse  volta à arena com o cavaleiro.

Pelos Amadores de Cascais, o Cabo Paulo Loução, enviou ao seu primeiro toiro, o forcado Afonso Tomás da Cruz, que na primeira tentativa teve uma reunião pouco conseguida, emendando ao segundo intento com facilidade. Para a segunda intervenção dos de Cascais, foi destacado o forcado João Maria Galamba, que aproveitou da melhor maneira e ao primeiro intento a pronta saída do Passanha.

Pelos Amadores do Cartaxo, o Cabo Bernardo Campino, enviou ao seu primeiro toiro o forcado Bernardo Sá, que precisou de quatro tentativas para levar de vencida a investida do adversário. Para encerrar a função, coube a José Ribeiro, efetuar três tentativas para consumar a sorte.

Importa referir que este dia, por ser o Dia de Todas as Mães, foram efetuados vários brindes alusivos à efeméride e que todos os toiros foram recolhidos a cavalo pelos campinos João Inácio (Janica) e Mário Gordo, manejando um jogo de cabrestos da Quinta da Silveira.

A direção da corrida esteve a cargo do delegado Manuel Gama, assessorado pelo médico veterinário, José Luís Cruz e pela cornetim Maria Maltez.

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