Algumas Promessas, Várias Certezas

Crónica

Algumas Promessas, Várias Certezas

  • 13 de maio de 2022, Coruche
  • Festival Novas Gerações
  • Cavaleiros Praticantes: António Núncio, Joaquim Brito Paes, António Ribeiro Telles filho, Duarte Fernandes, Diogo Oliveira e Tristão Ribeiro Telles
  • Forcados: Vila Franca de Xira e Coruche
  • Ganadaria: Cunhal Patrício
  • Direção de Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário José Luís Cruz
  • Praça a 1/2 de lotação

Apesar do adiamento e fora das datas tradicionais, o Festival das Novas Gerações, promovido pela empresa “Nossa Praça”, estava recheado de muitos atrativos, entre eles um bonito curro de toiros de Cunhal Patrício, ganadaria que mudou recentemente de mãos, agora sob a batuta de Alberto Dias, seis jovens cavaleiros praticantes e dois consagrados grupos de forcados, facto que levou muitos aficionados à Monumental Sorraiana, nesta noite de sexta feira, que preencheu cerca de meia lotação do tauródromo.

Os sete exemplares da Ganadaria de Cunhal Patrício, dado que saiu um sobrero em substituição do quinto, estavam bem apresentados, acachapados de cara, com exceção do segundo e mansos de comportamento, obrigando os lidadores a trabalho extra.

A função teve inicio com um minuto de silêncio, em memória de vários taurinos coruchenses, recentemente desaparecidos.

 

António Núncio, que se prepara para receber a alternativa de cavaleiro profissional, no início deste verão, abriu a função, frente a um Cunhal que acusou na báscula, 545 quilos, mansote, mas que deixou o cavaleiro das Alcáçovas, desenvolver uma lide acertada, ao som de música, contudo sem a tal chama que ilumina o caminho do triunfo.

 

O segundo da ordem coube a Joaquim Brito Paes, bem montado, teve que levar de vencida o adversário mais pesado da noite, 595 quilos, o qual não queria colaborar com o jovem ginete de Torres Vedras, mesmo assim, viram-se coisas agradáveis e sobretudo de compromisso.

 

António Ribeiro Telles (filho), perante um público que venera a dinastia Telles, soube dar uso aos seus pergaminhos dando lide a um manso encastado, que a determinado momento, parecia que queria romper, mas que se ficou pelas intenções, tendo o jovem cavaleiro da Torrinha, que pôr quase tudo, para chegar ao público.

 

O quarto da ordem, foi para Duarte Fernandes, que se enfrentou, com o mais colaborante dos Cunhais. Desembaraçado com as bandarilhas, galvanizou as bancadas com o seu toureio alegre e contagiante, um dos triunfadores da noite.

 

O quinto saiu debilitado e foi substituído, pelo que seguiu o turno, que foi preenchido, por Tristão Ribeiro Telles, outro dos novéis produtos da Torrinha, demonstrou maneiras e conhecimento dos terrenos, alegre na cravagem, procurando a ligação que o toiro exigia, pelo que a lide resultou e foi bastante ovacionado, terminou com um ferro e sorte de violino, muito do agrado do conclave, o que lhe valeu um saboroso triunfo.

 

Diogo Oliveira, lidou em sexto lugar um toiro sobrero, da mesma ganadaria, com o peso de 440 quilos, mas tal como os restantes irmãos de camada, saiu manso e pouco colaborador. O jovem ginete porfiou bastante para ligar as sortes, mas lá foi deixando a ferragem da ordem, com alguns toques no momento da reunião, que não comprometeram o bom desempenho de Diogo Oliveira, assim mais oportunidades permitam o crescimento desta jovem promessa.

 

Noite dura para ambos os Grupos de Forcados, assim pelos Amadores de Vila Franca de Xira, foi para a cara do seu primeiro toiro, André Câncio, que à barbela executou uma vistosa pega de caras, ao primeiro intento, bem ajudado pelo grupo. Para a segunda intervenção dos Amadores de Vila Franca, foi escalado, Rodrigo Andrade, que necessitou de sete tentativas, para levar de vencida, a dureza do Cunhal. Fechou a participação dos de Vila Franca, Diogo Conde, só ao terceiro intento, logrou concretizar a sorte de caras.

 

Pelos Amadores da terra, os de Coruche, abriu praça, António Tomaz, que teve estoico, nas seis tentativas que teve de efetuar para dominar o bruto. Para a segunda intervenção o Cabo José Macedo Tomás, enviou o jovem Fábio Casinhas, que à terceira tentativa e sesgo com as ajudas carregadas, concretizou a pega. Fechou a atuação dos Amadores de Coruche, o jovem Martim Tomaz, que se estreava a pegar de caras, mas a sorte foi madrasta e acabou por sair lesionado, na quarta tentativa, sendo substituído por João Ferreira Prates que a sesgo e em curto, consumou uma rija e dura pega, na sua única  tentativa.

 

E assim terminou um festival de oportunidade à nova geração de cavaleiros praticantes, que deixaram a certeza, que a continuidade da Arte Marialva, está assegurada e recomenda-se.

A direção da corrida esteve a cargo do delegado Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário José Luís Cruz e pelo cornetim José Henriques.

Abrilhantou o espetáculo a Banda de Música da Sociedade de Instrução Coruchense.

 

João Galamba

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