Abiul 14 de Agosto, última corrida da feira taurina das festas do bodo

Crónica

A corrida da noite passada foi mais uma vez de casa cheia, a terceira grande entrada de público na mais antiga praça de toiros de Portugal, como podemos ler nas bancadas de Abiul!

O encanto desta terra faz com que toda a gente queria vir cá tourear sob o peso de uma afición exigente mas que se entrega quando verdadeiramente gosta.

Foi o que aconteceu ontem.

As cortesias, ao som da Filarmónica de Ansião, trouxeram para a arena três toureiros sérios e concentrados na competição que se adivinhava, frente a seis toiros de Vale Sorraia, enviados da Torrinha pela família Ribeiro Telles.

Filipe Gonçalves (azul veludo e ouro) Francisco Palha (azul e prata) e João Salgueiro da Costa (vermelho e ouro).
Dois Grupos de Forcados Amadores.

Em noite de comemoração dos 75 anos de fundação os Amadores de Lisboa, capitaneados por Pedro Maria Gomes. Recém chegados da sua digressão açoriana, os Amadores de Coruche, capitaneados por José Macedo Tomaz.

Filipe Gonçalves entrou em praça montando o Jackpot e brindou a lide aos Amadores de Lisboa pelo seu aniversário.
O primeiro toiro com o número 96, 495kg, salgado, saiu distraído a adiantar-se e a apertar pela esquerda, obrigando a dar quatro voltas até o colocar para um bom ferro comprido.
Com o público a continuar a entrar, o cavaleiro prepara muito bem e crava o segundo comprido, com o touro a adiantar-se muito.
Sai para bandarilhas no Chanel a ladear com o toiro templado na barriga do cavalo. Foram vários os quiebros de praça a praça muito aplaudidos e ao som da banda.
Para rematar sacou o veterano Xique, que entre palmas, violinos e palmos no centro, colocou o público de pé a aplaudir o cavaleiro, sempre muito bem recebido por esta afición.

Para a cara o cabo de Lisboa, Pedro Maria Gomes. Cita praça a praça e recebe já junto às tábuas com o grupo a ajudar bem.
Volta para ambos.

Francisco Palha enfrentou o 106, 495 kg, salgado muito escuro, cornicurto e avacado. Foi um toiro com pouca força e a ir sempre pelo seu caminho. Mesmo sem se empregar foi o mais colaborante da corrida.
Recebeu no Alamar. Primeiro comprido com uma batida muito pronunciada e o segundo, fruto do toiro perder as mãos, fica descaído na espádua.
Palha traz então o Jaquetão para as bandarilhas mas há algum desacerto que leva o público a protestar. Recompõe a lide e crava dois curtos bem rematados. Ainda sem música vai trocar para o Roncalito.
Perante um toiro que se rachou, o cavaleiro pouco mais conseguiu lograr. ouro rachou-se. A música soou mas só houve mais um ferro mas sem história.

Por Coruche, António Tomaz brinda ao público e aguarda a colocação difícil do Vale Sorraia. Na primeira tentativa recebe mal e sai. Na segunda muda a colocação para a querença natural. Muito boa recepção e grupo fecha bem. Muito aplaudido.
Volta concedida para ambos. No entanto Palha recusa a volta e vai só aos médios. O forcado sai também perante o protesto do público.

A Salgueiro da Costa tocou o número 103, com 500 kg, negro cornalão, que colaborou sem apertar.
Montado na Princesa, brinda ao Grupo de Lisboa. Dobra-se muito bem mas o público não sente. O touro saiu pronto e logrou um bom comprido nos médios. O segundo já não resultou tanto e foi mais traseiro e lateral.
Foi buscar o Chinoca e imprime um bom galope, com um muito bom ferro a um touro sem transmissão. Segundo, nos médios é certeiro. Coloca para sesgo e cravou o terceiro que lhe trouxe música. João inspirou-se e bregou bem mas o ferro, limpo, precisava de mais touro para impactar.
Coloca nos médios e leva um toque forte ao cravar. Logo de seguida entra pelo toiro e crava bem. O público reconheceu o esforço e saiu sob aplausos.

Pelo Grupo de Lisboa foi cara o regressado Francisco Mira, antiga glória desta formação e director do nosso site. Brinda à da empresa e executa uma pega limpa e bem executada à primeira. Quem sabe nunca esquece!
Volta para ambos.

Ao Intervalo, na arena, o Grupo de Coruche ofereceu uma imagem de Nossa Senhora do Castelo ao Grupo de Lisboa.
Filipe Gonçalves abre a segunda parte e brinda a Sandra Barros, presidente da Junta de Freguesia de Abiul.
Recebe de novo no Jackpot o toiro 88, 490 kg, salgado e cornialto.
Recorta-se nos médios muito ajustado. Bons compridos com o touro a investir suave mas com a cara em cima.
Sacou o Favorito e cravou bem, rematando com três piruetas.
O segundo foi muito franco com o toiro a defender-se com a cara muito alta, escutando música.
Apos algum desacerto, chama de praça a praça e crava nos médios com acerto. Ainda outro ferro com um quiebro muito ajustado.
Bregou bem pela esquerda para equilibrar e logra um bom quiebro nos médios.
Sacou o Zidane e cravou dois pares de frente nos médios muito aplaudidos e com petição de outro ferro. Terminou com uma rosa de frente ao som de música e palmas a compasso.
Deu uma volta a agradecer a passo com o público entregue ao toureiro.

Pelo Grupo de Coruche foi Fábio Casinhas. Brinda ao público. Citou muito curto e a adiantar-se, numa pega à primeira mas pouco ortodoxa.
Boa recolha sem tempos mortos, a cargo dos campinos e cabrestos de Irmãos Dias.
Volta para ambos.

Para o quinto saiu Francisco Palha que brindou ao público.
Com o número 86, 575 kg, negro de cara bem armada, o tal quinto que nunca é mau desta vez fugiu à regra.
Montado no Irreal, teve uma série de compridos muito boa, com muito acerto na mão. Sempre a protestar o toiro carrega mas de manso.
Palha sacou o Gingão, e com o toiro a sair solto o cavaleiro carregou a sorte, aguentou e cravou o seu ferro mais emotivo.
O segundo foi bem preparado com o toiro nos médios e crava bem. Aplausos e música para mais um curto.
Foi buscar a Duquesa alternou momentos bons e alguns desacertos. Terminou com o Formigo, cravando um Violino e uma Rosa. Crava mais um violino que remata bem a faena de labor a que o toiro obrigou.

De novo Lisboa com o cara Duarte Mira, que brinda ao Grupo de Coruche.
O toiro parou a dois metros metendo depois a cara forte e projectando o forcado que se adiantou.
Pegou à segunda, carregando e a receber de lado mas bem ajudado.
Volta para ambos.

Por último o jovem Salgueiro enfrentou o número 91, 465 kg, negro bragado cornialto, brindando ao público.
A Princesa recebeu o toiro que corta o caminho mas a égua aguenta e permite o ferro. O segundo também é correcto após boa brega.
Montado no Alba, brega bem mas o toiro volta a sair solto. Citou praca a praça com o toiro fechado em tábuas mas a sair, conseguindo um bom ferro e muito bem rematado.
Toiro persegue bem pela esquerda mas por vezes corta caminho e vai ao lado do cavalo o que obriga a algumas passagens em falso.
Já ao som da banda crava bons ferros mas com o toiro a passar sem emoção. Lide correcta e limpa.

Fechou a tarde o Grupo de Coruche através de Tiago Gonçalves, a mandar e a fechar-se muito bem à primeira.
Volta para ambos.

Dirigiu com muito acerto e sentido de espectáculo o Dr. José Soares, coadjuvado pelo Dr. Luis Cruz.

A aficion de Abiul despediu-se assim da sua feira com uma corrida em que alternaram momentos muito bons com outros algo irregulares e onde se destacou a madurez de Filipe Gonçalves a assinar a melhor prestação da noite.

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