A lição de Cátedra de António; E a Bravura de “Camarito”, um Palha de Vacas!

Crónica

Alcochete voltou a encher até ás bandeiras na noite de exaltação ao toiro toiro! Duas ganadarias em desafio, Palha e Vinhas, seis estampas, seis toiros!
Grandes, com caras de qualquer praça do mundo, toiros que só de se olhar para eles metem respeito, novamente a empresa de Alcochete conseguiu o que sempre foi o cunho da sua Feira, O Toiro!
A ganadaria Palha apresentou três toiros, altos, compridos, com caras de respeito, com pesos quase fora do normal para esta ganadaria entre os 585kg e os 620kg. Tiveram mobilidade, raça, casta, a alguns faltou entrega, mas foram os três grandes toiros, com matizes. O primeiro da noite, toiro encampanado, altivo, desafiante, complicado a vender cara a sua lide. O terceiro de nome “Camarito”, toiro já com nome na ganadaria… quem não se lembram de um “Camarito” que fez história em Vic, ou do toiro que a ganadaria levou a Madrid na encerrona do Ivan Fandiño… Este de Alcochete foi de vacas, entregue desde que saiu, meteu a cara humilhada, foi pronto aos cites, perseguiu o cavalo com nobreza, bravo toiro!! O que fechou praça foi outro Palha de nota, com mais entrega que o primeiro mas não tão claro como o terceiro, pediu “certificados”, a quem teve por diante. Os Vinhas cinquenhos, rematados, com cara de senhores. Não foram claros e alguns com dificuldades difíceis de ver para o comum dos aficionados, caso do quarto, toiro muito complicado, reservado a saber o que deixava atrás. Os três toiros exigiram cavaleiros e forcados à altura.
Abriu a noite um Mestre, e o que posso dizer de um Mestre… Somente obrigado pela lição que deu aos presentes na praça de toiros de Alcochete! Ver António Ribeiro Telles lidar um toiro a pedir contas em noite de inspiração é aprender de toureio a cavalo! Levou o toiro toureado em todas as fases da lide. Lidou o toiro, corrigiu os defeitos, exaltou as suas qualidades, preparou para as sortes com arte, aguentou a investida, carregou a sorte, trouxe o toiro toureado, templando e mandando, para reunir como mandam as regras: à espádua do cavalo e ao estribo… Lide de Cátedra!
Rui Salvador andou em noite de senhor das arenas… Grande lide a um toiro complicado da ganadaria Vinhas, bem nos compridos, nos curtos apareceu o Salvador com raça a dar a volta ás dificuldades, cravando grandes ferros, grande actuação do cavaleiro de Tomar.
A Gilberto Filipe, calhou em sorte o bravo “Camarito”… O cavaleiro que monta como poucos soube aproveitar as virtudes do toiro, desenhando uma boa lide, em que a brega foi de qualidade, partido para o toiro com preceito e cravando bons ferros que agradaram e de que maneira ao público que não lhe regateou ovações.
O quarto da noite foi um toiro complicado… Manuel Ribeiro Telles teve que puxar dos galões para lhe dar a volta. Lide muito interessante em que se viram os bons conceitos de brega, sempre partido para o toiro de frente para deixar bons ferros, como mandam as regras.
O quinto um cardeno claro de Vinhas com bom tipo não pós a vida fácil a Rouxinol, Jr.. Abriu com um formidável comprido em sorte de gaiola. Nos curtos o toiro apresentou dificuldades e Rouxinol andou com raça, lide correcta que fechou com um violino em terrenos de compromisso.
António Prates a par com o outro António foi um dos triunfadores da noite em quanto a lides a cavalo se refere. Bem nos compridos, saiu com raça para os curtos e cravou ferros com emoção fazendo vibrar o público em sortes arriscadas e com impacto, bem este novel cavaleiro que em Junho último tirou a alternativa nesta mesma praça.

Na arte de pegar toiros estavam dois grupos com créditos firmados nas nossas arenas, Montemor em ano de aniversário, 80 anos e os Amadores do Barrete Verde de Alcochete.

Abriu a noite João da Camara pelo grupo de Montemor a deixar o toiro vir de longe e reunir junto ao grupo, cá atrás numa boa pega à primeira tentativa. Francisco Borges foi à cara o terceiro da noite, executando a pega à segunda tentativa, na primeira tentativa o toiro veio bruto despejando o Francisco de má maneira junto às tábuas. Na segunda tentativa, esteve como habitualmente sereno e conhecedor dos terrenos que pisava, carregou na altura certa alegrando convenientemente a investida do toiro, aguentou e recuou o necessário para se fechar exemplarmente.
Para a cara do quinto da noite foi Francisco Barreto que à segunda realiza grande pega! Na primeira tentativa o toiro não deu facilidades e foi duro na reunião. O na segunda tentativa o Francisco esteve toureiro no cite e como conhecedor exímio dos terrenos onde tudo se passa, carregou pela certa, alegrou a investida e após recuar o necessário para o tipo de toiro que enfrentava, “trancou-se” excelentemente, enchendo a cara ao toiro. Grande ajuda de António Cortes.
Pelos Amadores do Barrete Verde abriu a noite José Oliveira à segunda tentativa. Carregou, recuou a fixar o oponente, recebeu e fechou-se enchendo literalmente a cara ao toiro, com mestria. Para a cara do quarto saltou o cabo Marcelo Loia, que à primeira tentativa pegou o toiro. O forcado esteve bem à sua frente e realizou uma valente e boa pega. Fechou a noite Diogo Amaro à terceira tentativa, num toiro bruto, que despejava com violência o forcado da cara antes do grupo poder entrar. Na terceira tentativa o forcado conseguiu tapar a cara o toiro fechando-se bem de pernas e braços e ai o grupo entrou bem a ajudar consumando a sorte.
O maioral da ganadaria Palha deu volta à arena no final da lide do terceiro toiro.
Dirigiu a corrida o Sr. Fábio Costa, sendo assessorado pelo veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

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