Crescer sem dificuldades, sem cair é um mito que muitos de nós ainda sustentamos, especialmente entre os 20 e os 40 anos. Recordo-me de uma queda quando era criança. Corri e, em pouco tempo, o chão transformou-se num palco de dor e sangue. O olhar fixo no meu pai não trouxe os socorros que esperava; foi-lhe suficiente dizer que tinha de me levantar e voltar a casa. E foi isso que fiz, arrastando-me com uma dor avassaladora.
A vida nos moldou para sermos **resilientes**, para avançar mesmo quando a dor é palpável. Contudo, o que parecia ser um atributo valioso tornou-se um pesado fardo. Hoje, muitos jovens enfrentam um **exaurimento** que não anteciparam, um reconhecimento de que a determinação constante não é sempre uma virtude, mas frequentemente uma carga imposta.
Aprendemos a perseverar em todas as circunstâncias, mas a que custo?
Cerca de 66% dos jovens, segundo um relatório, sentem os efeitos do **exhausto profissional**. Um número alarmante comparado aos mais velhos, cuja porcentagem se cifra em apenas 39%. A doutora Christina Maslach, autoridade no tema, diz que quem enfrenta estas dificuldades sente um **cansaço emocional**, um **distanciamento** do trabalho e uma clara perda de envolvimento.
Esta realidade está intimamente ligada a ambientes de trabalho onde a pressão é incessante e a recuperação se tornou um conceito quase alienígena. A crença de que o valor individual está intrinsecamente ligado à nossa capacidade de suportar tem raízes profundas e perniciosas.
Conforme um estudo recente, o **Burnout** atinge níveis sem precedentes entre as gerações mais novas, alimentado por incertezas económicas e pela falta de suporte no trabalho.
Perseverar tornou-se a norma, mas a sustentabilidade vem do descanso.
Resiliência é frequentemente romantizada, mas a verdade é que aqueles entre os 20 e os 40 anos tornaram-se a **geração do burnout**. A pressão incessante para **continuar** e mostrar força resulta frequentemente num colapso emocional e físico. Os millennials, de acordo com uma publicação na *Acta Psychologica*, são descritos como afetados por um **stresse** elevado devido às exigências do mundo laboral contemporâneo.
Perto de um quarto dos jovens entre 21 e 35 anos apresentam sinais de sofrimento extremo, um valor superiores às gerações precedentes. Ao longo de nossas vidas, essa lição de “não desistir” transformou-se, na verdade, em uma obrigação que carregamos pesadamente nas costas.
Diante de demasiadas responsabilidades, desde a infância, fomos queimados pelo desempenho. Enfrentamos crises financeiras e chegamos ao mercado de trabalho sobrecarregados por dívidas estudantis e sem perspectivas. “Trabalha arduamente, não te queixes, persevera” tornou-se o nosso mantra, aprendido sem qualquer suporte real. A resiliência, assim, tornou-se uma armadilha.
Desejamos todos o sucesso, mas a luta constante não é uma garantia de felicidade.

Mas, muitos de nós não sabemos como parar. A mentalidade do **sempre seguir em frente** transforma cada pausa em uma fraqueza, embora ela seja, na verdade, uma forma inteligente de gestão de energia. A resiliência deve coexistir com o **apoio**; sem este, a resiliência torna-se um simples exercício de resistência. Se não estabelecermos limites, quando a ansiedade e o stress se acumulam, o que ocorre é um colapso total.
A verdadeira resiliência envolve descanso e autoamor.
Eu mesma já caí na armadilha da perseverança excessiva. Acreditando que suportar mais pressão me levaria a um sucesso, alcancei um ponto de ruptura. A verdadeira resiliência não está apenas em continuar, mas também em saber quando é necessário **pausar**. A recuperação é uma parte vital do processo.
Imaginemos um músculo: se for constantemente forçado sem descanso, ele se rompe. Com descanso, sim, ele se torna mais forte. Portanto, a verdadeira resiliência provém do respeito às próprias limitações.
Só respeitando nossos limites podemos redefinir a resiliência.

Sugiro que reflitam sobre o que significa ser resiliente para vocês. Reler sobre limites, sobre pausas. Estabeleçam momentos de descanso, porque cada um de nós **tem o direito** de parar, de dizer não, buscar apoio e priorizar o nosso bem-estar.
Devemos fazer a transição de glorificar a exaustão para valorizar formas de resiliência que promovem a saúde mental e o florescimento individual. Um estudo recente revelou que **47% dos trabalhadores** se encontram em situação de **stress psicológico**, e um terço destes corre risco de burnout, afetando os jovens particularmente.
Assim, redefinamos a resiliência, não pela pressão, mas pela sabedoria de saber quando é o momento de parar e cuidar de nós mesmos. Não precisam continuar “a sangrar” durante a jornada; o descanso é um caminho para o verdadeiro crescimento.




