O envelhecimento é uma viagem repleta de transformações e perceções. Durante muito tempo, encarei a passagem do tempo como uma perda. No entanto, ao observar o mundo ao meu redor, percebo que esta ideia é, na verdade, redutiva. Muitas pessoas, com o passar dos anos, parecem ganhar uma nova serenidade e liberdade interior. Por vezes, anseio chegar aos 70 anos. Surpreendentemente, as mulheres mais felizes que conheço estão nessa faixa etária. Elas possuem marcas no rosto, mas irradiam uma sensação de libertação e autoconfiança.
O tempo é um aliado que muda a nossa forma de perceber a vida. À medida que envelhecemos, aprendemos a valorizar o que realmente conta e a desapegar do olhar alheio. A juventude, frequentemente, está envolta em expectativas e comparações. O verdadeiro contentamento, parece, surge quando deixamos de correr atrás de ilusões.
Uma juventude sob pressão
Curiosamente, as mulheres mais infelizes que conheço têm entre 20 e 30 anos. Elas lutam para encontrar o seu espaço neste mundo e muitas vezes percebem que a feminilidade nada tem a ver com as promessas ideais que nos apresentam.
Elas ainda sente a necessidade de agradar e corresponder a expectativas. Enquanto algumas adiam decisões importantes, como casamento e filhos, os seus fins de semana e redes sociais estão repletos de casamentos e encontros festivos, acarretando uma pressão social que provoca ansiedade.
Na minha própria experiência, a juventude trouxe momentos de felicidade, mas também uma perda da autenticidade. Olhando para trás, lamento não ter mais aproveitado aqueles anos sem responsabilidades e obrigações. Teria gostado de dormir mais, de explorar a natureza e de me libertar de relações que não me representavam.
A adolescência foi repleta de altos e baixos, e hoje, ao refletir sobre a década dos 40, sinto que ela me trouxe um conforto que me faltou nas anteriores. Contudo, não escapei às exigências do mundo moderno. A intensidade das emoções e a sobrecarga podem ser desafiadoras, principalmente quando a vida comunitária se desestabiliza, acrescentando ao caos emocional do dia-a-dia.
Apesar das mulheres na casa dos 40 anos tentarem ser mais autênticas, ainda estamos todos presos numa corrida incessante, incapazes de desacelerar. As nossas vidas estão repletas de tarefas intermináveis que, quando não geridas, ameaçam desmoronar. As despesas aumentam, e o tempo nunca parece ser suficiente.
Pelo que diz a sociedade, deveria lamentar o passar da juventude, mas prefiro que os mais jovens desfrutem plenamente da sua. Invejo, na verdade, as publicações dos meus amigos e familiares mais velhos nas redes sociais. Eles experimentam três tesouros raros que parecem estar ausentes nas vidas mais jovens: tempo, laços sociais e autonomia.
As mulheres na casa dos 70 anos, que também passaram por momentos desafiadores na maternidade, hoje florescem. Reconheço que viver esses desafios não deveria implicar na perda de identidade, e que não precisamos de autorização social para priorizar os nossos próprios desejos e necessidades.
1. As mulheres com 70 anos ou mais têm tempo livre

Contudo, o tempo não garante felicidade. A forma como o utilizamos é crucial. Muitas mulheres com mais de 70 anos optam por interagir com o mundo ao invés de se perderem em distrações. O tempo que elas dedicam ao aprendizado e à socialização é precioso.
Uma das minhas tias, por exemplo, dedica as suas semanas a atividades diversificadas como caminhadas, aulas de desenho e até mesmo voluntariado. Outra tia envolveu-se em práticas espirituais e continua a ensinar. Esse tipo de envolvimento é inspirador e um lembrete constante do que é importante na vida.
2. Liberdade no uso do tempo

Além disso, as relações que cultivamos exigem tempo e atenção. O convívio com os nossos ente queridos deve ser priorizado, mesmo que por breves momentos no dia a dia. Ao observar as mulheres mais velhas à minha volta, percebo que elas não apenas cuidam dos outros, mas também valorizam a presença genuína com quem amam.
3. Valorização da autonomia

O passar do tempo traz a consciência da autonomia. Na minha juventude, com frequência via o futuro como uma escada a subir, numa incessante busca por validação profissional. No entanto, as mulheres que admiro, com mais de 70 anos, utilizam a sua experiência de vida para afirmar a sua voz e as suas escolhas.
Minhas amigas mais velhas, muitas vezes, recordam que a verdadeira liberdade vem da capacidade de decidir sobre o próprio destino, sem depender da aprovação de terceiros. Uma das histórias que mais me impactou foi a da minha tia-avó, que, após décadas de casamento, decidiu recomeçar a vida sozinha, abrindo-se a novas possibilidades.
Essas mulheres transmitem uma lição valiosa sobre a importância de manter a própria identidade, independentemente das circunstâncias externas. A vida, portanto, não é apenas sobre os desafios, mas também sobre a beleza das escolhas e ações que podemos fazer.
Considerando tudo isso, percebo que continuar a abrir novos horizontes e a desbravar novas experiências ajudará a moldar um futuro mais pleno e gratificante. O envelhecer não é um fardo, mas um convite a explorar ainda mais, amar e aprender ao longo do caminho.




