Praticar esse passatempo aumenta a inteligência e o sucesso das crianças, revela um estudo

Nos dias de hoje, os jogos de vídeo ocupam um espaço significativo na vida quotidiana, tanto de crianças como de adultos. Muitas famílias observam que os seus filhos preferem passar tempo diante de um ecrã a dedicar-se a outras atividades. As consolas, os computadores e os tablets oferecem uma gama de mundos virtuais fascinantes que alimentam a imaginação. Para alguns adolescentes, os jogos de vídeo transformam-se num verdadeiro meio de socialização com amigos online.

Os pais muitas vezes questionam se essas horas passadas em frente ao ecrã são genuinamente benéficas ou se prejudicam o desenvolvimento. Investigadores também se debruçam sobre o impacto que os jogos de vídeo têm nas competências cognitivas e emocionais das crianças.

Crianças e adultos desfrutam tanto dos jogos de vídeo que jogariam incessantemente se a sua agenda ou os pais não o impedissem. De facto, adultos que jogam regularmente reportam-se como mais felizes e relaxados. Os jogos de vídeo podem, deste modo, constituir um meio eficaz de fuga ao stress diário.

Entretanto, no que diz respeito aos mais jovens, pais e especialistas debatem há muito os potenciais riscos associados a estas atividades. Algumas investigações anteriores sugeriam que os jogos de vídeo poderiam fomentar comportamentos violentos ou outras atitudes negativas.

No entanto, uma nova pesquisa indica que crianças que jogam jogos de vídeo têm quase o dobro de chances de desenvolver capacidades intelectuais robustas e obter melhores resultados escolares no geral.

Jogos de vídeo: um trunfo para a inteligência das crianças

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Crianças que dedicam tempo a jogos de vídeo como passatempo tendem a tornar-se mais inteligentes e a obter melhores resultados.

Embora esta ideia possa ser desconcertante para alguns, estudos revelaram que jogar jogos de vídeo pode, na verdade, ser vantajoso para as crianças.

Para esta investigação, publicada na revista Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, investigadores da Universidade de Columbia analisaram dados de 3.195 crianças, com idades entre 6 e 11 anos, coletados no âmbito do programa School Children Mental Health Europe.

Os pais e professores avaliaram a saúde mental das crianças através de um questionário, enquanto os próprios pequenos responderam a perguntas através de um meio interactivo.

Muito tempo a jogar: melhores resultados académicos e intelectuais

Em geral, cerca de 20% das crianças jogavam jogos de vídeo mais de cinco horas por semana. Após ajustarem a análise segundo a idade e o sexo das crianças, assim como a presença de irmãos, a faixa etária das mães, a situação matrimonial, o nível de escolaridade, a situação profissional, a angústia psicológica e a região, os investigadores descobriram que o uso regular dos jogos de vídeo estava associado a uma probabilidade 1,75 vezes maior de se apresentarem desempenhos intelectuais elevados e a uma probabilidade 1,88 vezes maior de terem sucesso escolar global.

Crianças que jogam regularmente jogos de vídeo são também mais sociais com os seus colegas.

Desconstruir as ideias preconcebidas sobre os gamers

A maioria das pessoas presume que se as crianças passam o tempo com as suas consolas em vez de estarem com os amigos, provavelmente são socialmente desajeitadas. Contudo, os investigadores descobriram que tal preconceito não se confirma.

Os estudos revelaram que não havia qualquer associação significativa com os problemas de saúde mental reportados pelas próprias crianças ou pelos seus pais e professores. É relevante notar que a prática regular dos jogos de vídeo estava relacionada a menos problemas relacionais com outros jovens. Em outras palavras, crianças que jogam frequentemente estão mais integradas socialmente.

A Dra. Katherine Keyes, professora associada de epidemiologia na Universidade de Columbia, comentou:

«Estes resultados indicam que crianças que jogam frequentemente a videojogos podem ser socialmente unidas aos seus pares e bem integradas na comunidade escolar.»

Importância de limitar o tempo de ecrã

É fundamental que os pais moderem o tempo que as crianças passam diante de ecrãs. Brincar juntos, como pai e filho, é uma excelente forma de reduzir o tempo de ecrã.

É animador saber que os jogos de vídeo não são mais vistos como a atividade prejudicial que se pensava outrora.

No entanto, isso não significa que os pais devam abdicar de limitar o tempo que as crianças passam em frente ao ecrã, pois, como em tudo, mesmo as boas coisas têm os seus limites.

As evidências sobre o tempo de ecrã e os seus efeitos negativos, na ausência de regulação, são inegáveis.

Cautela e responsabilidade parental

A Dra. Keyes, no entanto, alertou contra qualquer interpretação excessiva. A limitação do tempo em frente a ecrãs continua a ser um elemento essencial da responsabilidade parental para a estratégia global de sucesso escolar.

A pesquisa concluiu que jogar a jogos de vídeo “pode ter efeitos positivos sobre os jovens”, mas que “os mecanismos pelos quais a utilização de videojogos pode estimular as crianças devem ser investigados mais a fundo”.

Dito isto, tanto pais como filhos podem celebrar: esta popular atividade lúdica não irá “abobalhar”, como se dizia anteriormente.

Na verdade, os benefícios do jogo são agora inegáveis.

Uma reflexão equilibrada sobre o jogo e o desenvolvimento infantil

Este estudo convida-nos a ultrapassar os estigmas que rodeiam a ideia de que os jogos de vídeo são intrinsecamente prejudiciais para as crianças. Eles demonstram que o jogo, quando praticado com moderação e num contexto equilibrado, pode ser um veículo de aprendizagem, socialização e desenvolvimento intelectual.

No entanto, é importante ressaltar que o digital é apenas uma ferramenta entre muitas: a leitura, as atividades desportivas, as interações familiares e experiências criativas desempenham também um papel fundamental no crescimento das crianças.

Assim, a questão não se resume a saber se os jogos de vídeo são “bons” ou “maus”, mas sim a refletir sobre como acompanhamos as crianças na multidão de experiências que têm.

A responsabilidade parental e educacional deve menos se centrar na proibição e mais na orientação, estabelecendo um equilíbrio entre prazer, aprendizagem e tempo de descanso.

Tal como em muitos aspectos da vida, é a medida e a consciência do uso que permitem transformar um simples passatempo numa oportunidade real de crescimento.

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