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A relação entre avós e netos ocupa um lugar muito especial na família. Os avós que mantêm os laços mais fortes com os netos ajudam a transmitir memórias, partilhar uma história comum e oferecem uma presença afetiva diferente da dos pais. Pesquisas corroboram este fato. Uma revisão sistemática de 18 estudos sobre avós e seus netos adolescentes salienta a importância da qualidade do vínculo afetivo, da comunicação e das relações familiares na qualidade desta relação.
Porém, essa proximidade não se cria facilmente. Os laços mais fortes entre avós e netos geralmente se constroem ao longo do tempo, através de gestos simples, como estar disponível para ouvir, respeitar a sua personalidade e interessar-se pelo seu dia a dia. Adaptar a relação à medida que eles crescem é fundamental.
Vários hábitos podem, aliás, ajudar os avós a estabelecer laços fortes e duradouros com seus netos.
Antes de prosseguir, é importante frisar que não somos psicólogos nem médicos; os estudos mencionados neste artigo destacam principalmente associações entre a qualidade das relações familiares e diferentes aspectos do bem-estar. Não estabelecem sempre um vínculo direto de causa e efeito. Cada família possui sua própria história, dinâmicas e desafios. Estas sugestões devem ser vistas como orientações gerais e não como regras universais ou recomendações psicológicas personalizadas.
8 coisas que frequentemente fazem os avós que mantém os laços mais fortes com seus netos, segundo a psicologia

1. Respeitam as regras estabelecidas pelos pais
Para manter uma relação harmoniosa com os netos, os avós devem também respeitar o lugar dos pais.
Isso inclui as regras sobre o uso de ecrãs, doces, sono e disciplina. Mesmo que tenham tomado decisões diferentes quando eram pais, evitar contradizer os pais contribui para preservar um ambiente coerente.
Uma investigação envolvendo 317 famílias observou que uma relação de coparentalidade mais saudável entre pais e avós estava associada a melhores relações entre pais e filhos.
Os pais conhecem geralmente os necessidades dos seus filhos e tomam decisões em função do que acreditam ser do seu interesse. Evitar conflitos entre adultos ajuda a manter um ambiente familiar mais sereno.
Isso implica também manter uma relação respeitosa com o genro ou nora.
2. Fazem perguntas que realmente incentivam a resposta
«Como foi o teu dia?» pode às vezes resultar apenas num simples «bem». Para estabelecer uma verdadeira conversa, é melhor fazer perguntas abertas que não provoquem no neto a sensação de estar a ser interrogado.
Por exemplo, perguntar-lhe o que o fez rir, o que mais gostou na escola, o que aprendeu ou o que lhe interessa neste momento. O objetivo é, acima de tudo, mostrar curiosidade pelo seu universo. Sem pressão para fornecer a «resposta certa», a criança pode sentir-se mais livre para contar o que deseja.
A comunicação desempenha um papel importante, uma revisão sistemática sobre a proximidade emocional entre avós e netos adolescentes identificou este fator como influente nesta relação.
Esta qualidade de ouvir faz parte dos traços frequentemente observados em pessoas que mantêm um laço especial com os netos.
3. Interessa-se pelo mundo dos netos

Os avós que mantêm relações mais próximas com os netos não os convidam constantemente para o seu mundo. Eles esforçam-se para entrar no deles.
Isto pode significar descobrir um filme que adoram, ouvir a sua música favorita, entender um videojogo ou simplesmente perguntar-lhes porque uma determinada atividade os apaixona tanto. Não é necessário gostar das mesmas coisas; o que importa é mostrar ao neto que os seus gostos e interesses merecem atenção.
Uma estudo com 474 jovens é particularmente interessante neste contexto. Revela que a qualidade da relação com os avós, mais do que a quantidade de contatos, está associada a vários indicadores de adaptação psicológica no final da adolescência.
4. Sabem ouvir sem querer imediatamente dar uma solução
Quando um neto relata uma dificuldade, o primeiro impulso pode ser de oferecer um conselho ou procurar solução. Contudo, isso não é sempre o que o jovem precisa.
Ouvir antes de aconselhar pode criar condições para que a criança se sinta confortável para falar abertamente. Às vezes, ela só busca aconchego, deseja ser tranquilizada ou precisa expressar o que sente. A solução pode vir depois, se for realmente necessária.
De forma mais ampla, uma estudo com 925 jovens adultos constatou que uma relação mais estreita com os avós estava associada a menos sintomas depressivos em determinadas dinâmicas familiares.
A escuta atenta e a disponibilidade são também hábitos comuns entre avós que criam laços fortes com os netos.
5. Mostram aos netos que são importantes

Amar os netos é uma coisa. Fazer com que eles sintam esse amor é outra completamente diferente.
Isso pode passar por simples gestos, como guardar os seus desenhos, exibir fotos, lembrar-se de um evento importante ou assistir, quando possível, a uma competição desportiva, espetáculo ou festa escolar.
Estas atenções indicam à criança que o que acontece na sua vida realmente interessa aos avós.
Uma pesquisa realizada com 401 jovens adultos estabeleceu um vínculo entre a comunicação afetuosa dos avós, o sentimento de identidade familiar partilhada e uma menor solidão. Mesmo que esta associação dependesse das percepções dos netos sobre o futuro dos avós.
Esse sentir-se importante pode ter mais valor do que presentes. Como já discutimos em um artigo sobre avós preferidos por seus netos, o tempo, a atenção e o interesse ocupam um espaço essencial nesta relação.
6. Trasmittem a história da família
Os avós possuem algo que ninguém mais pode transmitir da mesma forma: as suas memórias.
Contar a juventude dos pais, recordar os bisavós, explicar certas tradições familiares ou partilhar anedotas antigas permite às crianças descobrir uma história que começou muito antes do seu nascimento.
Essa transmissão pode ter uma importância particular durante a adolescência. Estudos sobre narrativas familiares intergeracionais mostraram que os adolescentes cujas narrativas familiares apresentavam mais conexões entre gerações e mais perspectiva tinham níveis mais elevados de bem-estar.
Os avós, assim, tornam-se transmissores de memória entre várias gerações. Esta passagem de valores, tradições e história familiar é apenas uma das muitas funções positivas que os avós podem desempenhar na vida dos seus netos.
7. Aceitam que a relação muda à medida que os netos crescem

Uma criança de 6 anos e um adolescente de 16 anos têm, evidentemente, necessidades diferentes. Assim, uma relação próxima deve evoluir.
Os fins de semana com os avós podem tornar-se menos frequentes, uma vez que os adolescentes gradualmente dedicam mais tempo aos amigos, aos estudos, às atividades e à sua própria vida.
Isso não significa necessariamente que o afeto desapareça.
As investigações sugerem, aliás, que é crucial distinguir entre a frequência de contatos e a qualidade do vínculo. Em uma pesquisa com 474 jovens no final da adolescência, a qualidade da relação com os avós estava associada a diversos aspectos de sua adaptação psicológica, ao contrário da quantidade de contatos estudados.
Os avós que aceitam essa evolução sem culpar os netos permitem-lhes ganhar autonomia, permanecendo ao seu lado.
Estabelecer um vínculo forte com os netos à medida que eles crescem requer saber adaptar-se a essa nova fase de suas vidas.
8. Criam pequenas rotinas que pertencem apenas a eles
Os laços mais fortes com os netos também se nutrem de momentos simples que ocorrem regularmente. Pode ser um passeio, um lanche especial, uma chamada semanal, uma receita cozinhada em conjunto ou uma tradição reservada para as férias.
Essas rotinas proporcionam aos netos referências e criam uma história comum. Não precisam ser extraordinárias; o valor reside sobretudo na regularidade e na atenção dada à criança.
Um estudo longitudinal com 713 famílias sugere que rituais familiares estão ligados a uma maior coesão familiar e, indiretamente, ao bem-estar dos adolescentes. Para os avós, instituir algumas tradições pessoais pode ser uma maneira simples de manter a proximidade, mesmo quando os netos crescem ou vivem mais longe.
A essência não está em multiplicar atividades, mas sim em criar momentos que a criança irá associar ao seu avô e que terá prazer em reviver.
Os avós que criam os laços mais fortes com seus netos focam nas pequenas coisas
Não é necessário ser um avô perfeito para cultivar uma relação forte. Os avós que mantêm os laços mais fortes com os netos frequentemente priorizam gestos simples, que muitas vezes têm um impacto significativo, como ouvir sem julgar, respeitar os pais, interessar-se pelo que a criança gosta, partilhar memórias e estar presente sem ser invasivo.
A pesquisa mostra, acima de tudo, que a qualidade da relação é primordial. Um estudo de 2023 sobre a proximidade entre avós e netos associou uma relação mais estreita a menos dificuldades emocionais, comportamentais e relacionais em crianças criadas pelos avós.
Com o passar dos anos, a relação muda, é inevitável. No entanto, quando um neto sabe que pode contar com os seus avós e que é aceite como é, esse vínculo pode acompanhá-lo por toda a vida.
Como manter laços fortes com os netos apesar da distância

Viver perto dos netos facilita, evidentemente, os encontros. No entanto, a distância não impede a construção de uma relação sólida. Mesmo quando há centenas ou milhares de quilómetros a separar as gerações, algumas práticas podem ajudar os avós a permanecerem presentes na vida das crianças.
Telefones, mensagens e videochamadas oferecem diversas possibilidades para sustentar essa proximidade. O essencial é menos a distância geográfica do que a qualidade e a regularidade dos contactos.
1. Estabelecer encontros regulares, mesmo à distância
Quando as visitas são raras, a regularidade pode tornar-se particularmente importante para manter os laços fortes com os netos.
Uma mensagem ocasional, uma videochamada semanal ou um encontro telefónico regular permitem à criança sentir que os avós pensam nela e que permanecem disponíveis, mesmo com a distância.
À medida que os netos crescem e têm telemóvel, pode ser interessante comunicar diretamente com eles, em vez de sempre passar pelos pais. Uma mensagem de encorajamento antes de um exame ou algumas palavras para saber como estão já é suficiente para mostrar que eles são importantes para você.
Esta prática não impossibilita, evidentemente, a preservação de boas relações com os pais. Uma boa convivência familiar contribui igualmente para manter o vínculo entre as gerações.
Como já abordamos, algumas rotinas permitem aos avós criar ligações particularmente fortes com os seus netos.
2. Interessa-se pelos pequenos detalhes do seu dia a dia

Não é preciso esperar por um aniversário, Natal ou formatura para saber como vão os netos.
Os pequenos detalhes importam, como lembrar-se do nome de um amigo, perguntar como correu um jogo, desejar boa sorte antes de um espetáculo ou retomar informações sobre uma atividade que a criança mencionou anteriormente.
Essa atenção mostra que o avô se interessa não apenas pelos grandes momentos da vida, mas também pelo que a criança vive no seu dia a dia.
A pesquisa demonstra a importância da qualidade das interações. Uma investigação sobre as relações entre avós e jovens no final da adolescência associou a qualidade dessa relação a vários aspectos da adaptação psicológica, mais do que a simples quantidade de contatos.
Esta atenção ao cotidiano também se refletenos comportamentos dos avós que permanecem profundamente amados pelos netos.
3. Partilham atividades apesar da distância
As conversas não são a única forma de manter a proximidade. Fazer algo juntos pode tornar as interações mais naturais e criar memórias partilhadas.
Os avós e netos podem ler o mesmo livro, assistir ao mesmo filme, cozinhar uma receita cada um em sua casa, jogar um jogo online ou seguir juntos um programa.
A atividade torna-se, assim, um ponto de encontro, mesmo à distância, e fornece tópicos para conversa.
Essas pequenas tradições também podem evoluir à medida que a criança cresce. O importante é encontrar uma atividade que realmente a interesse, em vez de tentar reproduzir exatamente os momentos que se partilhariam se vivem-se próximos.
Mesmo à distância, criar um vínculo forte com os netos baseia-se, sobretudo, numa presença regular, atenção e interesse sincero pela sua vida.
Este artigo é apresentado com fins informativos e de reflexão. Não se trata de aconselhamento médico, psicológico ou profissional. As ideias mencionadas baseiam-se em pesquisas publicadas e observações editoriais, e não decorrem de uma avaliação clínica. Para sua situação específica, consulte um profissional qualificado.



