O Caminho para a Adultez: Um Desafio Contemporâneo
Há dias em que acordamos com a sensação de que a vida adulta é, na verdade, uma interminável série de obrigações. Fazer compras, pagar contas, marcar serviços… estas pequenas tarefas acabam por consumir cada minuto do nosso dia. Sonhamos com momentos em que poderíamos simplesmente descansar, ler ou ver um filme sem a sombra de múltiplas responsabilidades a pairar sobre nós.
Contudo, estas atividades fazem parte do que muitos chamam de “tornar-se adulto”. Um termo que ouvimos frequentemente, geralmente envolto em humor ou exasperação. No fundo, esconde uma reflexão profunda sobre o significado de assumir o comando da própria vida.
Por exemplo, conversava com um amigo que passou a manhã a levar a irmã ao trabalho, a buscar a bicicleta para reparação e a vacinar o gato dos vizinhos. Ele fez questão de assinalar: “Eis a minha manhã de #tornar-seadulto”.
Ao pensar nas adversidades que gerações anteriores enfrentaram sem queixas, percebo que essa transição para a idade adulta não é apenas uma piada ou um clichê. Algumas críticas ao termo existem, mas também se pode encarar como uma forma de auto-reflexão irónica. Contudo, ser adulto vai além de sair de casa dos pais, alugar um apartamento ou comprar um carro. Mesmo indivíduos bem-sucedidos nas suas quatro décadas de vida continuam a lamentar as obrigações diárias.
1. Saber Gerir as Emoções
Tornar-se adulto não se resume a comportamentos típicos dessa fase, mas inclui o sentimento de realização ao fazer algo com maturidade, mesmo que isso exija esforço. Para os críticos, ir ao correio enviar um pacote talvez não deva ser uma tarefa tão desafiante. Contudo, pode parecer um imenso fardo quando temos mil e uma outras coisas a fazer.
Cada um amadurece ao seu próprio ritmo. Para alguns, certas tarefas adultas revelam-se mais difíceis e desgastantes. Crescer também é enfrentar esse forte sentimento negativo que muitas vezes acompanha um dia repleto de atividades desprezíveis. Dedicar tempo a estas obrigações é um sinal de maturidade; implica vencer o medo de perder momentos divertidos.
2. Assumir Responsabilidades Diárias
Assumir responsabilidades é um dos aspetos mais concretos da vida adulta. Muitos jovens optam por casar ou comprometer-se mais tarde, aprendendo a gerir a sua independência progressivamente. Casar-se muito jovem pode ser mais um aprendizado sobre vida familiar do que uma verdadeira autonomia. É a primeira vez que alguém vive longe da família, exceto talvez em situações de estudos superiores, que não envolvem toda a carga de responsabilidades de uma vida verdadeiramente independente.
Dividir tarefas domésticas pode ser divertido, mas ambas as partes ainda têm de fazer tudo. Se viver sozinho, a responsabilidade é totalmente sua: pagar contas, decidir sobre um carro, escolher as suas férias, enquanto lava a roupa, limpa a casa e, claro, mantém um emprego.
Gerir a vida exige um enorme esforço, e tornar-se adulto é uma maneira de expressar tanto o prazer de ser responsável quanto o desagrado de ter de o ser. Isso pode justificar porque pessoas na casa dos 40 anos continuam a lamentar as obrigações da vida adulta. Um estudo sobre a transferência das responsabilidades dos pais para os filhos sublinha o quão extenuante pode ser assumir responsabilidades em qualquer idade.
3. Cultivar Relações Equilibradas
Não se trata apenas de tarefas domésticas. Os comportamentos interpessoais são também um sinal de maturidade. Saber abordar um conflito com um colega, falar em reuniões e terminar um relacionamento cara a cara em vez de cortar laços de forma abrupta, são práticas que demonstram maturidade. De acordo com estudos, os conflitos nas relações são um importante fator preditivo do ostracismo no trabalho.
Quem usa a hashtag #tornar-seadulto para referir-se ao jantar que organizou com os nove colegas do seu parceiro pode estar a expressar que é uma obrigação, embora maçadora. Jantares são sinónimo de “vida de adulto”, assim como “as coisas que faço pelo(a) meu/minha parceiro(a) porque estou numa relação adulta”.
4. Fazer Escolhas Conscientes Face às Limitações
Durante um dia de folga, pode optar por ir ao cinema, jantar com um amigo ou fazer uma caminhada na montanha. Mas, por outro lado, pode escolher fazer compras, cozinhar, limpar, ir ao dentista ou levar o carro à mecânica. Essas obrigações, embora menos divertidas, muitas vezes são as que escolhemos para sermos responsáveis.
Às vezes, sacrificamos o prazer e a facilidade para optarmos por agir de forma responsável, porque sabemos que é a escolha certa. Renunciar às redes sociais em prol das responsabilidades da vida adulta é, sem dúvida, um verdadeiro desafio.
5. Adotar um Comportamento Maturado e Reflexivo
Uma das razões pelas quais nos esforçamos para tornar-nos adultos é que ninguém nos levará a sério se não o fizermos, nem nós mesmos. Ao assumir responsabilidades, experimentamos um sentimento de liberdade. Embora muitas destas tarefas sejam inevitáveis, podemos sempre sorrir enquanto adicionamos a hashtag #tornar-seadulto. Estudos mostram que é gratificante assumir o controle do próprio destino e agir como adulto, seja qual for a idade.
Permita-se ser surpreendido, independentemente da idade, ao completar uma tarefa que antes acreditava ser impossível. “Consegui acompanhar a minha mãe ao hospital e lidar com tudo sem desmoronar?” Parabéns! Isso pode significar que você é muito mais capaz do que imaginava… #vidaadulta.
Considerações Finais
Por fim, tornar-se adulto não se limita a pagar contas, fazer compras ou marcar compromissos. É, antes de tudo, aprender a gerir os próprios sentimentos, responsabilidades, relações, escolhas e comportamentos, muitas vezes com paciência e perseverança.
As gerações passadas enfrentaram tudo isso sem grandes queixas, e podemos aprender com elas: cada esforço, por mais banal que pareça, é uma vitória sobre nós próprios. Em vez de nos lamentarmos, talvez seja mais útil sorrir diante destes desafios diários e recordar que cada pequena tarefa realizada nos torna um pouco mais mestres da nossa vida. Tornar-se adulto, no fim, é essencialmente aprender a confiar em nós mesmos e a orgulhar-nos das nossas conquistas, mesmo as mais modestas.




