40 anos Novo Burladero

Crónica

Já passaram 40 anos, desde que um jovem aficionado impôs a si próprio o desafio de lançar uma revista de toiros diferente, ainda de capa a preto e branco e com o título de Burladero, saía no dia 1 de Maio de 1978 o primeiro número, com a capa dedicada ao niño prodígio do toureio a cavalo João Moura.

Em 1981 passa a publicação a intitular-se Novo Burladero, mantendo essa designação até aos dias de hoje. João Queiroz soube ao longo destes 40 anos reinventar a revista vezes sem conta, tendo como colaboradores os nomes mais sonantes e entendidos do meio. Nomes incontornáveis da escrita taurina como Cristóvão Moreira, Cabral Valente, Niza Lavadinho, Vasconcelos Ribeiro, e tantos outros.

Quis o destino que João Queiroz convidasse o meu pai para colaborador em 1981 (colaboração essa que com mais ou menos intermitência se mantém até aos dias de hoje), tinha eu na altura 1 ano. Foi portanto para mim normal crescer com a presença do Novo Burladero em casa, que alguns membros da equipa se tornassem habituais no convívio familiar e que o assunto entre eles fosse sempre toiros.

Tive o privilégio de assistir a inúmeras conversas de iluminados taurinos como o  Dr. Fernando Teixeira o Sr. José Tello Barradas, ou o Dr. Francisco Botelho Neves,  das histórias partilhadas sobre viagens às feiras espanholas com o Pedro Ferreira, Luís Castro, e outros tantos que fizeram parte desta grande família.

Há ainda alguém que todos os aficionados da década de 80 recordam certamente e que pessoalmente marcou a minha infância, o António Oliveira “El Bornero” também conhecido como o “Espanhol”. Era o vendedor directo da Novo Burladero nas praças e um comunicador nato. Quem não se lembra do grito “Olha o Novo Burladero” ia-se movimentando entre o público e sempre metendo conversa… “Oh Joãozinho, já sabe da bronca do empresário que não pagou? Não perca… tudo na Novo Burladero!” Que saudades…

O entusiasmo do director na promoção da tauromaquia e dos novos valores foi tal que a revista acabou por apadrinhar grandes iniciativas que deram a conhecer ao mundo grandes toureiros através das várias edições da orelha de ouro e da espora de prata, bem como o reconhecimento merecido a várias personalidades com o “Prémio Bacatum”.

Ao longo destes 40 anos, João Queiroz tem mantido o rigor e a seriedade que sempre caracterizaram esta publicação, não deixando nunca que a sua paixão por um tipo de toureio tolde o discernimento na crítica, ao longo dos anos tem sabido sempre rodear-se de pessoas que dominam o tema que abordam e que conseguem sempre manter a isenção (algo que nos dias de hoje é cada vez mais difícil).

Tive o privilégio de há meia dúzia de anos ter sido convidado para participar na revista com uma colectânea de artigos técnicos sobre pelagens e configuração das córneas, foi um orgulho enorme fazer parte de algo tão importante.

Na actualidade a equipa é invejável, os melhores fotógrafos, os artigos técnicos e de opinião interessantíssimos, um verdadeiro entendido dos cavalos como o Luís Esteves, a insubstituível Catarina Bexiga que para além de ser o braço direito do director, tem nas suas crónicas o espelho perfeito do que se passa na arena.

E ao leme… o timoneiro de sempre, o enorme João Queiroz.

Ao escrever estas palavras, olho para a estante onde estão encadernadas todas as edições do Burladero guardadas religiosamente pelo meu pai desde o número um, e penso que esta é sem dúvida a maior enciclopédia da tauromaquia Portuguesa.

Só nos cabe agradecer ao João Queiroz, os sacrifícios que tem feito ao longo destes 40 anos para que o Burladero se mantenha uma realidade, e esperar que venham outros tantos com a mesma exigência e paixão que tão bem definem a mais importante publicação taurina portuguesa.

 

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