Integrada na feira OlivoMoura, voltou a realizar-se após um ano de interregno esta tradicional corrida de toiros na cidade das ruas floridas.
Em boa hora, João Cortez e Rafael Vilhais tiveram coragem, pois a afluência de publico em anos anteriores não era muito motivadora, contudo esta é a prova viva em como, quando as coisas são bem pensadas tudo tem para correr bem. Resultado: 3/4 de casa para aplaudir de pé um homem não só da terra como da região, Dr. Alberto Fernandes, numa homenagem póstuma bastante emotiva e justa.
Para tourear o concurso de ganadarias perfilaram-se:
Cavaleiros: Rui Salvador, Filipe Gonçalves e Miguel Moura
Forcados: Real de Moura, Monsaraz e Beja
Ganadarias: Prudêncio, Eng. Jorge de Carvalho. Veiga Teixeira, Pinto Barreiros, Fernandes de Castro e Canas Vigouroux
Abriu a corrida Rui Salvador, perante um Prudêncio com 580kg, manso, sério, investia alto, desligava-se com facilidade do cavalo, pedia contas e uma lide ligada, onde era preciso entrar nos seus terrenos, o cavaleiro de Tomar teve muitas dificuldades para dar a volta ao toiro, a lide ficou aquém daquilo que Salvador já nos habituou, limitou-se a cravar a ferragem da ordem.
Para este toiro Valter Rico, forcado de provas dadas, quis dar o exemplo e abriu praça, as coisas não correram bem, não entendeu o toiro e teve alguma dificuldade nas reuniões, conseguindo apenas efectivar à 4 tentativa.
Para o segundo o furacão do Algarve, Filipe Gonçalves, teve por diante um Jorge de Carvalho que acusou na balança 620kg, um manso que até prometeu ao início, mas depois com o decorrer da lide veio a menos, dificultando o labor do cavaleiro, apoderou-se do centro da arena e só saía quando acreditava conseguir colher, Filipe tentou de várias formas deixar a ferragem, mas não foi muito assertivo.
Para a pega adivinhavam-se dificuldades para o grupo de Monsaraz, bateu as palmas Luís Rodrigues, o toiro sai com muita pata e pedia grupo, o forcado acaba por não aguentar a dureza da viagem, fez mais duas tentativas que resultaram infrutíferas com alguma passividade nas ajudas, sai lesionado e para a dobra Carlos Polme, a sua primeira tentativa e já em curto foi de antologia, sozinho dá meia volta a praça até que sai de forma inglória, já com vários forcados de outros grupos a tentar ajudar, era uma pega que ficava para a história, à sua segunda e quinta no cômputo geral consegue resolver o problema a sesgo.
A Miguel Moura saiu-lhe em sorte o melhor até ao momento, um Veiga Teixeira com 585kg, bom toiro, bonito, nobre, humilhava nos ladeios bem conseguidos do cavaleiro, saía de todos os terrenos com facilidade e mostrava-se suave no embroque(retirando assim alguma emoção à lide). Miguel cravou alguns ferros de boa nota, mas ficou a sensação que o toiro podia ser ainda mais potenciado, bastava para isso que lhe fossem pisados outros terrenos, ainda assim o melhor até agora, terminou com um bom “palmito”.
Para a pega Guilherme Santos, fez quase tudo bem, pena ter retardado o momento de carregar a sorte, deixando o toiro sair solto e com pata, este humilhou muito na reunião, mas o forcado aguentou com toda a sua experiência, conseguiu receber bem e com o grupo a ajudar efectivou à primeira tentativa uma boa pega.
No intervalo prestou-se uma sentida homenagem à figura do cartel, Dr. Alberto Fernandes, homem por quem as gentes da festa e os Mourenses em particular, nutriam um grande carinho, o seu nome ficou perpetuado no pátio de quadrilhas, sob a forma de uma placa evocativa para a efeméride.
A abrir a segunda parte, o cavaleiro mais velho de alternativa, Rui Salvador, saiu-lhe um Pinto Barreiros com 530kg cumpridor mas sem romper, subiu a prestação relativamente ao seu anterior, andou regular, contudo a ficar-nos na memória apenas um curto, pouco para o seu estatuto.
Para a pega Gonçalo Borges, iniciou o cite com classe, mandou vir o toiro quando quis, a reunião resultou um pouco imperfeita, mas com muita vontade e crer, consegue uma boa e vistosa pega, de salientar a boa primeira ajuda.
Para o quinto Filipe Gonçalves, reza a história e a tradição que não há quinto mau, um Fernandes de Castro com 560kg de qualidade, mas parece-nos que se apresentava um pouco tocado, denotou alguma falta de transmissão, para que emprestasse mais emoção à lide, Filipe empolgou-se para conseguir uma boa lide, o toiro saía de todos os terrenos com facilidade, acompanhando a montada num galope cadenciado e nobre, Filipe esteve a gosto e chegou facilmente às bancadas, terminou com um violino no seu já célebre cavalo que bate as palmas, no entanto arrastou demais a lide o que lhe tirou algum brilhantismo.
Para a pega André Mendes, vestindo a jaqueta dos amadores de Monsaraz, fez tudo bem, mandou vir, recebeu bem e o grupo ajudou, permitindo a consumação da pega à primeira tentativa.
Para o último estava reservado a “fava” da corrida, Miguel Moura que tinha estado bem no seu primeiro, tinha agora uma tarefa muito árdua para resolver, um Canas de Vigouroux dos antigos, 590kg de peso, de mansidão, de génio e de maldade, se a isto juntarmos as dificuldades de visão, percebemos bem o que estávamos por diante.
Miguel limitou-se a cumprir a ferragem da ordem, com algumas dificuldades próprias do comportamento do toiro, este era rei e senhor da arena, não abandonando o seu centro, salvo quando via o capote, partindo para este com muita pata e impetuosidade, revelando-se um manso perdido e perigoso.
Para fechar a corrida, o novel cabo dos amadores de Beja que debutava esta tarde em Moura nesta qualidade. Miguel Sampaio chamou para si a responsabilidade de resolver o problema que se perspectivava extremamente difícil, escolheu para si o pior, com muita coragem iniciou o cite a dar todas as vantagens ao toiro e com muita classe, carregou e mandou, este confirmou os receios de todos os que se encontravam na praça e sai para uma reunião arrepiante, um derrote fortíssimo despacha o forcado para depois arrear nalguns elementos do grupo, semeando o pânico, para a segunda e já com um ajuda dobrado, o toiro revela o mesmo comportamento, desta vez mostra que não quer sair do sítio onde foi colocado, consideramos que deveria ter-se mudado nesta fase o toiro de sítio, após pisar os seus terrenos com muita coragem, o toiro volta a aplicar toda a sua força e maldade na reunião, com o forcado novamente a não aguentar os derrotes, para a terceira e já em curto, com o toiro mudado de sítio, este volta a despachar todo o grupo, mostrando muita resistência a ser pegado, para a quarta e colocado novamente noutro sítio, a sesgo Miguel Sampaio consegue com muito espírito de sacrifício e força de vontade de todo o grupo levar de vencido, este problema sério, já com alguns ajudas extra para ajudar a parar esta “locomotiva” de forma muito compreensiva.
Os prémios de apresentação e bravura, foram atribuídos de forma unânime a Veiga Teixeira e a Fernandes de Castro respectivamente.
Foram júris os ganaderos: Eng. Joaquim Grave, Eng. Joaquim Brito Paes e Nuno Cabral.
Dirigiu o Sr. Agostinho Borges com o acerto do costume, percebendo as dificuldades criadas pelos toiros, abrilhantando esta “longa” corrida a banda de música da Amareleja.










