Valeu pela festa dos forcados

Crónica

A tradicional corrida de toiros da “feira das cebolas” que ocorreu na praça José Elias Martins em Portalegre, tinha como atractivo maior a comemoração dos 50 anos de fundação do Grupo de Forcados Amadores de Portalegre que se encerrava com seis toiros da ganadaria Prudêncio.

Foi bonito ver tantos antigos forcados fardados, mais de setenta, todos eles representativos de várias gerações que ao longo de uma existência com algumas interrupções, deixaram a sua marca nas praças de Portugal, Espanha e França, e encheram de colorido a arena da José Elias Martins.

Como a tarde era dos forcados, são eles merecedores do destaque desta crónica.

Após as cortesias, em que todos os forcados marcaram presença, foram homenageados os antigos cabos do grupo na sua pessoa e os descendentes em representação daqueles que já partiram, de referir também que se fez um minuto de silêncio em memória dos forcados deste grupo que perderam a vida a pegar toiros, os malogrados Pedro Belacorça e Francisco Matias.

Era dia de festa, o público estava com o grupo e todos aqueles que se fardaram sentiram concerteza uma vez mais a adrenalina de estar fardado.

O desafio de pegar seis toiros, acabou por ser superado, e mesmo o desacerto e a falta de brilhantismo na maioria das pegas, acabou por não ter importância, pois a maioria dos que preencheram a meia casa fraca do taurodromo portalegrense, tinham como objectivo acarinhar os forcados da terra que tantas alegrias proporcionaram aos aficionados desta terra em tardes passadas.

O curro de Prudêncio, saiu com apresentação variada, na generalidade com pouco trapio, revelou mansidão com vários exemplares e procurar as tábuas, à excepção dos saídos em primeiro e segundo lugar, no entanto, revelaram alguma nobreza deixando-se tourear e pegar sem problemas de maior.

A actuação do grupo de forcados aniversariante por certo que acabou por não ir ao encontro do que estes desejavam, tendo concretizado quatro pegas à segunda tentativa e duas à terceira, tendo os forcados da cara em algumas ocasiões demonstrado alguma inexperiência, noutras situações faltou uma mão cá atrás nas ajudas, o que é certo é que as pegas não resultaram perfeitas, também fruto de algum azar à mistura.

Nota positiva para o forcado que efectuou a primeira pega da tarde, pois esteve perfeito a receber a investida com transmissão do toiro, pena que na primeira tentativa tivessem faltado as ajudas, inviabilizando aquela que seria talvez a melhor pega da tarde.

Pedimos desculpa por não elencar os nomes que quem pegou, no entanto, o áudio da praça era imperceptível, e não havia mais nenhuma identificação visível onde fosse possível vislumbrar o nome dos forcados da cara que se perfilaram para pegar os toiros.

Completavam o cartel os cavaleiros Filipe Gonçalves, João Moura Junior e Miguel Moura.

Todos tiveram bons momentos em praça e conseguiram dar a volta aos toiros que por vezes revelaram bastantes crenças, no entanto, o destaque maior vai para Miguel Moura que por mais de uma vez levantou o público dos assentos.

Filipe Gonçalves conseguiu duas lides com bons pormenores e ferros de destaque, mais fácil a primeira, de maior dificuldade a segunda em que teve de passar algumas vezes em falso para deixar a ferragem da ordem.

João Moura Junior andou seguro, mas algo discreto, não arriscando em demasia, praticando um toureio maduro, conhecedor dos terrenos saindo por cima dos oponentes.

Miguel Moura mostrou toda a irreverência e raça que leva dentro de si, toureando com risco e emoção os dois difíceis toiros que lhe tocaram em sorte. Meteu o público com ele e acabou por escutar as maiores ovações da tarde, como por exemplo quando executou uma sorte gaiola que parou corações.

 

Ultimos Artigos

Artigos relacionados