Um Moura Jr. Arrebatador, no triunfo do Real de Moura

Crónica

Certamente, este encontro de Ases entre, João Moura Jr. e Francisco Palha, seis toiros Teixeira e o Real Grupo de Moura em solitário num palco de máxima categoria, entre um toureiro que tem bem ganho o seu cartel e um dos mais sólidos valores da tauromaquia actual, despertou grande expectativa e motivo disso foi a bonita moldura humana que a praça de toiros de Moura apresentou.
Antes da corrida houve bonita e emotiva procissão das velas em honra de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Moura, na qual os forcados transportaram o andor e todos os intervenientes do espectáculo acompanharam com devoção o andor da Senhora.
Os seis toiros Teixeira apresentados em Moura eram dignos de qualquer praça de toiros, bonitos, com cara, mais leves os dois primeiros e pesados os restantes. A mobilidade foi a palavra de ordem que marcou o curro. Mas também a nobreza e a bravura do primeiro, toiro de bandeira; A casta do segundo; O terceiro foi reservado e a menos; O quarto teve  classe e nobreza mas não lhe acompanharam as forças; O quinto foi um bom toiro, com querenças é verdade mas delas saia com alegria e som; O sexto pediu documentos… Toiro sério, encastado e nada fácil
A arte de tourear, seja qual for sua vertente, o intérprete, o momento, a praça, quando surge, culmina na inspiração, comove como poucas artes, porque é instantânea, surpreendente e fugaz e foi isso que aconteceu na Velha salúquia por parte de Moura Jr. Recebeu os três toiros em sortes de porta gaiola e a três resultaram exuberantes e cheias de valor. A primeira lide foi redonda a aproveitar as qualidades do toiro, a cravar ferros brutais, ao estribo fazendo o público entrar de rompante na corrida, primeiro triunfo da noite. No terceiro a lide foi menos exuberante e contundente, bons pormenores de brega, bons ferros mas menos entusiasmo nas bancadas. Mas a lide redonda, a do triunfo grande, a do por todos de acordo foi a do quinto. Bem nos compridos, nos curtos de praça a praça a por toda a carne no assador a cravar ao estribo e “meter as bancadas no bolso” para culminar a lide com a Mourinas… Simplesmente brutal, arrepiante, hinos à arte de bem tourear a cavalo. Levando depois cozido o toiro de Teixeira ao estribo do seu arreio, com um temple prodigioso e umas distancias indescritíveis o público aplaudia de pé… Enardecido e assombrado! Ontem, o público ao ver tamanha obra expressou-se conforme lhe pedia o corpo e lhe recomendava a alma: com a explosiva espontaneidade que impulsiona e que emociona a gente dos toiro a ver uma lide histórica.
O público, mas sobretudo os aficionados, estão com  Francisco Palha. Sente-se isso sempre que entra em praça e abre o livro, soltando o sentimento, a classe e a arte que lhe estão no sangue. Marca a diferença sempre e ontem em Moura voltou a acontecer.  Francisco, deu todas as vantagens, toda a prioridade, para só ir ao encontro dos toiros no derradeiro instante, cites de praça a praça, a mandar, a templar as sortes, a cravar de alto a baixo e ao estribo em terrenos de compromisso. Pondo a carne toda no assador, cravou ferros verdadeiramente bons, executou bonita e eficiente brega, rematou as sortes em bonitos ladeios, teve três grandes actuações que fizeram vibrar o os presentes mas não se deu o “click” da expulsão do triunfo grande.
Noite de triunfo memorável para o Real Grupo de Forcados Amadores de Moura que se encerrava com seis toiros e os seis foram pegados à primeira tentativa, com as ajudas a serem determinantes para este sucesso. Abriu praça Gonçalo Matato numa pega em que o toiro arrancou pronto e com pata. João Caeiro foi para a cara do segundo numa boa pega. Rui Branquinho bem a executar uma pega rija com um toiro a pedir contas. Gonçalo Borges, bonito na cara do toiro a citar e a receber. João Cabrita, numa grande pega que levantou o público. Cláudio Pereira na pega da noite, tudo bem feito.
No final da corrida foram chamados à praça o ganadeiro e o grupo, pelo conjunto do curro enviado e pela magnifica actuação dos forcados.
Dirigiu a corrida correctamente Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário Matias Guilherme.

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