Tauromaquia e Política

Crónica

É ao deixar que a pena voe livremente sobre a folha nua, que escrevo neste defeso uma reflexão há muito pensada para todos os aficionados, e sabendo da função que todos devemos/podemos ter na preservação da cultura que todos amamos.

 

Primeiramente, a nível interno, a Tauromaquia viveu ao longo da sua existência num preâmbulo com fator popular muito forte, mas sem “pensar no futuro” seja a nível de preservação da mesma, seja a nível empresarial. Contando com mais de uma década de existência, a PróToiro tem um papel fundamental no reconhecimento das “touradas” como cultura na verdadeira ascensão da palavra.

 

Havendo neste momento um incentivo do governo central, para acabar com toda e qualquer ação de defesa da festa, devemos ser nós aficionados a fazer entender a quem está no poder, que o facto de sermos de zonas rurais não nos turva o pensamento a nível estratégico.

 

Mas, chamo a atenção dos leitores para o seguinte, será que quem manda, seja Governo ou Autarquias estão a par do valor socioeconómico que existe em cada “evento” taurino? E digo em toda a sua dimensão, seja de uma largada popular, sejam em corridas formais…

 

Segundo dados de 2019, apresentados há pouco pela PróToiro a tauromaquia no seu todo, reuniu nos seus eventos, 2.5 Milhões de participantes em mais de 1000 eventos populares e cerca de 500 mil espectadores em 200 espetáculos pagos. O que dá uma média de 2.500 espectadores por espetáculo, o que perfaz uma média superior, e imagine-se, aos jogos da 2ª Liga de Futebol profissional na época 18/19, em que a cifra se ficou pelos 1.200 espectadores/jogo. A par disso, e não à parte, está a economia envolvida nesses mesmos eventos, que enriquece o comum empresário da tasca da D. Maria das Argolas (desaparecida há uns anos na minha terra), que anseia pela chegada da sua Feira para fazer face às despesas que se acumulam durante o ano.

 

Por isso alerto, devemos ser nós a nível interno a fazer “o seu” em prol da tauromaquia, desde associações que a defendam e dinamizem até encontrar empresas que queiram que o seu nome esteja ligado à mesma, mostrando a quem nos governa que seremos uma mais-valia e só assim, e pensando a um nível empresarial o futuro pode estar assegurado.

 

Assim sendo e tendo em conta que se aproximam as legislações autárquicas, espero que reflitam em quem votar. Será que quem irá assumir os vossos municípios entende a força que a tauromaquia tem, seja ela em fatores económicos ou socioculturais? Prevejo muitas palmadinhas em costas largas, que são nas nossas ao fim ao cabo.

 

 

 

 

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