Nos vidas aceleraram drasticamente nos últimos anos. Notificações, mensagens e uma avalanche de informações nos cercam constantemente, transformando a nossa forma de pensar e de concentrar. É hora de enfrentarmos a realidade: a sua capacidade de atenção está, sem dúvida, a enfrentar desafios, certo? Entre os maratonas de séries e o scrolling sem fim nas redes sociais, muitos de nós encontramos dificuldades em manter a atenção como outrora. Um estudo revela que nossa capacidade de concentração é agora inferior à de um peixe dourado.
É fácil revirar os olhos perante este cenário sombrio e os alarmes sobre o impacto dos ecrãs no nosso cérebro. No entanto, as investigações indicam motivos válidos para estarmos atentos.
Se pensa que se trata apenas de uma tendência passageira, desengane-se: nosso cérebro adapta-se de forma diferente à sobrecarga digital, afetando a memória e a nossa capacidade de nos focarmos numa única tarefa. Compreender estas mutações é o primeiro passo para retomar o controle da nossa atenção e gerir melhor o nosso tempo.
A queda na capacidade de atenção

Estudos mostram que a **duração da atenção** encolheu, agora inferior à de um peixe dourado.
Na psicologia, a “ duração de atenção ” descreve a capacidade de um indivíduo para manter atenção numa única tarefa durante um determinado período. Essa medida influencia praticamente tudo o que fazemos, desde o aprendizado, ao trabalho, passando por conversas e tarefas cotidianas.
Infelizmente, os dados indicam que todos nós estamos a sofrer, direta ou indiretamente, com a diminuição dessa capacidade.
Por exemplo, a maioria das produções televisivas atuais mantém um plano apenas por três segundos. Se sente a cabeça a girar cada vez que assiste a algo, essa é a explicação: sua concentração pode estar boa, mas está a ser afetada pelo ritmo frenético apresentado pelos outros.
Um estudo de 2015, realizado pela Microsoft, revelou que a nossa capacidade de atenção caiu para alarmantes 8,25 segundos, quase uma segunda a menos que um peixe dourado. Esta estatística é frequentemente considerada exagerada, mas mesmo investigações sérias sobre a duração de atenção mostram um declínio preocupante, e a uma velocidade surpreendente.
Uma queda veloz em poucas décadas
Há apenas duas décadas, a nossa capacidade de concentração era pelo menos três vezes superior.
A Dr. Gloria Mark investiga a atenção humana há mais de 20 anos na Universidade da Califórnia em Irvine, e as suas descobertas revelam uma mudança surpreendente na nossa maneira de usar o cérebro no século XXI.
As suas investigações, embora menos sensacionalistas que as da Microsoft, são igualmente alarmantes. Em 2004, Mark revelou que a duração média de atenção humana era de aproximadamente 150 segundos. Em 2012, logo após a popularização dos smartphones e das aplicações de redes sociais, essa duração reduziu-se para 75 segundos. Doze anos depois, em 2024, a média caiu para 47 segundos.
O que causa essa diminuição da atenção?

Mas o que está realmente a acontecer? A Dr. Mark explica que “a atenção focalizada manifesta-se por ritmos e parece corresponder às flutuações dos nossos recursos mentais disponíveis”. Contudo, esses recursos estão a ser constantemente, e muitas vezes intencionalmente, esgotados pelos ecrãs e fluxos de informação.
Esse declínio está ligado à forma como as redes sociais e os dispositivos digitais activam dois sistemas cerebrais distintos.
Sim, aqueles telefones que temos. O cérebro possui dois principais sistemas de atenção: um involuntário e outro orientado para um objetivo. O primeiro reage a estímulos do ambiente, enquanto o segundo permite uma concentração sustentada.
As plataformas online, nomeadamente as redes sociais, são desenhadas para estimular constantemente o nosso sistema nervoso autónomo através de um fluxo contínuo de notificações, elementos visuais e imprevisibilidade. É isto que nos leva a questionar “e depois?” enquanto rolamos sem parar.
Essa estimulação incessante cansa rapidamente o córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pelo pensamento e pelas funções executivas. E cada vez que somos forçados a alternar entre esses dois sistemas, a constante exigência dos dispositivos digitais, o nosso nível de estrés aumenta.
Consequências para o corpo e o trabalho
As investigações da Dr. Mark revelaram que essa alternância de atenção provoca um aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial nos participantes do estudo. Além disso, foi comprovado que aumenta os erros no nosso trabalho, incluindo em profissões onde os erros podem ser fatais, como em enfermagem ou pilotagem de aeronaves.
Por essa razão, a Dr. Mark sublinha a importância de fazer pausas dos nossos telefones, das plataformas digitais e de todos os tipos de ecrãs, permitindo que o nosso cérebro descanse e se recupere.
Essa prática poderia até fazer nós poupar tempo. Cada vez que somos distraídos, o nosso cérebro leva mais tempo a reconcentrar-se na tarefa em curso, o que, inevitavelmente, nos faz querer voltar a consultar os nossos telefones, como os sistemas foram desenhados para fazer.
Conclusão

A diminuição da nossa capacidade de atenção não é uma mera exageração: é uma realidade bem documentada cientificamente.
Num mundo saturado de ecrãs, notificações e informações contínuas, o nosso cérebro lida com um sobrecarrego constante, cansando-se mais rapidamente do que antes.
Compreender este fenómeno é um bom começo para retomar o controle: fazer pausas regulares, limitar as distrações digitais e focar-se em atividades que exigem atenção prolongada pode ajudar a restaurar a nossa capacidade de concentração.
Ao aprender a gerir a nossa atenção, podemos não só ser mais eficazes no nosso dia a dia, mas também preservar o nosso bem-estar mental a longo prazo.




