Na vida, surge frequentemente a reflexão sobre o que significa realmente apoiar um amigo em momentos difíceis. Sabemos que a intenção é ajudar, mas muitas vezes as nossas intervenções podem ter o efeito oposto. Recentemente, uma situação com uma amiga fez-me perceber isso. Após uma discussão com um familiar, ela ligou-me em desespero; em vez de a ouvir, comecei a partilhar a minha própria experiência, acreditando que isso a apoiaria.
Disse-lhe: «Entendo perfeitamente o que estás a viver», enquanto fazia uma retrospectiva das minhas dificuldades, totalmente alheia à sua dor real.
Após a nossa conversa, recebi uma mensagem dela a dizer que precisava de algum tempo a sós. Foi um sinal claro: mais uma vez, tinha concentrado a conversa em mim.
Todos queremos ser o apoio que os nossos amigos necessitam, mas a dura realidade é que, mesmo com as melhores intenções, por vezes complicamos ainda mais as situações.
A verdadeira distinção entre as pessoas com alta inteligência emocional e as que não a possuem não é apenas a empatia, mas a capacidade de saber o que **não** fazer.
Conseguir ouvir realmente, oferecer apoio sem impor a própria experiência pode transformar uma simples troca de palavras num verdadeiro consolo para alguém em necessidade.
1. Nunca competem na dor

Todos conhecemos alguém que transforma cada conversa numa competição de sofrimento. Em vez de simplesmente validar a sua experiência, sentem a necessidade de a comparar com a própria. Isso não é empatia, é egoísmo.
Este comportamento pode levar ao desgaste de uma amizade, tornando-se difícil partilhar os nossos problemas quando sentimos que não são valorizados.
2. Nunca desaparecem sem aviso
Saber dar apoio a alguém pode ser esmagador, e é natural que assim seja. Contudo, as pessoas emocionalmente inteligentes nunca desaparecem sem explicação.
Já vivi situações em que amigos se afastaram silenciosamente durante períodos difíceis. Mais tarde, eu própria repeti esse padrão com alguém que estava a atravessar uma crise. Nenhuma destas reações ajudou.
Se precisar de espaço, comunique-o. Dizer «Preocupo-me contigo, mas preciso de um tempo para a minha saúde mental» é muito mais gentil do que deixar alguém a perguntas sobre o seu sumiço.
3. Nunca banalizam a dor com frases de efeito

Expressões como « Pelo menos estás saudável! » ou « Tudo acontece por uma razão! » podem parecer reconfortantes, mas frequentemente transmitem a ideia de que a dor não é válida. Quando uma amiga perdeu o emprego, muitos lhe disseram que era « para o melhor », fazendo-a sentir que não tinha direito a ficar abalada.
Pessoas com elevada inteligência emocional compreendem que a vida pode ser dura e que é aceitável sentir-se mal. Elas não buscam forçosamente um lado positivo e permitem que a tempestade passe.
4. Evitam trazer a conversa para si
Quando alguém partilha que um parente está doente, o instinto pode ser contar uma história semelhante da sua vida. Contudo, isso não é criar empatia; é tirar o foco do outro.
Recentemente, uma colega confió-me sobre uma experiência pessoal dolorosa. Quando reagi com uma história semelhante, percebi que não estava a ouvir. Ela precisava de ser escutada, e não de ouvir mais sobre os outros.
As pessoas com alta inteligência emocional sabem que a dor dos outros não é uma porta aberta para partilhar a própria experiência. Elas aceitam o desconforto de simplesmente ouvir.
5. Não oferecem conselhos não solicitados

Surge a tendência de agir como conselheiro assim que um amigo expressa uma preocupação. Quando alguém menciona que o parceiro se esqueceu de um aniversário, a resposta pode ser a criação de um plano que nunca foi solicitado.
É um erro comum; por vezes, as pessoas apenas desejam ser ouvidas. A maioria já sabe o que deve fazer; elas apenas necessitam de alguém que as escute.
6. Nunca traem a confiança
Pode parecer óbvio, mas muitas pessoas partilham as dificuldades dos outros disfarçadas de solidariedade. O que começa como uma preocupação torna-se rapidamente em fofoca.
Questões pessoais de amigos não devem ser o tópico de conversa com mais ninguém. Quando alguém confia em você, essa confiança é sagrada.
7. Não pressionam o outro a « seguir em frente »

Afirmações como « Já se passaram três meses; deverias ter superado isso » são frequentemente ouvidas. O luto e os traumas seguem um ciclo próprio. A perda de uma amizade longa não é fácil de ultrapassar.
8. Não expressam o seu desconforto
Dizer a alguém « Não suporto ver-te assim » só aumenta o peso da dor que a pessoa está a carregar. Ela já está a lutar com os seus sentimentos e ter que lidar também com os nossos não é justo.
Permita que a pessoa partilhe o que sente sem ter que minimizar os seus próprios desconfortos.
Reflexões Finais

Apoiar alguém não implica encontrar as palavras certas ou resolver todos os problemas. Trata-se de estar presente, aceitar o desconforto e acompanhar a dor sem julgamento.
A resposta mais simples e inteligente a uma situação difícil pode ser: « Isso deve ser realmente complicado. Como posso apoiar-te agora? »
Não é sempre fácil; eu também falho. Contudo, refletir sobre as nossas reações e questionar se estamos a ajudar ou a buscar conforto pode fazer toda a diferença.




