Psicologia: as 5 razões que levam cada vez mais franceses a cortar os laços com seus pais

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O que leva um número crescente de pessoas a cortar relações com os seus pais? O contacto zero com um progenitor, há muito considerado um tema tabu, é hoje mais debatido nas redes sociais, consultórios de psicologia e meios de comunicação. Em Portugal, embora não existam estatísticas nacionais que permitam medir precisamente este fenómeno, especialistas em relações familiares observam um aumento da visibilidade das rupturas familiares.

Contrariamente à crença popular, decidir romper relações com um progenitor raramente é uma escolha impulsiva. Estudos em psicologia demonstram que, geralmente, trata-se do culminar de anos de conflitos, desentendimentos e sofrimentos acumulados.

Os cinco fatores mais frequentemente citados nas investigações científicas.

1. Valores incompatíveis

Cortar relações com os pais
Imagens de Pexels e Freepik

Uma das causas principais do afastamento entre famílias é a forte divergência de valores.

As discordâncias não se restringem apenas à política; podem abranger religião, educação das crianças, questões sociais, estilos de vida ou convicções pessoais.

Uma investigação realizada com mais de 2 000 mães e seus filhos adultos revelou que diferenças de valores são um preditor mais forte de ruptura familiar do que comportamentos considerados transgressões sociais significativas.

Em outras palavras, quando duas gerações não compartilham mais a mesma visão de mundo, as tensões podem, com o tempo, se tornar irreconciliáveis.

2. O impacto das redes sociais

As redes sociais desempenham um papel cada vez mais significativo nas relações familiares.

Elas permitem a comparação entre famílias e expõem os indivíduos a inúmeros relatos que, por vezes, glorificam a decisão de romper laços com um ente querido.

Em adolescentes, várias pesquisas demonstram que o uso excessivo das redes sociais se associa a relações mais conflituosas com os pais, ainda que essa relação não implique uma causa direta das tensões.

Uma estudo com 9 732 adolescentes entre 11 e 20 anos revelou que o uso intensivo das redes sociais (mais de duas horas por dia) correlaciona-se com relações mais tensas com os pais, mesmo após considerar o tempo total de ecrã. Contudo, os investigadores enfatizam que se trata de uma associação estatística, não de um vínculo causal.

Ademais, os algoritmos podem reforçar divergências de opinião, isolando os indivíduos em bolhas de pensamento, dificultando o diálogo.

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3. A saúde mental em primeiro plano

Cortar relações com os pais

Nos últimos anos, a saúde mental tem ganho um lugar de destaque no debate público.

Cada vez mais pessoas optam por manter distância de um membro da família que consideram prejudicial ao seu bem-estar psicológico.

Contudo, investigadores alertam que a ruptura familiar não é uma solução universal. Os efeitos podem variar muito consoante as circunstâncias.

Quando há casos de violência, abusos ou manipulação psicológica, terminar o contacto pode devolver o sentimento de segurança.

Entretanto, quando a ruptura decorre de conflitos de comunicação ou desacordos persistentes, as consequências emocionais tendem a ser muito pesadas para todas as partes envolvidas.

Uma pesquisa publicada em 2024 indicou que adultos que se afastam de pais ou irmãos relatam, em média, sintomas depressivos e uma satisfação de vida inferior àqueles que mantêm laços familiares.

Isso não implica que a ruptura seja um erro, mas que frequentemente se revela uma experiência difícil, independentemente do contexto.

4. Comunicação deteriorada

Antes de uma ruptura definitiva, conflitos geralmente se desenvolvem ao longo de vários anos.

Acusações tornam-se recorrentes, cada um fixa a sua posição e as interações frequentemente resultam em confrontos.

A utilização de uma linguagem excessivamente acusadora ou rótulos como “tóxico”, “manipulador”, “narcisista” ou “perverso” podem rapidamente obstruir o diálogo. Quando as conversas se focam em julgamentos de valor em vez de comportamentos específicos, a busca por um entendimento torna-se mais difícil.

Especialistas em comunicação sugerem que se descrevam fatos concretos e situações vividas, explicando os sentimentos e porquê deles. Esta abordagem permite uma conversa mais pacífica e ajuda a compreender as expectativas de cada um, ao invés de alimentar uma oposição onde cada parte busca determinar quem está certo ou errado.

A escuta ativa, frases que começam por “eu” em vez de “tu”, e a reformulação das palavras do outro são reconhecidos como ferramentas que ajudam a desescalar conflitos familiares.

5. Mudanças de vida intensificam tensões

Cortar relações com os pais

As rupturas familiares frequentemente acontecem em grandes etapas da vida.

A chegada de um parceiro, o nascimento de um filho, uma mudança de residência, uma sucessão ou mesmo discordâncias sobre a educação dos netos podem reavivar conflitos antigos.

Essas novas dinâmicas familiares frequentemente forçam cada um a redefinir o seu papel. Quando as expectativas dos pais e dos filhos adultos se tornam incompatíveis, as relações podem deteriorar-se ao ponto de um afastamento duradouro.

Relações rompidas: um fenómeno ainda mal compreendido em Portugal

Apesar de o tema ser mais discutido na mídia, os investigadores destacam a escassez de dados em Portugal.

A maioria dos estudos disponíveis vem dos Estados Unidos, Reino Unido ou Alemanha, onde a investigação sobre o afastamento familiar é mais consolidada.

Esses estudos convergem, no entanto, para uma conclusão comum: a ruptura familiar geralmente não tem uma única causa.

Geralmente resulta de uma combinação de fatores, como diferenças de valores, comunicação deteriorada, eventos de vida, conflitos recorrentes ou dores do passado, tornando a relação difícil, senão impossível.

Referências e estudos

Este artigo é apresentado apenas para fins informativos e reflexivos. Não substitui uma avaliação médica ou psicológica. As ideias abordadas sustentam-se em investigações publicadas e observações editoriais, e não provêm de uma avaliação clínica. Para a sua situação específica, consulte um profissional qualificado.

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